quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

SAUDADE!

Da comida da minha mãe, e de vê-la pra lá e pra cá na cozinha pequena da nossa casa, cozinhando, lavando, mandando a gente sair.
Das risadas do meu pai vendo televisão sozinho na sala de baixo. Dele subindo as escadas pra pegar mais peito de frango grelhado ou queijo assado com alho.
De deitar espremida com mãe na minha cama, vendo televisão.
De Yara reclamando de tédio.
De comer miojo com Hiram no sofá do apartamento.
De gritar Tia Mena pela janela.
De atacar a geladeira dela.
De sentar do lado de fora de casa observando as nuvens de chuva ou o pôr-do-sol.
De assistir Lost e Harry Potter com Hiram e Yara um milhão de vezes nas férias.
De ver todo mundo ajudando no almoço de domingo.
De ver mãe bordando vestidos de noiva por horas.
Das palhaçadas de Laís e do pavio curto de Nina.

(Ana Elisa - inacabado...)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

The time of my life!

O ano mais intenso da minha vida está na reta final e agora, assim como no início, e no meio também, os sentimentos se misturam, se confundem, se multiplicam, superlotam meu coração. Antes era medo do desconhecido, do novo. Era uma falta de tudo o que era familiar que chegava até doer; era o deslumbramento ao ver lugares novos, a alegria de estar realizando um sonho e a expectativa das muitas coisas boas que estavam por vir. Agora é a saudade de casa, a vontade de voltar, o medo da readaptação, da nova rotina. A certeza de que vou sentir muita saudade dos EUA, dos amigos que fiz aqui, da família que me acolheu.
Nesse ano que passou eu conheci Nova York. Museus, bairros, Estátua da Liberdade, Rockefeller Center, lojas famosas, Quinta Avenida, Central Park. Vi desfiles (Halloween, Thanksgiving) e as lojas decoradas pro Natal. Vi que NY realmente nunca dorme, que os taxistas são malucos (mas sobrevivi) e que é o lar de todos os povos e culturas.
Passei uma semana na Disney, me divertindo como criança, sorrindo e me deslumbrando o tempo inteiro; Visitei a capital, Washington, onde fui no bar mais bizarro e dormi no hostel mais monstruoso, mas me diverti muito e gastei pouco. Ah, e tive aula de mandarim com o coleguinha de quarto chinês. Ia pro Alabama ver a Dani e a Karen, mas acabei indo pra Miami com a Ju, onde tivemos as melhores férias ever! Praia-balada-praia. Foi a semana em que esqueci do mundo, encontrei surpresas, entrei de cabeça e ganhei lembranças e amigos que vão ficar no coração.
Vi um jogo da NBA no Madison Square Garden (realizei o sonho do Vini), patinei no gelo, fui em parque aquático, e ao Six Flags (maiores montanhas-russas do país), fiz guerrinha de bola de neve, dirigi pra caramba, tive voos horríveis nos quais senti medo de morrer, fui pra casa da Carol em Pittsburgh e vi o Cirque du Soleil, e realizei um dos maiores e mais antigos sonhos da minha vida: vi os Backstreet Boys cantarem ao vivo, de pertinho! Várias primeiras vezes e sensações impagáveis!
Na primeira semana conheci um pouco do mundo e mais do Brasil. Uma amostra do que seria o ano de Au Pair. Éramos mais ou menos 60, 12 brasileiros (MG, SP, BA, SC, PE). Além do inglês, às vezes tínhamos dificuldade em nos entender. Mas nos divertimos muito com isso. Tantos sotaques, tantas diferenças vindas de um só país. Mas do treinamento cada um foi pra sua casa e aqui em NJ encontrei o meu porto, minhas queridas amigas, um pedacinho do Brasil. É com elas que posso ter o alívio de falar um pouco de português, almoçar em Newark, reclamar da vida e fazer planos. Mas como nada é perfeito, não dá pra evitar o momento em que cada uma segue seu caminho, volta pra casa. Primeiro a Matilde, agora Dani, Vanessa, Ju, Carol... Isso aqui não vai ter tanta graça sem vocês... mas logo eu volto pro Brasil e vou ter casa pra ficar em SP, Salvador, Recife... Sem contar México, Alemanha, Ucrânia...
No balanço final dessa experiência maravilhosa, vai sobrar saudade pra dar e vender.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Passar pelas ruas de New Jersey em Dezembro é fascinante. Eu já tinha visto como os americanos se empolgam com decoração no Halloween, mas o Natal é incomparável. O sol se põe às 5 e as luzes começam a se acender. É mágico. Ruas inteiras com casas iluminadas! Árvores de Natal monumentais, Papai Noel inflável, renas de estrutura metálica que se mexem, Papai Noel entrando pela chaminé, guirlandas nas portas, luzes ao redor das janelas, candy cane, gingerbread house, música de Natal tocando o dia inteiro nas rádios... ufa! Quem não decora a frente da casa ou é judeu ou não dá a mínima. Mas o engraçado é que das dezenas de casas que observei, apenas uma tinha o motivo verdadeiro da festa: Maria, José e o menino Jesus. Andei pensando e tirando minhas conclusões de que a maioria das pessoas valorizam tanto o exterior, a aparência, a casa, o carro, as roupas, que o que realmente importa fica de lado: os valores, a moral, a espiritualidade. É tanta decoração, tanta maquiagem, pra disfarçar que do lado de dentro falta alguma coisa.
(Ana Elisa)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A quarta estação

Saí do aeroporto e podia ver minha respiração e a de todos em volta. Havia blocos de gelo pelo chão e no dia seguinte nevou sem parar. Tínhamos que ir de um prédio a outro no campus onde estávamos tendo o treinamento e, em menos de dez minutos a neve já tinha derretido pra dentro da minha bota, eu já não sentia direito as orelhas, os dedos, o nariz estava vermelho como um pimentão e os lábios ressecados.
A primeira vez que vi neve foi inesquecível. Estávamos andando em direção ao refeitório quando vi umas coisinhas minúsculas dançando e brilhando no ar. Durante a aula, eu não conseguia tiarar os olhos da janela, porque a neve não parava de cair e tudo estava ficando branco. Eu estava maravilhada. E assustada. Logo os caminhões vieram tirar a neve das ruas e estradas e a vida seguia normalmente, naquele frio anormal.
O frio dura muito tempo aqui. Teoricamente fevereiro é o último mês do inverno, que dá lugar à primavera. Mas só consegui abrir mão das jaquetas e casacos no fim de abril. Os dias ficaram malucos: chuva num instante e no outro o sol mais brilhante que já vi. As pessoas começaram a jardinar. Falando sério, nunca vi flores tão lindas, tão vivas! As árvores, antes mortas, sem nenhuma folhinha sequer, agora estavam cobertas de flores. E os carros amanheciam cobertos de uma coisa verde – que depois descobri ser pólen. E todo mundo parecia ter alergia, menos eu.
Em junho começamos a usar short, chinelo, filtro solar, ir às praias e piscinas. A alegria e animação era palpável. A temperatura subia um pouco, o sol dava o ar da graça e todo mundo já estava fora de casa, correndo, passeando com o cachorro, tomando sorvete ou lendo um livro no parque. Os fins de semana eram cheios de eventos ao ar livre, shows, feiras, festivais. Os dias eram longos, o sol nascia antes das 6 da manhã, com toda força, e o pôr do sol era às 8:30 da noite. Impressionante.
E enfim cheguei ao fim do ciclo: o outono, a tristeza antecipada pelo inverno. Mas é tão lindo! Árvores douradas, alaranjadas, vermelhas, amarelas... chão, carros, tudo coberto de folhas. Folhas, folhas e mais folhas! Chuva, ventos fortíssimos, temperaturas inacreditáveis e, acreditem se quiserem: neve. Hora de tirar as roupas do fundo das gavetas e do armário, hora de comprar mais luvas, cachecóis e meias. Hora de se preparar para mais de seis meses de frio. E compreender porque os americanos amam o (curto) verão.

(Ana Elisa)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Você é feliz?



E lá vamos nós de novo. Pensar sobre aquelas perguntas chatas, sem resposta, que nunca saem da nossa cabeça. A de hoje é: o que é a felicidade? Já li e conversei muito sobre esse assunto. Muita gente diz que felicidade completa não existe, que nós podemos ter momentos de alegria, de bem-estar, mas não somos felizes. Eu, por exemplo, nunca estou satisfeita com a vida. Tenho muitos sonhos e planos e, à medida que vou realizando o que quero, fico feliz, mas logo depois já quero mais. E o pior, muitas vezes eu não faço ideia do que seja esse mais. E daí vem a angústia, a crise. Sou uma pessoa dada a dramas, a grandes preocupações, a crises existenciais. Talvez se eu desocupasse minha mente de tanta baboseira, sobraria espaço pra mais felicidade. Se eu parasse de me preocupar tanto com um futuro incerto, houvesse mais satisfação com o que já é. Mas sempre me falta algo.
A gente acha que “quando eu tiver tal emprego vou ser feliz” ou “só vou ser feliz quando me casar...” “ai, mas um filho completaria tudo...” E como a gente deve se sentir no presente? O que faz você levantar da cama todos os dias? O que te dá vontade de viver? O que você enxerga quando pensa no futuro? Enfim, pra quê você vive? Acho que as pessoas foram feitas para serem felizes e, como todos dizem, a vida é tão curta, e só temos uma chance de usá-la bem.
Ás vezes penso que se eu morresse hoje me arrependeria de muita coisa que deixei de fazer, de pessoas que deixei de conversar, perguntar como vai, ou conhecer melhor, realmente se interessar por ela. Verdades que precisavam sair do peito, sentimentos que precisavam fluir, palavras que precisavam ser ditas ou escritas. Lugares que queria ter visto.
Então sou uma aprendiz, venho me ensinando essa pequena lição todos os dias, um dia de cada vez. Ser feliz, estar em paz, viver aqui e agora. Carpe Diem!