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Saturday, February 2, 2013

O Rio é tudo



Este é o primeiro "guest post", ou postagem de um convidado, aqui no Qualquer Dia Desses. É uma honra começar com a querida Maitê, companheira de várias viagens e passeios pela Europa, falando sobre sua cidade maravilhosa! 

"Antes de tudo, quero dizer que é um prazer e uma honra escrever no blog da Ana, uma grande amiga e uma mulher inspiradora.



Voltar para casa depois de morar fora do Brasil não é fácil. Eu sempre soube disso porque era uma opinião unânime (ou praticamente) entre as minhas amigas que retornaram. Até que chegou a minha vez. Então, eu tive a certeza de algo que sempre tocou meu coração: não existe lugar no mundo como o Rio de Janeiro.
É claro que eu tive o impacto esperado (leia-se, negativo), mas a cada manhã de sol que eu olhava para minhas duas cidades (nisso incluo Rio e Niterói – o outro lado da poça), eu sabia que estava exatamente onde deveria estar.
Eu lembro que quando estava em Roma (numa viaja feita com a Ana), na primeira vez que desci na estação de metrô e dei de cara com o Coliseu, enorme, imponente, milenar, pensei: que privilégio os romanos têm de contemplar esse monumento em sua rotina. Pensei o mesmo dos parisienses com a Torre Eiffel. E quando voltei para o Rio, vi que eu era tão privilegiada quanto eles, porque eu era carioca.
O Rio é deslumbrante por natureza e essência. É o Cristo (Redentor), o Pão de Açúcar, o Jardim Botânico, a Floresta da Tijuca e mais. É a favela, a Lapa, a cultura, os famosos que caminham naturalmente pela cidade e muito mais. É o carioca em si, que esbanja simpatia e falta de educação – acreditem, muitas vezes ao mesmo tempo! É o samba, a Bossa Nova, o pagode da esquina, as praias onde todos se encontram, independente de quanta grana tenham no bolso ou de quanta bobagem saia pela boca. É o calor indigno e as tempestades desastrosas de um fim de tarde. É a ponte Rio-Niterói e, de tão grande, é também o outro lado da poça, com o museu do Niemeyer e a melhor vista da cidade. É a baixada fluminense, o Funk e os milionários da Zona Sul que pagam pequenas fortunas para dançar o ritmo que toca na periferia. O Rio é tanto que consegue ser mais até que a violência (quase) insuportável, os preços absurdos, os serviços mal prestados, o descaso do governo e do povo. É o pôr do sol no Arpoador.
O Rio é tudo. Um resumo deste Brasil tão grande que não se define em poucas palavras."

Maitê é jornalista, viajante, Couchsurfer profissional. Confiram o blog Ano sem Verão e suas ótimas histórias!




Tuesday, January 29, 2013

Not all Brazilians are brainless dancing monkeys


They are on the radio and nightclubs all around the world. People who have no knowledge of Portuguese can sing them – and I have to explain for the zillionth time what the lyrics mean (or rather, their lack of meaning). Thanks to songs like “Ai, se eu te pego”, “Tche Tcherere”, “Eu quero tchu, eu quero tcha”, Brazilian people are coming across as stupid dancing monkeys. Again.

Stereotypes have always and will always exist. Every nation is well known for something. In our case it’s Carnaval, soccer, beaches, beautiful women, the rain forest. The good thing about stereotypes, though, is that they only last up to the first contact with reality. If you really know Brazil, you don’t think we’re a bunch of semi-naked people dancing samba on the beach all the time. Or that there are giant snakes and spiders on the streets. Or that we only listen to the above mentioned trash. 

I’m not an expert in music or marketing. I’m just a Brazilian girl living abroad who has to deal constantly with breaking stereotypes. “No, I can’t play soccer”. “No, I don’t live on the beach. Actually, it’s so far I only go once a year”. “No, I’m not wearing feathers and showing my boobs on Carnaval”. “Yes, I know that song and I hate it.”

It’s a pity that what is crossing the seas nowadays is not our best. Every country has truly great art and culture but also shitty stuff. Then why do those songs get stuck in people’s heads and spread like virus? Neuroscientists will explain.

I will just do my part by recommending Brazilian music I am proud of: Titãs, Cazuza, Seu Jorge, Caetano Veloso, Nando Reis, Jota Quest, Rita Lee, Djavan, Elis Regina, Zé Ramalho, Vanessa da Matta, Engenheiros do Havaí, Teatro Mágico, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte, Marcelo D2, O Rappa, Legião Urbana and so many others worth listening to.


P.S.: I will occasionally have my dancing monkey moments, I admit. I will dance along to pretty much anything when I'm drinking with friends at a club :)

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Thursday, May 24, 2012

Voltei ao Brasil. E agora?



     Estou em casa há sete semanas. Lógico que já me adaptei, pois vivi a maior parte da minha vida aqui e tudo é familiar. O que não significa que me conformei ou acomodei - com tanto tempo livre (férias, desemprego, transição de carreira?) o que mais tenho feito é refletir. Bate uns momentos de incerteza, desânimo, outros de tranquilidade e confiança que tudo vai dar certo.
     Dúvidas, insônia, dores de cabeça, então me pergunto: será que rodei o mundo e não aprendi nada? Continuo nesta busca de sabe-se lá o quê! Mas daí eu mesma me respondo: no dia em que eu chegar a uma resposta definitiva, a um estado de graça, não terei mais sonhos ou motivação.

     Decidi que ao invés de focar no que NÃO tenho feito (não tenho me dedicado à meditação e à escrita o quanto gostaria) e me sentir frustrada, vou parar um pouco e pensar nas pequenas coisas boas que tenho feito e descoberto:

 1- Família: na maior parte do tempo é cada um ocupado com seus afazeres e hobbies, mas há aqueles momentos em que de repente está todo mundo sentado em volta da mesa. Momentos assim são fantásticos! Assistir a um filme com os irmãos, cozinhar, ajudar uma prima a conseguir o primeiro emprego, deitar no colo da mãe, é disso que eu sentia falta.
  2- Comida: Tenho tentado manter a forma, mas a melhor comida do mundo é a brasileira e a melhor comida brasileira é a mineira, preciso dizer mais nada.
  3- Exercício: pra compensar o item acima, tenho caminhado/corrido no parque. Essa energia e motivação eu aprendi na Bélgica. Meu parque não é como o do Castelo de Gaasbeek, mas é ótimo pra pensar (escrevi metade deste texto lá).
   
           Saudável e em forma, bem alimentada de nutrientes e amor, passo os dias a estudar. Isso mesmo, eu estudo nas férias! Espero excelentes oportunidades de trabalho nos próximos meses e quero estar preparada.
 1- Comecei um curso de Pós-Graduação em Neuropsicologia Educacional (que nome chique!) e espero aprender muito. Fugi da pós em Língua Inglesa porque estou louca pra aprender algo novo, mas que enriqueça minha prática em educação. Além disso, me dei esses 14 meses de curso para me decidir e preparar para o passo seguinte.
 2- Francês e Holandês: não tenho vergonha de admitir que morei lá um ano e não fiquei fluente. Só por milagre, viu, porque as duas línguas me confundiram bastante. Meu francês não é perfeito mas sofreu uma melhora gritante. Meu holandês ainda é sofrível, mas não desisto. Devagar e sempre - uso livros, gramática, emails e chat com amigos, vídeos, notícias online, tudo o que for útil para a aprendizagem.
  3- Escolas, métodos, inovações em Ensino de Língua Inglesa: ano passado fiz um curso de TEFL (Teaching English as a Foreign Language) e tenho certificado para lecionar em vários países! Tenho ficado antenada aos diferentes métodos de ensino e novidades na área (turmas multinível, aulas via skype, telefone, etc).
 4- Empreendedorismo, marketing de rede, enriquecimento pessoal: é minha novidade pessoal. Tenho pavor a ficar estagnada, quero aprender e crescer. Foi a Quézia (ex colega da faculdade, inclusive uma das pioneiras das Au Pairs de Montes Claros) que me apresentou a empresa e o conceito, que me interessou muito. Vou fazer o treinamento de vendas da Up! Essências e logo estarei no time de representantes. Se dará certo ou não, se terei sucesso no ramo, só há um jeito de saber! Depende também do ponto de vista: aprender habilidades novas e conhecer pessoas já valerá a pena.

Na empolgação, já li dois livros:
a)      Rich Dad, Poor Dad (Pai Rico, Pai Pobre) de Robert Kyiosaki. Sua principal lição é não trabalhar por dinheiro e sim deixar o dinheiro trabalhar por você (se você possui um negócio que não requer tanto sua presença por exemplo). Ele recomenda ao jovem começar a buscar empregos mais pelo quanto vai aprender do que pelo que vai ganhar; fazer cursos, seminários, palestras que vão te ajudar a crescer no negócio e se rodear de pessoas inteligentes. Você deve também se inspirar nos seus heróis e pensar grande.
b)      A menina do vale, de Bel Pesce. Conheci a história da Bel enquanto lia o site Pequenas Empresas, Grandes Negócios. Pensei “Oba! Ebook grátis!” e antes de eu terminar de ler, todo mundo só falava nela. Menina porreta, essa! A história dela em si já é inspiradora e o livro dá dicas de sucesso no mundo empreendedor. O que mais marcou sua fala, para mim, foi a importância de haver paixão pelo que se faz e acredita, trabalho duro e em equipe, flexibilidade e humildade para se ver os erros e consertá-los a tempo.


     Tudo o que leio eu tento filtrar e transferir para minha realidade. Estou de mente aberta à procura de boas ideias. Por exemplo: como inovar no ensino de inglês? O que os alunos querem ou precisam? O que não funciona e precisa mudar? Sobre o quê as pessoas querem ler? Como posso desenvolver minha escrita para tocar mais a vida das pessoas?

     Me veio uma explosão de inspiração, percebi que nem escrevi sobre a última viagem (Valência) e ainda quero refletir mais sobre alguns dos assuntos acima, sobre o que aprendi sendo Au Pair e ainda tirar uns continhos do rascunho, mas já escrevi bastante e agradeço aos pacientes leitores que me dão apoio até hoje! Deixem comentários e ideias abaixo, please – por favor – s’il vous plait – alstublieft!

Monday, October 4, 2010

A política no Brasil é literalmente uma sujeira e uma palhaçada (sem ofensa aos palhaços).

Wednesday, September 22, 2010

“Um homem nunca se banha no mesmo rio duas vezes. Na segunda, já não é o mesmo homem, nem o mesmo rio”.
Foi com esta frase em mente que me preparei pra voltar ao Brasil. Meu medo era estar dando um passo pra trás, regredindo – voltando a morar com os pais, trabalhando na mesma escola, na mesma profissão que me deixava tão insatisfeita. Porém a ideia contida nessa frase é tão verdadeira e me fez compreender que apesar de estar voltando ao mesmo lugar, ao mesmo trabalho, às mesmas pessoas que deixei... eu não sou mais a mesma, e a forma como vou lidar com minha velha-nova vida é que vai determinar meu progresso e minha felicidade.
Mas enfim, já estou aqui há um mês e foi tempo suficiente pra muita observação, muito pensar (razão das minhas dores de cabeça quase diárias) e sim, já tenho vontade de botar o pé na estrada novamente.
Primeiro pensamento ao me aproximar do sertão mineiro: “Estou em casa!” Seguido de “O quê que eu tô fazendo aqui?” Não me entendam mal, estou feliz por estar em casa, com minha família e amigos. Mas poxa vida, como está seco, sujo e feio aqui. Eu até sentia o gosto da poeira na minha boca. Isso mesmo: gosto de poeira!
Em segundo lugar, tive que desacelerar meu ritmo e me acostumar a não ter as coisas e lugares que eu gostava lá, assim como as pessoas e atividades que fazíamos. Mas isso está sendo remediado pelos fins de semana em família e pelos novos projetos.
Até hoje estranho como as ruas são estreitas, às vezes falo coisas em inglês sem querer e nunca vou me readaptar a essa sensação de insegurança e medo. Interessante como me senti mais confortável e segura vivendo em outro país, sozinha do que no meu próprio.
De vez em quando tenho a sensação de que estive dormindo esse tempo todo, tendo um sonho bom, e que agora acordei, como se eu nunca tivesse saído daqui. Mas as lembranças, amigos, e pricipalmente o aprendizado, a força e a coragem que adquiri não me deixam esquecer que essa experiência me transformou. Não sou a mesma pessoa e não me banho no mesmo rio.
(Ana Elisa)

Thursday, February 4, 2010

SAUDADE!

Da comida da minha mãe, e de vê-la pra lá e pra cá na cozinha pequena da nossa casa, cozinhando, lavando, mandando a gente sair.
Das risadas do meu pai vendo televisão sozinho na sala de baixo. Dele subindo as escadas pra pegar mais peito de frango grelhado ou queijo assado com alho.
De deitar espremida com mãe na minha cama, vendo televisão.
De Yara reclamando de tédio.
De comer miojo com Hiram no sofá do apartamento.
De gritar Tia Mena pela janela.
De atacar a geladeira dela.
De sentar do lado de fora de casa observando as nuvens de chuva ou o pôr-do-sol.
De assistir Lost e Harry Potter com Hiram e Yara um milhão de vezes nas férias.
De ver todo mundo ajudando no almoço de domingo.
De ver mãe bordando vestidos de noiva por horas.
Das palhaçadas de Laís e do pavio curto de Nina.

(Ana Elisa - inacabado...)