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Sunday, September 23, 2012

Sapus brejeirus




            Sapo é um animal vertebrado da classe dos anfíbios, pertencente à ordem dos batráquios ou anuros (sem cauda no estágio adulto). Variam de dois a 25cm de altura, apresentam corpo abrutalhado e pele coberta de verrugas. Os indivíduos adultos são pardo-escuros, às vezes com manchas. O mais característico dos sapos brasileiros é o sapo-cururu (Bufo marinus), útil ao homem, pois devora insetos que infestam as plantações. Absorvem através da pele produtos químicos da água e do solo e são por isso considerados excelentes indicadores ecológicos da saúde do ambiente.
            Alguns representantes da espécie são célebres, como aquele que foi beijado por uma linda princesa e logo se transformou em um jovem príncipe. E, como num bom conto de fadas, é claro que sua historia terminou com um “e foram felizes para sempre...”.
            E tem também um “muso inspirador” de canções populares: “O sapo não lava o pé, não lava porque não quer, ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer, mas que chulé!” Se bem que levar essa fama não deve ser muito agradável. Hoje ninguém sabe se ele ainda mora naquela lagoa ou se seu problema foi resolvido.
            Porém, a espécie mais intrigante e peculiar é a recém descoberta Sapus brejeirus, cujo habitat natural é uma pequena cidade ao norte do estado de Minas Gerais, Brasil. Os brejeiros levam uma vida pacata de interior, vendo a vida passar num ritmo lento e gostoso. Para ajudar a passar o tempo, eles costumam se ocupar da vida alheia, mas geralmente são inofensivos. É uma espécie dócil e amigável, acolhe com hospitalidade indivíduos de outras espécies e regiões.
            Os brejeiros também migram periodicamente. Alguns se adaptam bem a outros climas, outros não. Uns até tentam disfarçar e negar sua raça, mas todos um dia voltam a seu habitat natural.
            Um costume típico desta espécie foi relatado pelos observadores e denominado Farras constantes. É quando muitos Sapus brejeirus se agrupam em um determinado local, produzem um barulho ensurdecedor e se movem de um jeito estranho. As relações sociais são intensas, principalmente entre sexos opostos. Muitos gostam de beber um tipo de destilado ou fermentado.
            Por fim, cientistas observaram nesta bizarra espécie um mecanismo apurado de defesa e, por que não dizer, fraternidade: os brejeiros podem falar mal à vontade de seu habitat natural, mas se algum estranho se atreve... Viram Feras!

(Ana Elisa Miranda - 2007)


            

Monday, May 28, 2012

Bote um livro pra circular!

"Olá!
Este livro não te pertence. A pessoa que te entregou acha que você gostaria de lê-lo. Caso não se interesse, passe adiante. O importante é não deixá-lo parado. Caso decida lê-lo, conte à autora o que achou e de onde é! Se você ama ler e compartilhar coisas boas, entre na brincadeira e bote um livro pra circular. @anaelisasm ou anaelisasm@gmail.com"

Mensagem escrita num exemplar de Qualquer dia Desses, que despachei pra dar uma voltinha ;) A ideia não é minha - li em algum lugar na internet e achei interessante, pois compartilho da filosofia de que livro não foi feito pra acumular poeira na estante. Portanto, vamos emprestar nossos livros, gente!

Sunday, November 27, 2011

That Sunday



                It’s already 11:30am and I’m still in bed. Half of the day went by and the only thing I did was sleep. I feel I’m wasting time. But anyways, it’s Sunday and what is there to do in this town? I roll over to my side, pull the blankets over my head and close my eyes. It`s impossible to fall asleep again, because I`ve slept enough. Damn! The sun is coming in my room through the blinds and the sound of kids playing on the street is bothering me. It must be a beautiful day and here I am, going against the joy and excitement that comes with vacations.
                I manage to drag myself out of bed, splash some cold water on my face and go to the kitchen to eat something. Breakfast is my favorite meal, especially at grandma`s house. She had made cake, cheese bread, cookies. And there`s always fresh coffee. After that, who knows what time I`ll have lunch. And who cares?
                I have the tv remote in my hands when my cell phone rings. It`s one of my old school classmates. I hesitate about answering for a moment, because I don`t know what to expect from her and what excuse to give in case she has some boring or weird invitation. Finally, I force a smile, take a deep breath and pick up the phone. Leticia was always in a good mood, loved going out but also got in trouble sometimes.
“Hello?!” I say, still hesitating.
“Mari! Hi, how are you?”
“Good.” Lie.
“Long time, girl!”
“Yeah…” I don`t remember the last time I saw her, and honestly I don`t care.
“Listen, some of my friends are going to Dani`s grandpa`s ranch, to the waterfall, so I thought of calling you, you`re staying home alone all the time…”
“I don`t know…” It could be fun, but I smelled trouble in the air.
“Don`t worry, we`ll go in two cars. Just meet us in front of the elementary school in half an hour, ok? See ya’!” And with that she hangs up on me.
I think it`s nothing much, maybe I should put my worries on the side for a while, have some fun, see old friends again. Without thinking much I put some stuff in my backpack: bathing suit, towel, fruit, cookies, water; tell grandma and walk to the school. The town looks the same as it did on my childhood- the houses, the stores, the squares. But I don`t recognize most of the people, although they know exactly who I am.
I get to the school and everybody is already in the first car. Everybody but Gabriel, who is leaning against the second car. I never liked that guy. Actually, I had never talked to him. We were classmates for eight years. He always sat way on the back of the class and I sat on the first row. Eight years and I never noticed how cute he is.
“Mari, I`m glad you came!” Says Leticia, forcing me to take my eyes off his. “We were waiting for Julie, but she just called saying she is not coming. Our car is full, so you go with Gabriel, ok?” And off they go to the ranch.
I never know what to say in this kind of situation - when I don`t know a person well, when I`m left alone with this person, when I was taken with a sudden attraction for this person and to make it worse I haven`t had many conversations lately. I could have lost my voice and not noticed.
He gestures towards the car and I get in quickly, without a word. We don`t say anything for the next fifteen minutes. It was more than awkward when we heard a noise and the car started having problems.
“What was that?”
“Don`t know. We`ll have to stop and check.”
“Oh, great!”
“It`ll help more if you don`t complain. I`ll check the engine, you pay attention, if someone comes, ask for help.”
“I`m not complaining. And honestly I don`t think someone is going to come in the middle of nowhere.”
Sometimes I hate myself. And now is a good example. Why do I have to be so stupid? Why scare all guys only because an idiot left me? An idiot that I loved so much… But I know I have to forget. I try to think about something to start a conversation, but nothing comes to my mind. It can`t be the car, because I know nothing about cars. And that`s when he saves me.
“What a progress for a school newspaper editor, uh? Working on Ella magazine. Congratulations!”
“It`s just an internship. I`ll graduate in the end of the year. How about you?”
“Engineering. I still have one year to go.”
And so we talk for hours, with him poking the engine and me sitting on the edge of the road, chattering like a fool. We talk and talk and we know almost everything about our lives when he says we can go. I didn`t notice he was done because I was so distracted taking mental notes about what he likes to do, about his family and the classes he hates.
Talking for the rest of the drive, I don`t even see time passing. I don`t notice the pastures, so green this time of the year, the cows, the water streams. We get to the waterfall and everybody is swimming, laughing out loud, and drinking beer. We are all surprised when I sit on a rock under the mango tree and he sits by my side and puts his hand on mine.

(From the book Qualquer dia desses, originally written in Portuguese.)

Saturday, October 8, 2011

Doce Infância




            Eu não quero mudar de quarto. Não quero um quarto novo só meu. Quero dormir com a mamãe! O quarto novo é escuro e tem bicho debaixo da cama. Não consigo dormir sozinho no escuro com um bicho embaixo da minha cama! Por que o neném pode dormir com a mamãe e eu não?
*
            “O horário comum é diferente do horário de verão. O sol acorda cedo. Chegou o horário de verão. No horário de verão nós temos que acordar mais cedo.”
*
            Mamãe deixou eu dormir na camona dela essa noite, mas quando acordei eu estava na minha caminha... Aposto que foi o João Bobão que me pegou de lá (João Bobão é o bicho que mora embaixo da minha cama, por isso eu sempre vou depressa e dou um pulo em cima da cama pra ele não me puxar pelo pé. Mamãe diz que não tem bicho nenhum lá, mas à noite eu escuto ele fazendo barulho).
            Papai me levou pra um lugar chamado escola e me deixou sozinho lá. Tinha um monte de criança lá, mas eu queria ir brincar na casa do meu primo Guto. Ele me disse que agora eu vou ter que ir todo dia lá pra tal de escola. Não sei por que. Vou perder meus desenhos da TV. Mas eu não chorei, porque papai disse que meninos não choram. Então o neném deve ser menina...
*
            “O carneirinho se chama Memé. Memé pula...pula...Um dia Memé estava pulando e caiu na tinta preta. Quando Memé chegou perto de Pedro, Pedro falou: De onde surgiu esse carneirinho preto? Sabe por que ele falou isso? Porque Memé era branquinho... branquinho... ”
*
             O bebê é engraçado. Tem só dois dentinhos. Ontem ele mordeu minha mão e doeu muito. Eu ia morder ele também. Mas papai não deixou. O João Bobão agora é meu amigo e vai pra escola comigo. Lá é até legal porque a gente faz coisas interessantes, mas eu não gosto de ir pra lá todo dia não.
*
           “É primavera. O dia está bonito. O céu azul e o sol a brilhar. Os pássaros cantam, as borboletas voam. As flores ficam bonitas. As árvores verdes e floridas. Abelhinhas voam pra lá e pra cá é a primavera que acabou de chegar.”

(Do livro "Qualquer Dia Desses", por Ana Elisa Miranda)

Tuesday, May 31, 2011

One of these days

This is a text I wrote some time ago, and it turned to be the name of this blog and my recently published book. I decided to translate it, so that my non portuguese-speaking friends could read it as well. I have my own critics about the style and quality of writing (as well as the translation), since I changed and learned a lot in all this time, but it's a passionate text. Leave your comments below! 
One of these days I’ll leave. I’ll walk around, kicking stones on the street and ask “What? Is there a problem?” I’ll walk down the streets and won’t smile to anyone; no good evening, good morning, no hello-how-are-you-fine-thanks. Because nothing will be fine when I walk around like this. One of these days I’ll yell at you, I’ll tell you to go fuck yourself, because sometimes it feels good. One of these days I’ll walk in the middle of the street, not worried about cars, they’ll turn away from me! It’ll start to rain and I’m not going to hide; I’ll sing all night long until you come and embrace me, because sometimes it feels good, alright?
      One of these days I’ll leave, knock on your door and take you with me. We’ll go away from here and will never come back. Or will, if we want to. Come on, hurry up! The ship is waiting and the moon is full. One day I’ll stop the clock of life and all the time of the world will be ours. Don’t worry, there won’t be work, boss, deadlines, phones, family, neighbors. One of these days it’ll be only the two of us. Me and you. You and me. If it’s only me, it doesn’t work. So get ready, because one of these days I’ll take you with me. There will be no other way, you’ll be mine forever. One of these days.
    One of these days I’ll leave and take a bus. I’ll cry and laugh at the same time and it’s none of nobody’s business! I’ll stop somewhere I’ve never been or seen, but that I’m sure it’s my place. And I’ll be alone, because that place is mine and mine only. I’ll paint my lips and nails red, to match the wine. I’ll go out and watch the sun rise inside of me. The view is so beautiful from up here! But you won’t be with me, because you were afraid.
    One day… maybe tomorrow… or the day after… I’ll eat a pot of ice cream by myself, thinking about you. I’ll explode and in every corner there will be a little piece of me. Looking for you. It will be easier, right? One of these days, you’ll leave and never come back. Because you found me. One of these days… not today. 

(Ana Elisa Miranda)

Wednesday, March 30, 2011

Shaken lives

It was a nice Friday night. Natália was exhausted but she couldn’t let her best friend down on her birthday. Jennifer was hosting a dinner party at her house, only for close friends. She would go, stay a couple of hours, find an excuse and go home.
She had already bought her friend a gift, but stopped on the way to get a bottle of wine as well. It was her 29th; they only wanted to have a pleasant and relaxing evening, saving the crazy celebrations for next year. She rings the bell and Jennifer opens the door, looking very excited.
“Happy Birthday! You look fabulous!” Natália said, handing the wine and the gift to Jennifer.
“Thanks. God, you look so tired!” Jennifer has never been a subtle person.
“Well, you know, long hours at the bank, Pablito’s been sick, uncle Tony is visiting… too much going on.”
“Let’s have some fun, then. Forget about all that for a night.”
They ate dinner, drank, laughed, drank, danced and drank some more. It was later than Natalia was planning to stay and she drank more than she should, so she called a taxi and went home.
***
Carlos came home from the funeral of a little girl who had drowned in the pool club. The family was devastated and so was he. He was too used to his job to get emotional or attached to people’s stories and family tragedies, but a little girl dying like that was… wrong.
He thought about his grandson all day. Same age as the little lifeless body he was forced to handle. When he learned his daughter was pregnant he got furious at her, but after the baby was born Carlos simply fell in love with him. Pablito and Natália were the most precious things in his life.
Every night he sat on Pablito’s bed, watching him sleep. There was an irrational fear that they were going to lose him. As Carlos watched him, he woke up crying, saying he had a nightmare.
“And a big monster ate the house…” 
“Shh, shh, it’s ok, it was just a dream, papa is here.”
“Stay here!?”
“I’m not going anywhere. You’re safe.”
“Mama…”
“Mama will be home soon. We’ll all have breakfast together. Does that sound good?”
“Mmm hum…”
“Ok, now back to bed. Good night, boy.”
“Good night papa.”
When he left Pablito’s room, his brother had fallen asleep on the living room couch, with the newspaper on his lap. He tried to wake him up, but he was very deep asleep, so he just put a blanket over him and went to the kitchen to make himself a cup of tea.
***
Antonio hasn’t had vacations for years. Although he was now almost 70 years old, he enjoyed being active in his faith. He went on missions in poor countries, helped the needed communities near Santiago, taught English and soccer to the children in his parish. He had been very busy his whole life as a priest. But now it was time to rest. And see his family.
His only brother lived in Concepción with his daughter and grandson. They spoke often on the phone, but rarely visited each other. They got along well. For Antonio it didn’t really matter that his brother was an atheist and his niece a single mother. When he met the boy, he was delighted. Pablito was such a sweet and funny child! Natália was doing a great job as a mother – working hard at the bank, but spending all the time she could with her son, playing with him, teaching him, taking him to parks. Carlos also helped a lot and you could see he was proud of his family.
It had been a great week, but also tiring. It was Friday, the babysitter called early in the morning saying she was sick and Antonio insisted he could take care of the boy. Natália was worried and called a dozen times that day to make sure Pablito had his medicine, his nap, his bath. Uncle Tony was surprised at his own ability to handle the boy. As he was feeling better, they played cars, kicked a ball around the backyard, finger painted a picture of mommy. By the end of the day, Carlos came home acting weird and too quiet and put Pablito to bed. Antônio was so exhausted that he fell asleep on the couch.
***
Natália struggled to find the keys in her purse, took her shoes off, opened the door and walked in quietly (or so she thought). The house was all dark except for her son’s nightlight and before reaching her room she bumped into the coffee table and knocked off a picture frame from the shelf. Everybody was sleeping (Uncle Tony on the couch). It was 2am. She took a shower, brushed her teeth (ingrained habits she would never get rid of, no matter how wasted she was) and collapsed on her bed.
She thought she was having a nightmare or the worst hangover she ever had. The room was shaking so hard, the furniture was falling, and she heard so many different noises it was hard to identify. Screams, alarms, things falling and breaking. Her maternal instinct immediately flooded her and she was feeling awake and protective. She ran to her son’s room, he was crying at the top of his lungs, but at first she couldn’t see him. There was a lot of dust in the air; pieces of their roof were falling. As she got closer she saw his bed had been turned over and Pablito was sitting on the floor, a thin line of blood running down his face.
“Come here baby, mama is here, everything is ok.” Natália said as she scooped him up the floor and went looking for her father and uncle.
The earthquake lasted about one minute. Her house was still standing, but pieces of the roof were falling. She found her dad in the living room, trying to lift a shelf, but it took a moment for her to understand why – her uncle was under it.
“Get out of here! Quick! Take Pablito out of the house!”
“Is Uncle Tony ok?”
“I don`t know. Go get me help.”
“You have to get out of the house, it`s going to collapse!”
As she ran out to the street, chaos was taking place. It was dark, houses were collapsing, and people were crying, screaming and looking for their relatives. She was trying to find someone to help her dad, but all her neighbors were too busy.
“Help me please! My uncle is trapped under a bookshelf!” Someone had finally stopped to listen to her.
“Is that your house?” The man said, pointing at the yellow house on the corner. As she turned, she saw half of her house falling, all bricks and roof pieces.
“My dad and my uncle are in there! Please help me!”
“It`s too dangerous!”
“Please! They`re my only family!”
“Ok, you stay here, I`ll get some help.”
She waited, holding her son in her arms, while the men went into her house. She waited, and waited… praying that her father and uncle would be alive. Finally they came out of the mess that used to be her house. The two men that went in to help, and her father. She met Carlos eyes and she knew her uncle hadn`t made it. They hugged and cried silently for a moment.
***
Carlos had seen hundreds of funerals in his life, but he was never truly prepared to say goodbye to his loved ones. His father, in the biggest earthquake in history, that shook Chile in 1960; his mother, who lost her war against cancer; his wife, a few days after Natália was born. And now his only brother, a survivor, like him. Two quakes came and took a member of his family. And twice he survived. Something was starting to shake inside him.
For the next few days, there were several smaller quakes and people were spending the night on the streets or in the cars. Every day the number of deaths increased, there was no running water, no power, no food. The airports were closed, the roads cracked and some highways and bridges had broken and fallen down.
Natália, Carlos and Pablito were staying in a friend’s house.
“(…) one of the worst tragedies in the last 50 years. Chile is in state of catastrophe.” Natália saw President Michelle Bachelet saying on tv.
“What are we going to do, dad?”
“We start over, kid. That`s what we do. We start over.”

(Ana Elisa Miranda)

Thursday, December 30, 2010

Meus 15 minutos de fama

Já dizia Andy Warhol: “No futuro todos serão famosos por 15 minutos.”





No dia 23 de dezembro reuni na minha cidade natal amigos e familiares queridos para compartilhar a alegria de um momento tão importante e especial em minha vida – o lançamento do meu primeiro livro.

Obrigada àqueles que estiveram presentes e também àqueles que, mesmo não podendo ir, enviaram energia positiva J Agradeço também o apoio incondicional e constante da minha família, em especial meus pais; Nando e Du pela decoração; tia Gera e equipe pelo buffet e mais uma vez, a Brunno, por tudo. Um agradecimento especial ao Bethel Liliane Xavier Oliveira da Ordem Internacional das Filhas de Jó pela homenagem surpresa (ninguém entendeu porque Laís me chamava de Tia haha) e pelo lindo buquê.






Pra fechar a noite, a participação do Trio Jota Sá -  envio meu abraço à linda e talentosa Juliana Gorayeb e desejo toneladas de sucesso J


Em Montes Claros estivemos na Livraria Nobel e foi uma noite super tranquila a agradável. Obrigada a todos os colegas, ex-colegas, alunos, ex-alunos, amigos e familiares. Um beijinho especial para Bernardo e Larinha que fizeram muita gente babar hehe :) 

Enquanto isso... umas historinhas em off:

Sou Phyna #1: entrevista na rádio! (tudo bem, Rádio Raízes, mas vale né?!)

Sou Phyna #2: anúncio do lançamento na TV (nem sabia que ia passar e estava assistindo, imagina minha cara de idiota kkk)

Sou Phyna #3: Igor, 8 anos, grampeando folhas e desenhando na frete.
Mãe: “O que você está fazendo, Igor?”
Igor: “Vou escrever um livro, igual Ana Elisa!”

Sou Phyna #4: dei meu primeiro autógrafo! (assinei e dediquei um monte, pra conhecidos, mas esse foi do nada, tão espontâneo! Ok, estou na Nobel e o vendedor mostra meu livro a uma garotinha, converso com ela e o pai, saio da livraria e ela vem atrás porque decidiu comprar e queria que eu assinasse! Imagina minha cara de idiota2)

Qualquer dia desses... eu planto uma árvore e tenho um filho.


Wednesday, December 15, 2010

Lançamento


“Qualquer dia desses… eu escrevo um livro. Não será o próximo Harry Potter ou Crepúsculo, mas será o meu livro! E terei meus próprios leitores, imaginem só! E terei minha obra nas livrarias, bibliotecas, e mesinhas de cabeceira. Não serei uma imortal como o Machado de Assis, nem famosa como o Paulo Coelho, mas minhas palavras entrarão na imaginação das pessoas.
Sonhava que qualquer dia desses eu seria capaz de despertar talvez a mesma curiosidade que sinto ao escolher um novo livro da estante, a mesma emoção ao decodificar seus mistérios, o mesmo entusiasmo ao recomendá-lo a um amigo.
E este dia chegou.”

É com grande alegria que venho convidá-lo para o lançamento do meu primeiro livro, Qualquer dia desses, que se realizará nos dias:

23 de dezembro de 2010 às 20h na  Loja Maçônica Luzes da Fraternidade e Justiça, em Francisco Sá – MG.

28 de dezembro de 2010 às 20h na livraria Nobel, Montes Claros Shopping.

                                                    

Com os cordiais cumprimentos e aguardando sua presença no evento,
Ana Elisa Silveira Miranda

Friday, December 3, 2010

Perda


Sabia que seria a última vez que olharia em seus olhos. Ele foi meu amor. Ele foi minha vida. Nós tivemos o que a maioria das pessoas passam a vida inteira procurando – amor de verdade, felicidade, companherismo incondicional e confiança. Estivemos  juntos por vinte e sete anos e lá eu estava, sentada ao lado da cama, segurando sua mão e olhando aqueles doces olhos castanhos. Não conversamos. Não precisava. Ambos sabíamos o que estava para acontecer.
Os problemas renais dele vinham ficando piores desde o ano anterior. Os médicos disseram que ele precisava de um transplante. Nenhum de seus três filhos era compatível. Sua esposa, vivendo num mundo de fantasia, nem sabia o que estava acontecendo. Então, veio como uma piada; meus exames mostraram que eu poderia ser a doadora. Eu, a amante, a intrusa. Irônico.
Ele nunca me prometeu nada. E eu estava perfeitamente feliz daquele jeito. Por um lado, eu tinha mais que ela. Ele não podia se separar, não com a doença tomando conta da sanidade e saúde dela tão rápido. Ele era um homem bom. E eu tinha seu amor, atenção, seu tempo. Tudo estava bem. Por vinte e sete anos, lidamos com tudo – a família dele, a minha, o julgamento da sociedade. Mas estávamos bem.
Nunca o deixei durante o tratamento. Quando soube que eu poderia ser a doadora, não hesitei. Fizemos a cirurgia e dei um pedaço de mim a  ele. Parecia tão natural, a coisa certa a fazer. Me recuperei muito rápido, mas ele teve complicações. Fizeram tudo o que podiam, mas ele não melhorava. Ele lutou pela vida por mais de um mês, mas todos sabiam que seria inevitável.
Não fui ao funeral. Sofri sozinha olhando para as flores desabrochando no nosso parque favorito. Por um momento, me senti perdida. A vida como eu a conhecia tinha acabado. Eu escolhi viver longe da minha família e perto dele. Não tive filhos. Estava sozinha. No entanto, depois de tanto tempo, aprendi muito com ele. E é isso que vai me levar adiante. Ele me ensinou a não me preocupar com o amanhã, porque se preocupar com o hoje era o bastante; e a não permitir que minha felicidade dependa de algo ou alguém. Com ele, encontrei alegria dentro de mim.  Estava feliz por termos tanta história, por ter feito tudo o que pude para ajudá-lo e por ter acabado. Ele não sofria mais. Nem eu. 

Ana Elisa Miranda

Texto inédito :) Não está no livro Qualquer dia desses (Lançamento dia 23 de dezembro na Loja Maçônica Luzes da Fraternidade e Justiça às 20h)

Wednesday, November 24, 2010

Lançamento

Galera!
Hoje tenho notícia boa pra contar: fiz o pedido do livro! Agora é só esperar ficar pronto. O prazo é 17 de dezembro. Estamos pensando em boas datas para lançamento (em Francisco Sá e Montes Claros). A ideia inicial para Francisco Sá é 22 de dezembro, quarta. (quer melhor presente de Natal?! hehe). O que acham?

Para compra e informações liguem (38) 9144 3046 ou envie email para qualquerdiadesses1@yahoo.com.br

Obrigada!

Sunday, November 14, 2010

Qualquer dia desses... eu publico meu livro!

Publicar um livro é uma gestação. Está pronto há meses mas como nem tudo depende de mim, ainda estamos em processo. Foi assim: Brunno deu a ideia e me ofereceu ajuda. Revisei os textos antigos e escrevi novos. A tia dele revisou. O Khalil fez a capa pra mim. Procurei a Editora Unimontes. Passei o material pro diagramador e, semana vai semana vem, ajusta aqui, ajusta ali recebi pela primeira vez o meu livro (a boneca, primeiro exemplar ainda precisando de ajustes). Não consigo descrever o que senti no momento. Depois fizemos a ficha catalográfica e pedido de registro - ISBN - que não chegou até hoje e é só que estamos esperando pra imprimir! Qualquer dia desses.... haha :)

Porém, desde já agradeço o apoio de todos e convido-os para o coquetel de lançamento, com data e local ainda a ser confirmado. Conto com a presença de vcs!

Sunday, October 17, 2010

Livro Qualquer Dia Desses

Pessoal, quero agradecer a vocês pelo apoio que tenho recebido e dizer que estou muito feliz com a iminente publicação do livro Qualquer dia desses.
Estamos na fase de diagramação (está ficando bonitinho, hehe) e logo será registrado e poderá ser impresso (ebaaaa!)
Assim que marcar as datas e locais de lançamento eu aviso (Francisco Sá e Montes Claros). Conto com a presença de todos, hein?!

Monday, April 5, 2010

Loss

I knew it would be the last time I’d ever stare into his eyes. He was my love. He was my life. We had what most people spend their whole life looking for- true love, happiness, unconditional companionship and trust. We had been together for twenty seven years and there I was, sitting by his bed, holding his hand and looking into his sweet brown eyes. We didn’t talk. There was no need. We both knew what was going to happen.
His kidney problems had been getting worse this past year. The doctors said he needed a transplant. None of his three sons was compatible. His wife, living in her world of fantasy, didn’t even know what was going on. Then, it happened as a joke; my blood tests showed I could be his donor. I, the lover, the family intruder. Ironic.
He never promised me anything. And I was perfectly happy the way it was. In a way, I had more than her. He couldn’t divorce her, not with her disease taking away her sanity and health so fast. He was a good man. And I had his love, his attention, his time. Everything was just fine. For twenty seven years, we coped with everything- his family, my family, society’s judgment. But we were fine.
I never left his side during his treatment. And when I learned I could be his donor I didn’t hesitate. We had surgery and I gave him a piece of me. It felt so natural, the right thing to do. I recovered really fast, but he had some complications. They did everything that could be done, but he wouldn’t get any better. He struggled for life for more than a month and everyone already knew the inevitable.
I didn’t go to the funeral. I mourned alone staring at the blooming flowers in our favorite park. For a moment I felt lost. Life as I knew was over. I chose to live far from my family and close to him. I didn’t have kids. I was lonely. However, after so much time I learned a lot with him. And that’s what’s going to keep me moving. He taught me not to worry about tomorrow, because it’s enough to worry about today; And not to let my happiness depend on anyone or anything. With him, I found joy inside of me. I was glad that we have so much history, I was glad I could do what I did to help him and I was glad it was over. He was not suffering anymore. And neither was I.

(Ana Elisa)

Friday, October 23, 2009

A quarta estação

Saí do aeroporto e podia ver minha respiração e a de todos em volta. Havia blocos de gelo pelo chão e no dia seguinte nevou sem parar. Tínhamos que ir de um prédio a outro no campus onde estávamos tendo o treinamento e, em menos de dez minutos a neve já tinha derretido pra dentro da minha bota, eu já não sentia direito as orelhas, os dedos, o nariz estava vermelho como um pimentão e os lábios ressecados.
A primeira vez que vi neve foi inesquecível. Estávamos andando em direção ao refeitório quando vi umas coisinhas minúsculas dançando e brilhando no ar. Durante a aula, eu não conseguia tiarar os olhos da janela, porque a neve não parava de cair e tudo estava ficando branco. Eu estava maravilhada. E assustada. Logo os caminhões vieram tirar a neve das ruas e estradas e a vida seguia normalmente, naquele frio anormal.
O frio dura muito tempo aqui. Teoricamente fevereiro é o último mês do inverno, que dá lugar à primavera. Mas só consegui abrir mão das jaquetas e casacos no fim de abril. Os dias ficaram malucos: chuva num instante e no outro o sol mais brilhante que já vi. As pessoas começaram a jardinar. Falando sério, nunca vi flores tão lindas, tão vivas! As árvores, antes mortas, sem nenhuma folhinha sequer, agora estavam cobertas de flores. E os carros amanheciam cobertos de uma coisa verde – que depois descobri ser pólen. E todo mundo parecia ter alergia, menos eu.
Em junho começamos a usar short, chinelo, filtro solar, ir às praias e piscinas. A alegria e animação era palpável. A temperatura subia um pouco, o sol dava o ar da graça e todo mundo já estava fora de casa, correndo, passeando com o cachorro, tomando sorvete ou lendo um livro no parque. Os fins de semana eram cheios de eventos ao ar livre, shows, feiras, festivais. Os dias eram longos, o sol nascia antes das 6 da manhã, com toda força, e o pôr do sol era às 8:30 da noite. Impressionante.
E enfim cheguei ao fim do ciclo: o outono, a tristeza antecipada pelo inverno. Mas é tão lindo! Árvores douradas, alaranjadas, vermelhas, amarelas... chão, carros, tudo coberto de folhas. Folhas, folhas e mais folhas! Chuva, ventos fortíssimos, temperaturas inacreditáveis e, acreditem se quiserem: neve. Hora de tirar as roupas do fundo das gavetas e do armário, hora de comprar mais luvas, cachecóis e meias. Hora de se preparar para mais de seis meses de frio. E compreender porque os americanos amam o (curto) verão.

(Ana Elisa)

Tuesday, September 22, 2009

Você é feliz?



E lá vamos nós de novo. Pensar sobre aquelas perguntas chatas, sem resposta, que nunca saem da nossa cabeça. A de hoje é: o que é a felicidade? Já li e conversei muito sobre esse assunto. Muita gente diz que felicidade completa não existe, que nós podemos ter momentos de alegria, de bem-estar, mas não somos felizes. Eu, por exemplo, nunca estou satisfeita com a vida. Tenho muitos sonhos e planos e, à medida que vou realizando o que quero, fico feliz, mas logo depois já quero mais. E o pior, muitas vezes eu não faço ideia do que seja esse mais. E daí vem a angústia, a crise. Sou uma pessoa dada a dramas, a grandes preocupações, a crises existenciais. Talvez se eu desocupasse minha mente de tanta baboseira, sobraria espaço pra mais felicidade. Se eu parasse de me preocupar tanto com um futuro incerto, houvesse mais satisfação com o que já é. Mas sempre me falta algo.
A gente acha que “quando eu tiver tal emprego vou ser feliz” ou “só vou ser feliz quando me casar...” “ai, mas um filho completaria tudo...” E como a gente deve se sentir no presente? O que faz você levantar da cama todos os dias? O que te dá vontade de viver? O que você enxerga quando pensa no futuro? Enfim, pra quê você vive? Acho que as pessoas foram feitas para serem felizes e, como todos dizem, a vida é tão curta, e só temos uma chance de usá-la bem.
Ás vezes penso que se eu morresse hoje me arrependeria de muita coisa que deixei de fazer, de pessoas que deixei de conversar, perguntar como vai, ou conhecer melhor, realmente se interessar por ela. Verdades que precisavam sair do peito, sentimentos que precisavam fluir, palavras que precisavam ser ditas ou escritas. Lugares que queria ter visto.
Então sou uma aprendiz, venho me ensinando essa pequena lição todos os dias, um dia de cada vez. Ser feliz, estar em paz, viver aqui e agora. Carpe Diem!

Wednesday, September 9, 2009

O casamento

Não se casaria. Nunca cometeria tamanha asneira. Casar-se? Estruturar toda uma vida ao lado de alguém para vê-la ruir pelo quase inevitável divórcio? Ver o encanto desaparecer após os primeiros três ou cinco anos... e ver seu casamento sendo arrastado por longos e preciosos anos de sua vida como fizeram seus pais? Acordar ao lado da mesma pessoa todos os dias, toda descabelada, cara amassada e sem escovar os dentes? Ver seu lindo namorado - agora marido - ficar mais gordo a cada dia que passa, tomando cerveja e assistindo futebol aos domingos? Ver-se transformada ao mesmo tempo em empregada doméstica, mãe do próprio marido e amante sensual? Preferiria o simples papel de namorada. Ou de nada. Estaria muito bem sozinha. Obrigada.
Certa vez leu um negócio mais ou menos assim: não me caso, porque não preciso. Tenho três bichinhos em casa que substituem perfeitamente um marido: um cachorro, que rosna de manhã, um papagaio, que fala palavrão o dia inteiro e um gato, que volta de madrugada para casa... Triste realidade.
Tentava se lembrar se chegou a conhecer algum casamento realmente feliz... Não lhe ocorreu absolutamente nenhum. Alguns andavam até mais ou menos, mas nada que imite a felicidade mesmo. Amor? Tentava imaginar entre quais brigas - ou contas a pagar - este belo sentimento havia se perdido. Afinal, o que acontece com as pessoas quando colocam aquela aliança no anular esquerdo?
Este seria o século em que a família seria destruída. O que aconteceu com aquelas famílias grandes, unidas e felizes? O que aconteceu com as bodas de prata, ouro, platina?
Formar uma família... Ter filhos... Primeiro eles te deixam gorda e feia pra sempre e seu marido não te deseja mais como antes. Depois eles choram a noite toda e acabam de vez com a sua vida amorosa. Depois ainda te chamam de antiquada e careta pelo resto da vida e fazem exatamente o contrário do que você tenta ensiná-los.
Tinha pavor de tudo isso. Amava sua vida de jovem solteira. Realmente, tinha nascido pra ser titia. Nunca cometeria tamanha asneira.
Mas então, o que mudou? O que aconteceu para ela estar ouvindo aquele discurso “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença até que a morte os separe?” e dizendo um sim diante do padre neste exato momento? Ora, no fundo, no fundo, toda mulher sonha em entrar na igreja de véu e grinalda, em ter seu “lar, doce lar”. E, afinal, ela estava amando... e havia pressa em se casar antes que a barriga começasse a crescer.
(Ana Elisa)

Wednesday, August 5, 2009

Dólar

Moeda forte é a americana, não há dúvidas. E não me importa o que dizem os especialistas. Um dia pus meu cesto de roupa suja na máquina de lavar, depois na de secar e, quando fui tirar a roupa já seca lá de dentro encontrei seis dólares no filtro – uma nota de cinco e uma de um. Não sei quanto a vocês, mas não importa a quantia, sempre fico feliz em encontrar dinheiro que eu não sabia que tinha.
(Ana Elisa)

Monday, June 29, 2009

Por que não solidão?




Uma pessoa deveria ter o direito de se isolar sem ser rotulada de “estranha”, ou “antisocial”. Afinal, qual é a urgência em sair, em curtir, em “aproveitar” a vida? Não posso aproveitar minha vida em minha própria casa? Livre do câncer de pele, da alergia ao pólen, das multas de estacionamento, da ressaca, das bactérias. E no fim das contas não sou só “eu”, sou eu e meus livros, eu e minha televisão, eu e meu computador, eu e meus DVDs, eu e minha cozinha, eu e minha cama, eu e meus pensamentos incontroláveis.
Ficar sozinho em casa não é problema. Problema é ficar preso no trânsito, nas filas quilométricas. Problema é ir em banheiro público, comer algo que você não sabe de onde veio e como foi preparado. Dar entrada gratuita a todos os tipos de germes existentes: isso é problema.
Mas devemos ser sociáveis! Devemos manter contato com as pessoas, ter um milhão de amigos, senão você não é normal, não é feliz. Satisfaço minha cota de sociabilidade usando o telefone, a internet e o correio, muito obrigado.
Todos os dias às seis e meia da manhã levanto da cama, vou ao banheiro, desço as escadas, aqueço uma tijela de leite no microondas, misturo dois tipos de cereal, assisto às notícias enquanto como, tomo um banho, me visto e saio para o trabalho. Enfrento o tráfego, enfrento o chefe, a sala minúscula que ocupo, os colegas mal humorados, as refeições apressadas… todos os dias. Chego em casa, tomo um banho, assisto tv, vou dormir. No fim de semana tudo o que quero é descansar em paz. Telefone toca, não atendo. Alguém bate na porta, finjo que não estou em casa. Tenho sido feliz assim, exatamente assim: estranho e antisocial. No momento não preciso de mais nada. Principalmente de críticas e palpites.

(Ana Elisa)

Tuesday, May 26, 2009

Exercícios de estilo

Odiava o mundo em que vivia.
Se perguntava se não havia outro lugar pra ir.
Passava as noites admirando estrelas.
Sonhava acordada.
Um dia entrou num sonho e nunca mais voltou.


(Ana Elisa)

Saturday, April 18, 2009

Este momento

Você já parou para pensar que neste exato momento alguém em algum lugar no mundo está escrevendo sobre o que os outros podem estar fazendo naquele momento, enquanto outra lê um jornal, coça o nariz, assiste tv, estuda para a prova de anatomia (ou geografia, inglês, química, fonética, física, historia, psicologia, literatura, matemática, antropologia, bioquímica...). Alguém aí do seu lado pode estar tocando violão, navegando na internet, sorrindo, chorando, brigando, dormindo, te beijando, comendo um sanduíche, espirrando, tropeçando ou ate falando mal de você. Alguém, em algum lugar deste planeta (ou fora dele) pode estar se casando, se separando, tendo um filho, encontrando o amor de sua vida, nascendo, morrendo, viajando, dançando, trabalhando, roubando, decidindo onde vai passar as férias ou o futuro da nação. Enquanto isso, outros tomam banho, batem papo, assistem novela, explodem bombas, fazem orações, caminham, sentam na praça, passam batom, apanham, preparam o jantar, esperam o namorado, comemoram, lamentam, fogem de casa, sonham, tiram fotos, costuram, fazem caretas, sobem e descem escadas. Colocam silicone, cortam os cabelos, gritam, cantam, dançam, tomam veneno. Mulheres fazem as unhas, escovam o cabelo, ficam grávidas, menstruadas, se depilam, se decepcionam, se maquiam, vendem seus corpos, cuidam da casa, matam seus filhos, reclamam da vida, amamentam, são promovidas, são amadas. Crianças, brincam, pronunciam sua primeira palavra, choram, mamam, aprendem a andar, a ler, a escrever, desenham, correm, pulam, se balançam, fantasiam, pedem colo, trabalham, passam fome, provocam encanto, piedade. Do outro lado do mundo alguém pode estar te esperando, andando de bicicleta, de carro, de avião, de moto, de patins, skate, asa-delta, pára-quedas, caminhão, ou simplesmente a pé, olhando pro chão, colhendo uma flor e oferecendo-a à pessoa amada. Ao mesmo tempo, o seu vizinho ali do lado conta uma piada, solta um pum, frita um ovo, atende o telefone, mata uma barata, escova os dentes, pinta um quadro, quebra um copo, admira o pôr do sol, toma sorvete, pede carona, solta a voz num karaokê, faz uma surpresa, pula um muro (ou uma cerca), faz massagem, rega as plantas, passeia com o cachorro, espera o ônibus, limpa os óculos, faz xixi, masca chiclete, salva o mundo, tropeça na pedra que havia no meio do caminho, machuca o joelho e solta um palavrão, arranca um dente, escreve um livro, vai ao cinema, dá um show, gasta dinheiro, empresta dinheiro, ganha dinheiro, pede dinheiro, dá dinheiro, vira pro lado e fuma um cigarro, dança uma valsa, faz aniversário, arruma o armário,enterra um parente, faz fofoca, pede perdão, se abraça, sente saudade, ódio, frustração... E você aí, vendo o tempo passar e reclamando da falta do que fazer!
(Ana Elisa)