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Friday, May 10, 2013

Living abroad: a new you is born


Change is the law of life. Unlike many people I know, I was never afraid of it. In fact, I sought it.

     2009 was the year that changed my life. It was when I left home and went abroad for the first time. After doing everything “by the book” – school, University, work – I decided to quit my job and be an Au Pair in the USA.I lived with a family in NJ for 18 months and travelled to some of the most famous American destinations: NYC, Disneyland, Miami, Las Vegas, Los Angeles, San Francisco, the Grand Canyon, Boston, Philadelphia, Pittsburg, Washington DC, etc.



     During that year, there were a lot of firsts: flying, seeing snow, listening to many different languages, travelling by train, staying at hostels, travelling solo, going on road trips with people we just met at a hostel, trying new foods, having a memorable hangover. Sometimes even opening a door or using home appliances or shower was a new challenge. It was ridiculous. And awesome. I laughed a lot with myself and learned with every task I had to do. Oh, I also cried a lot. It felt absurdly overwhelming at times and I had thoughts of giving up and going back to the comfort of my home. Even though you make many friends, in the end you are alone. The feelings and lessons you have to work out - you work them out alone. The big life decisions - you make them alone. Often times I felt lonely and sad, but mostly I felt sure that it was the best thing I had ever done in my life, this living abroad thing.
     When you go off by yourself and face the new every single day, you have no choice but evolving. You become more independent, more mature, more understanding, more flexible. You can reinvent yourself, you can be free. You don’t have to fulfill anybody’s expectations on what you should do and how you should behave. Nobody knows you and that’s an opportunity to open up, connect and have loads of fun!
     Choose your new friends, hang out with people who make you feel good and who can relate with your beliefs and dreams. I made friends in church, Au Pair cluster meetings, parties, hostels, Couchsurfing and more. They include travelers from everywhere, locals, and Brazilian expats. I learned so much about relationships and culture and they were my support team. On the other hand, the sad fact is: most of them will follow their paths and you’ll eventually lose contact. But as I tell myself, “C’est la vie”. Thanks to the internet I still keep regular contact with some of the friends I met abroad and I’m sure we’ll meet someday somewhere.
     My time abroad was so amazing that I couldn’t sit still at home for even a year. After having a taste of what’s out there, out of my bubble, I wanted more! I came to Belgium to be an Au Pair again (I know, crazy) and lived next to a real castle (!) for a year. I visited all the countries I had in mind: Portugal, Spain, France, England, Germany, Italy, Ireland, Holland. I visited friends I had met in the US (went for yet another road trip with the stranger from the hostel, now my fellow gummy bear eater); friends from Brazil; surfed someone’s couch for the first time and had long philosophical and spiritual conversations; and stayed in the best hostel ever.


Gent, Belgium 


     My year in Europe was truly beautiful. Although sometimes I got a feeling that “this is just a city like any other” I learned to be more open to what the places have to offer, what’s special about them and their people. Now my list of places I want to visit has expanded and I want to experience really different cultures, like Asian and Middle-Eastern.
     I grew more and more passionate about living abroad. Many people ask me for advice about it or tell me about their fears, lack of money or other things holding them back. My answer is always: GO! Put your plan on paper, prepare, be brave and go! If you have that itch, it’ll never go away until you do it. The experience of being abroad is so enriching, it’s more valuable than any material stuff you would choose to spend your money on instead. I used to tell my friends back home: “I returned home poor, but I LIVED!”.
    That tearful, scared girl who left her hometown in 2009 never came back. Of course she cries and gets scared sometimes, but it’s different now. Living abroad has changed my path like I would have never imagined. It changed the way I see the world and its people; it changed my decisions; it changed some of my interests, opinions and behavior.
     Yes, this post is mostly showing how AWESOME it is to live abroad and how it affected me in a positive way. Downsides and whining another time + reflections on more specific topics!


*I recently talked to Cate from Small Planet Studio about my return home. You can read the interview here. 



Leave a comment or question if you like and share this with a friend who might relate. Cheers! :)




Monday, April 22, 2013

Guest Post: Coisas da Fran


           Eu AMO viajar e ouvir histórias de viagem! Hoje minha special guest é a Fran, que passou um tempo no Canadá no final de 2011 e  compartilha conosco as impressões marcantes de lá:  


  • A mistura do novo e do velho. -Como em toda metrópole o antigo e o moderno convivem lado a lado, dando um charme gracioso a essa cidade que já é pra lá de encantadora! De um lado uma construção antiga e logo mais, um arranha-céu todo espelhado!
  • A cidade é sempre muito limpa, organizada e arborizada. -Realmente um exemplo a ser seguido por nós! Vários parques, praças e espaços públicos lindos e LIMPOS!
  • A cidade é muito segura! -O Canadá tem uma das médias mais altas em qualidade de vida, e isso inclui a segurança, é claro! Sempre andamos nas ruas a noite e algumas vezes início da madrugada sozinhas, e sempre foi muito tranquilo(apesar de sempre ter aquele pé atrás que brasileiro tem!hahaha)!
  • A diversidade étnica e cultural é gritante! -Em todo lugar que você vai tem uma "salada de frutas" de gente, um asiático, um muçulmano, árabes, um indiano, um latino, um europeu, todos os tipos de feições, roupas, estilos e idiomas! Uma grande bagunça organizada! E apesar deles não se misturarem muito, eles se respeitam e se toleram.
  • A grande maioria das pessoas usa transporte público. -O metrô, ônibus e streetcars funcionam interligados, e tem passes diários, semanais e mensais que te dá livre acesso ao TTC (Toronto Transit Commission) quantas vezes você quiser no dia! Isso é tão prático! rs! (Que saudade de ir pra todo lugar de metrô!!)
  • Se você ainda não comprou seu passe(Mensal- todo dia 1º, ou semanal- toda segunda), e precisa andar de ônibus, você coloca o dinheiro em uma caixinha, não tem trocador, e eles confiam que você está sendo honesto com o valor que está colocando!
  • Os pedestres só atravessam as ruas na faixa de pedestre, E com o sinal de pedestre aberto!! -Se você atravessar no meio do quarteirão e um guardinha te ver, leva multa!! hahaha! Mas é claro que os brazucas sempre dão um "jeitinho" e olham pra ver se tem guarda e correm pelo meio do quarteirão mesmo! kkkkkk
  • As pessoas lêem muito e em qualquer lugar! -Isso foi uma das coisas que mais me chamou a atenção e achei muito, muito amor! rs! Qualquer idade, em qualquer lugar(restaurantes, ônibus, metrô, shopping, na rua), seja livro, kindle, Ipad, sempre tem MUITA gente lendo! Esse é um exemplo a ser seguido e que fiquei babando!
  • Eles respeitam as filas. -Não tem essa de guardar lugar, tentar passar na frente e esses "jeitinhos brasileiros", ou você está na fila preferencial, ou então espera como todo mundo! E tenta cortar a fila pra você ver, eles olham com cara feia e falam na sua cara pra voltar pro fim da fila!
  • A escada rolante tem ordem de fluxo também, quem fica parado, fica do lado direito e deixa a esquerda livre pra quem está com mais pressa que você!
  • Eles são educados, mas não gostam muito de contato físico. -Se alguém esbarra em você, eles pedem Sorry, e se você esbarrar neles, eles esperam que você seja "polite" e peça também!
  • Bebida alcoólica é quase um problema! -Ou você vai em um bar, restaurante ou o que quer que seja, e bebe lá, ou vai em uma LCBO, coloca em uma sacola ou saco de papel e leva pra onde você vai. Não tem essa de beber na rua, ou comprar em qualquer buteco, bebida alcoólica só nas lojas autorizadas e beber na rua dá multa! Parece absurdo, mas funciona!
  • Eles são saudáveis. -Ao contrário dos "primos" americanos, os canadenses são muito preocupados com a saúde! Eles evitam sal e açúcar, pois eles são "killers"! Você vê muito mais Subways e restaurantes de comidas "de verdade" do que fast foods, como Mc Donalds e Burguer King. Nas praças de alimentação isso fica mais claro ainda, existe todo tipo de comida, de todo lugar do mundo, mas os fast foods sempre ficam meio escondidos! É bom pra saúde, mas vamos combinar que todo dia provar uma comida diferente é um pouco estranho também, afinal, nada como uma comidinha brasileira! Sem exageros, é a melhor do mundo! :)
Bem, esses são os pontos que mais me marcaram e achei interessante compartilhar, não pra dizer que são melhores ou piores, mas pra mostrar como cada lugar tem sua cultura e costumes peculiares, e que isso é na verdade, muito enriquecedor! Não existe lugar perfeito, e essa não é a minha intenção, até porque passei alguns perrengues por lá também, mas isso já é assunto pra outros posts! ;)
Espero que gostem!

Fran foi minha colega no curso de Letras/Inglês, também adora viajar, aprender línguas e escreve no blog Coisas da Fran. Passa lá!

#comentemais 

Wednesday, March 13, 2013

Viena



Me apaixonei por Viena.

Embarquei sem saber muito sobre a cidade, sem ter pesquisado, sem planejamento, mas com um envelope lacrado que deveria ser aberto na noite de Ano Novo. Viena foi assim: cheia de boas surpresas.

A cidade é linda, limpa, organizada.

Passeamos sem rumo pelo centro e comemos sopa com fatias de panqueca fazendo papel de macarrão. Sem querer topamos com a Casa da Música e foi uma das melhores partes da viagem. Comemos Sachertorte (um bolo de chocolate tradicional). Visitamos as estátuas dos compositores no Stadtpark e tomamos chá nos charmosos cafés vieneses. Andamos muito e teimosamente até encontrar o cinema para assistir "O Hobbit". Fomos ao Palácio Schönbrunn e nos deleitamos com os cheiros vindos das barraquinhas de vinho quente, doces, sopas, linguiças. Visitamoss a casa onde Sigmund Freud morou por muitos anos e onde também atendia seus pacientes e dava início à psicanálise. Claro que me lembrei do filme “Um método perigoso” que havia assistido recentemente. Também fomos à casa onde morou o Mozart e ouvimos histórias muito interessantes com o audio tour. Comemos schnitzel (vitela empanada e frita) e andamos muito de metrô, que é muito fácil e prático – até no dia 01/01 às 05h quando precisamos ir para o aeroporto. Ah! A conexão para o aeroporto é ótima: em 15 minutos de trem direto chegamos lá e já havíamos despachado a mala no saguão da conexão mesmo.

No dia 31 eu pude abrir o envelope surpresa. Tentei não pensar no que era, mas imaginava que eram entradas e iríamos a algum lugar. Nunca imaginei que veria um dos shows mais lindos da minha vida! Pela primeira vez vi uma Orquestra Sinfônica ao vivo! É realmente de arrepiar, ainda mais em Viena. Depois da Orquestra andamos pela cidade e pelos inúmeros palcos espalhados nos pontos principais. Música ao vivo, barraquinhas, muita gente e muito frio! À meia noite assistimos à queima de fogos e brindamos à vida nova!

Saturday, February 2, 2013

O Rio é tudo



Este é o primeiro "guest post", ou postagem de um convidado, aqui no Qualquer Dia Desses. É uma honra começar com a querida Maitê, companheira de várias viagens e passeios pela Europa, falando sobre sua cidade maravilhosa! 

"Antes de tudo, quero dizer que é um prazer e uma honra escrever no blog da Ana, uma grande amiga e uma mulher inspiradora.



Voltar para casa depois de morar fora do Brasil não é fácil. Eu sempre soube disso porque era uma opinião unânime (ou praticamente) entre as minhas amigas que retornaram. Até que chegou a minha vez. Então, eu tive a certeza de algo que sempre tocou meu coração: não existe lugar no mundo como o Rio de Janeiro.
É claro que eu tive o impacto esperado (leia-se, negativo), mas a cada manhã de sol que eu olhava para minhas duas cidades (nisso incluo Rio e Niterói – o outro lado da poça), eu sabia que estava exatamente onde deveria estar.
Eu lembro que quando estava em Roma (numa viaja feita com a Ana), na primeira vez que desci na estação de metrô e dei de cara com o Coliseu, enorme, imponente, milenar, pensei: que privilégio os romanos têm de contemplar esse monumento em sua rotina. Pensei o mesmo dos parisienses com a Torre Eiffel. E quando voltei para o Rio, vi que eu era tão privilegiada quanto eles, porque eu era carioca.
O Rio é deslumbrante por natureza e essência. É o Cristo (Redentor), o Pão de Açúcar, o Jardim Botânico, a Floresta da Tijuca e mais. É a favela, a Lapa, a cultura, os famosos que caminham naturalmente pela cidade e muito mais. É o carioca em si, que esbanja simpatia e falta de educação – acreditem, muitas vezes ao mesmo tempo! É o samba, a Bossa Nova, o pagode da esquina, as praias onde todos se encontram, independente de quanta grana tenham no bolso ou de quanta bobagem saia pela boca. É o calor indigno e as tempestades desastrosas de um fim de tarde. É a ponte Rio-Niterói e, de tão grande, é também o outro lado da poça, com o museu do Niemeyer e a melhor vista da cidade. É a baixada fluminense, o Funk e os milionários da Zona Sul que pagam pequenas fortunas para dançar o ritmo que toca na periferia. O Rio é tanto que consegue ser mais até que a violência (quase) insuportável, os preços absurdos, os serviços mal prestados, o descaso do governo e do povo. É o pôr do sol no Arpoador.
O Rio é tudo. Um resumo deste Brasil tão grande que não se define em poucas palavras."

Maitê é jornalista, viajante, Couchsurfer profissional. Confiram o blog Ano sem Verão e suas ótimas histórias!




Monday, March 12, 2012

Antiga, mui nobre sempre leal e invicta cidade do Porto


Portugal foi a viagem mais esperada, merecida e curtida depois desse inverno longo, congelante e escuro. Estava pronta para um calorzinho, para falar português e relaxar. Postei no Facebook que estava à procura de companhia para a viagem e um dos meninos daqui se dispôs a ir comigo. 
Chegamos na sexta à noite, pegamos o metrô e encontramos o hostel facilmente. Já me senti em casa. Localização perfeita, perto do Douro, dos bares, lojas, transporte, praças, tudo! Casa limpa, decoração interessante, e o mais importante: pessoal super legal, ou “fixe”.
Na primeira noite já experimentei um dos pratos típicos locais: a francesinha. É um misto com vários tipos de carne, com queijo por cima e molho ao redor, servido em um prato e deve ser comido de garfo e faca. É gostoso e bem pesado, os molhos variam de acordo com o restaurante. Alguns acrescentam ovo e outros servem com batata frita. O meu foi simples, com um molho apimentadinho, adorei. Porém já cheguei cometendo gafe: pedi um Porto para acompanhar (já queria beber meu primeiro Porto em Porto, né?) e o garçom disse que não se bebe Porto enquanto se come, que é pra ser degustado. Ok, primeira lição aprendida.
Na manhã seguinte andamos um pouco pela vizinhança e nos deparamos com uma fila enorme de jovens cantando, tocando violão, etc. Ficamos curiosos e não custava nada perguntar – eles estavam fazendo teste pra programa Ídolos! Continuamos pela beira do Douro, admirando as pontes, as casas da velha cidade, o clima de tranquilidade. Não me preocupei com mapas e direções, só queria relaxar e admirar.
A cidade tem muitas subidas e descidas, ficava cansada rapidinho! Muitas ruas são estreitas e formam um pequeno labirinto e ficamos um pouco perdidos, mas seguindo na direção certa, eventualmente voltávamos  ao hostel.
Fizemos o passeio gratuito que um grupo organiza com hóspedes de outros hostels. De uma vez só vimos bastante da cidade, escutamos ótimas histórias e conhecemos mais gente legal. A guia contava as histórias dos monumentos e personagens históricos de um jeito bem interessante e diferente, nada maçante. Os prédios, casas, igrejas, monumentos e ruas são lindos e dão vontade de ter uma máquina do tempo e voltar pra ver como era a vida. Mas por enquanto a imaginação serve. Algumas construções são semelhantes às de Ouro Preto e cidades antigas do Brasil, feitas provavelmente na mesma época e estilo. A maioria das casas estão em bom estado, mas outras foram completamente abandonadas e estão caindo aos pedaços.
No almoço comi outro prato típico: bacalhau. Cruzamos a ponte e encontramos um restaurante bacana em Vila Nova de Gaia. O bacalhau estava bom, mas não é meu preferido, muito salgado. Eles serviram acompanhado de batata doce pra balancear, mas mesmo assim. A sobremesa, tarte de nata, estava deliciosa, tenho certeza que engordei nesse passeio. Concordo com quem nos recomendou comer em Gaia – a vista pra Porto é bem mais bonita! Sentamos na beira do rio após o almoço, no sol, relaxando e admirando os barcos, a cidade, as pessoas. Não me canso de dizer o quanto eu amei esse passeio, o quanto eu estava feliz lá. Não sei se foi a cidade em si, ou o clima que elevou meu ânimo. 18 graus, sol, não precisar de várias camadas de roupa – paraíso! Mas Porto é mesmo linda e possui várias faces, eu definitivamente moraria lá!
Dormi cedo no primeiro dia pra aproveitar o domingo, que foi o melhor dia da viagem. Visitamos a Igreja de São Francisco, que por dentro é coberta em ouro (brasileiro) e depois fomos de ônibus até a praia. Eu queria chorar de tanta alegria. Uma praia linda, uma sensação de tranquilidade, paz, uma vontade de sentar ali e não ir embora. Almoçamos sentados no sol, olhando o mar. Desta vez pedi filés de pescado, com salada e arroz. Cada refeição era um momento único. À tarde fizemos um passeio de barco, que dura mais ou menos uma hora e é uma delícia se o clima está bom. Como sou a viajante mais sortuda, o sol estava brilhando e aproveitamos a paisagem e o vento no rosto. Depois, tentamos encontrar a cave Taylor’s para uma visita e degustação, mas ela fica bem escondidinha numa subida e quando chegamos lá, já estavam fechando. Mas nos ofereceram exemplos do Porto branco e vermelho. A vista de lá de cima também fez valer a pena a caminhada. 
À noite fomos ao festival Essência do Vinho (em Portugal! Tenho que frisar!). Podíamos experimentar quantos vinhos quiséssemos - havia centenas de produtores e ainda bem que não deu tempo de beber muito, pois fecharam às 20h. No dia seguinte: estômago ruim e a vaga lembrança de ter conhecido meus novos colegas de quarto. Comi um pãozinho seco, bebi um pouco de água e uma aspirina, conversei um pouco com o holandês e o brasileiro e mandei o Jimmy ir fazer compras enquanto eu dormia um pouco. Eu tinha que beber vinho até morrer em Porto mesmo né?!
Depois que melhorei, fomos à Casa da Música, uma parte bem diferente da cidade, mais comercial, moderna. O prédio é muito diferente, branco, geométrico e com rampas ótimas pra skatistas do lado de fora. No último andar há um restaurante e um terraço e tomamos um suco de laranja sentados ao sol. Que vida boa!
Andamos de lá até a praia (mais de uma hora) e vimos uma outra parte de cidade, residencial, também mais moderna. Definitivamente, Porto tem várias faces e agrada a todos. Almocei um strogonoff delicioso e experimentei polvo, que o Jimmy pediu. Foi preparado fresco, como uma salada com ervas, gostosinho, interessante.
À noite o pessoal do hostel foi todo junto para o Carnaval. As ruas estavam abarrotadas de gente fantasiada, os bares lotados. Adorei a festa que fomos, música ótima, galera divertida – ninguém bate as australianas!
Na terça-feira queríamos ir a Guimarães, mas os trens (ou comboios) estavam em greve. Resolvemos pegar um ônibus (autocarro) e fomos parar em Braga. Comi a maior e mais barata refeição da minha vida – um cozido de várias carnes e legumes, arroz, sopa, refrigerante e salada de frutas por 6,50! Lá conhecemos uma igreja linda e comprei um azulejo com a inscrição “Família Miranda”. O tempo inteiro que estive em Porto lembrei de pai e mãe e como eu queria trazê-los aqui e compartilhar tudo que vejo e vivencio. Ainda havia pessoas fantasiadas nas ruas e destaque para as crianças: as coisinhas mais fofas do mundo!
No último dia, quarta-feira, andei sozinha pelas ruas, comprando souvenirs. Foi uma sensação boa, a independência, paz. O Jimmy foi mais cedo para o aeroporto, eu almocei com o Tiemen e fomos juntos. Já me deu aquela depressão pós férias, mas estava feliz de voltar e planejar a próxima viagem: Espanha!

Tuesday, January 17, 2012

Bélgica


Sempre que me perguntam por que escolhi morar na Bélgica, respondo que na verdade a Bélgica me escolheu. Minha vontade de morar na Europa, viajar mais e aprender outra língua me levou a ser Au Pair novamente e conheci a família perfeita, que vive na Bélgica.
Estava tão certa do que queria que não hesitei por muito tempo. Aceitei morar com eles, organizei toda a documentação, fiz as malas, disse meus adeus e vim.
Vim sem saber o que esperar, sem expectativas ou pré-conceitos. Passei duas semanas no litoral, observando, explorando e aprendendo. Me adaptando à família e eles a mim. Tendo muitas dores de cabeça por escutar holandês demais.
De volta à vila, me dei conta do lugar lindo que moraria por um ano. Muito verde, silêncio, animais e... um castelo de verdade! Comecei a fazer caminhadas no parque em volta do castelo. Até hoje mal posso acreditar na minha sorte.
A Bélgica é dividida em duas partes: a holandesa e a francesa (na verdade três, mas a parte alemã é tão pequena!). A capital, Bruxelas, é bilíngue. Moro na parte holandesa, mas em meia hora estou em Bruxelas escutando francês e várias outras línguas. Outra coisa que me impressionou na capital é o número de imigrantes, principalmente africanos e muçulmanos – mulheres usando véus, roupas típicas super coloridas, etc.
Como típica turista, logo visitei os monumentos e símbolos da cidade – Atomium, Manneken Pis, Grand Place, Palácio Real, etc. Aprendi a usar o metrô, a me localizar e a circular a pé. Fui a eventos e shows no verão, vi o Steven Spielberg e o Arnaldo Antunes. Bruxelas começou a se tornar familiar pra mim, mas nunca perco a sensação de insegurança que sinto ao andar pelas ruas da cidade. Como várias capitais, há gente de todo lugar e muitas dessas pessoas se comportam de um jeito estranho.
Fiz aulas de holandês e aprendi algumas coisas com a família e os amigos. Às vezes entendo o contexto, mas desisti de querer falar essa língua. Comecei minhas aulas de francês e estou evoluindo bastante. Entendo bem, leio e arrisco falar um pouco e me viro bem!
Não dá pra falar de Bélgica sem falar das cervejas, dos chocolates, dos waffles e das fritas! Primeiro: há uma lista gigante de cervejas fabricadas aqui, de marcas conhecidas a pequenos produtores, cervejas fracas e outras fortíssimas, cervejas tradicionais ou com sabor de fruta. É o paraíso da cerveja!
Os chocolates são também deliciosos e há até museu do chocolate. O hábito mais diferente e engordativo que aprendi foi comer pão com Nutella no café da manhã. Todos os dias. Bom, tive que parar, porque senão...
A cada esquina há uma barraquinha de fritas, que são vendidas em cones ou caixinhas de papel e acompanhadas de molhos, principalmente maionese. Nas vendinhas de waffles eles são feitos na hora. Não dá pra resistir ao aroma! Waffle com calda de chocolate, waffle com sorvete, waffle com chantilly e frutas!
Este pequeno país no coração da Europa, dividido, sem governo central, realmente conquista seu coração!
Das águas frias do litoral aos canais da linda Brugge, de Flandres à Wallonia, da capital ao campo, das viagens de trem, dos moinhos, dos castelos e igrejas antigos, do orvalho congelado pela manhã, dos patos, ovelhas, pôneis, veados e pássaros, da chuva, do vento forte, dos passeios de bicicleta e, mais que tudo, das amizades e da família, das inúmeras risadas regadas a cerveja, dos filmes, dos jogos, das viagens e caminhadas, das pessoas que abriram seus braços para me receber – vou sentir saudades.



Wednesday, November 9, 2011

London




A cada viagem compreendo melhor que não adianta querer fazer tudo e ver todos os lugares turísticos ou interessantes. É bom ter um plano, mas é melhor ser flexível, relaxar e deixar a cidade te surpreender. Foi o que fiz em Londres. Teria três dias e a companhia de Maitê e Alex.
Esperei muito por essa viagem, Londres é uma das cidades que mais sonhei em visitar – como estudante de língua e literatura inglesa, nada mais natural do que visitar o berço.
Fui de ônibus e não fazia ideia do trajeto. Todos me disseram que uma parte era em navio, mas no fim das contas – depois de voltas e voltas – o ônibus entra numa espécie de trem, que por sua vez atravessa o Euro Tunnel. Não é uma viagem para claustrofóbicos! A partida é da França, e mais uma vez tive meu passaporte carimbado fora de ordem (já virou bagunça).
Minha primeira experiência sendo hospedada por alguém do CouchSurfing foi ótima. Primeiro porque a Maitê já o conhecia e ficaria lá nas primeiras noites. Segundo porque ele foi muito educado, receptivo, passou o fim de semana todo passeando com a gente e tivemos grandes conversas sobre espiritualidade.
Foi também a cidade onde comi as comidas mais variadas – chinesa, indiana e vietnamita!
Claro que andamos no ônibus vermelho de dois andares (quase caí subindo a escada na hora que o motorista acelerou!) e tiramos fotos nas cabines telefônicas. Típicas turistas.
Fomos à feira de Notting Hill, vi onde morou George Orwell, andamos à beira do Thames, vi o Big Ben, dei uma volta no London Eye – e como sou sortuda, o tempo estava ótimo e a vista linda!
No domingo vimos a troca da Guarda da Rainha. Ou melhor, ouvimos, pois estava mais que lotado. A banda tocou uma melodia conhecida, mas Maitê e eu demoramos uns dois minutos pra reconhecer (I could be brown, I could be blue, I could be violet sky!). Foi o máximo ouvir a banda da Guarda Real tocando Mika! Depois consegui ver os guardas saindo, alguns a pé e outros a cavalo.
Passamos também pela Abadia de Westminster, London Bridge, London Tower e Piccadilly. Os dias foram muito tranquilos, sem pressa, fizemos ótimas refeições, andamos pelo rio e, quem diria, vi tudo o que estava na minha lista e mais! Lindos parques, pessoas educadas, cidade limpa (inclusive as estações de metrô) e clima agradável (juro que esperava chuva, frio e neblina).
No último dia fiquei sozinha e, como boa fã de Harry Potter, fui à estação King’s Cross, mas demorei horas para encontrar a Plataforma 9 ¾. Depois fui à Oxford Street fazer compras. Já era noite e as luzes deixavam os prédios lindos.
Essa viagem me deixou com vontade ver ler todos os livros e ver todos os filmes Harry Potter de novo, também de reler os livros e poemas que estudei na faculdade, a história da língua inglesa e mais. Mas acima de tudo, me deixou com a certeza de que voltarei lá o mais rápido possível!

Monday, September 12, 2011

Luck of the Irish!




Eu havia passado a semana toda preocupada com o horário do voo, porque estava em Knokke e demoraria umas duas horas pra chegar ao aeroporto. Calculei tudo direitinho e me tranquilizei com o pensamento de que se tudo desse certo, se o trem ou o ônibus não atrasassem eu chegaria a tempo para o check-in.
Pra começar o dia bati a porta do guarda-roupa na testa, mas me recusei a interpretar aquilo como um mal sinal. Peguei o primeiro trem da manhã em Knokke às 07:06h que teoricamente chegaria em Bruxelas às 08:33h e eu pegaria o ônibus para o aeroporto às 9h. O trem parou em Brugge, como sempre, mas demorou mais que o normal. Quando resolvi sair e perguntar, havia um problema no freio e estávamos atrasados 15 minutos! Essa é a minha sorte... fui rezando e mentalizando o resto da viagem, chegamos na estação às 08:50h e corri para encontrar o ônibus (se eu perdesse o de 9h o próximo seria só em 30 minutos). Corri de verdade, com mochila nas costas e tudo. Cheguei ao ponto e o ônibus só sairia às 09:15h, mas o motorista disse que o trajeto leva 40 minutos e domingo de manhã ainda menos. Aí sim, relaxei. Já havia olhado o mapa do aeroporto e sabia que era pequeno, que os guichês de check-in da Ryanair são logo na porta e a segurança é logo depois. Chegaria antes das 10h para meu voo das 10:50h.
Como Maitê havia me falado, a Ryanair sempre atrasa, ou nunca fecha o portão 30 minutos antes do embarque como diz o cartão. Tanta gente em pé, na fila esperando e demora, demora, depois muda o voo de portão e embarcamos 5 minutos antes do horário de decolagem. Mas enfim eu estava a caminho de Dublin!
Essa foi uma viagem completamente sem planejamento. Queria ser surpreendida pela Irlanda e aproveitar a compania de Vinícius. Encontrar alguém da sua cidade, da sua faculdade, na Europa não tem preço!
Chegando lá passei pela imigração, ganhei um carimbo (eba!) e logo encontrei Vini na área de espera. Pegamos um ônibus e fomos para o centro da cidade.
Logo de cara adorei o sotaque, que apesar de ser difícil de entender às vezes, é bem interessante. Estava feliz em estar em um lugar onde entendo a língua. Também fiquei fascinada pelo Gaélico, que se vê nas placas, sinais e até se escuta em alguns lugares. Soube que é ensinado às crianças nas escolas e achei fantástico a preservação das raízes do povo irlandês.
Andamos um pouco pela rua, passamos por um jardim lindo chamado Remembrance Garden, onde há uma fonte e uma piscina em forma de cruz, vários monumentos e estátuas e o mais novo símbolo, o Spire, que parece uma agulha gigante. Nessa avenida fiz minha primeira refeição irlandesa: fish and chips, claro! Estava gostoso, apesar de não ter tempero nenhum, fica bom com sal e limão. Nessa hora passou um mega desfile Hare Krishna, com carro alegórico e tudo e o pessoal cantando.
Depois ele me mostrou mais do centro, alguns lugares q eu já tinha visto por fotos, como o Poet’s Corner, que é um bar de paredes verdes com fotos e citações de poetas famosos como o Bernard Shaw e o Yeats.
A Trinity College é a faculdade mais tradicional da Irlanda, fundada no século XVI e fica bem no centro de Dublin. Passamos por lá rapidamente, tiramos fotos e continuamos o passeio. Vi a estátua da Molly Malone, que possui várias lendas e histórias, uma delas diz que ela era prostituta a noite e vendia peixes de dia. Há várias canções e paródias sobre a Molly e dizem que tocar nos seios dela dá sorte, haha!
Vários artistas de rua se apresentavam durante o dia – alguns muito bons, talentosos de verdade! Eu adoro arte de rua e sou capaz de ficar horas assistindo, mas havia muita coisa pra se ver. Fomos ao Stephen Green’s Park, onde havia uma exposição/feira de fotografias. Esse parque é no caminho do hostel, então passei várias vezes por ele e às vezes sentávamos um pouco curtindo a paz e a natureza.
À noite fomos aos famosos pubs na região do Temple Bar e tomei minha primeira Guinness (um copo de quase meio litro!). É escura, cremosa, adorei a textura e não é forte.
No dia seguinte fomos à Biblioteca da Trinity College ver a exibição do Book of Kells – um manuscrito ilustrado do Novo Testamento, em latin, feito por monges entre os séculos VIII e IX. Eles contam a história de como e onde foi feito, mostram técnicas de escrita em pele de ovelha e estilos de letras. E no final podem-se ver os livros. Porém o que mais me impressionou foi a biblioteca. Pena que não pude tirar fotos lá dentro, porque não consigo explicar como é linda e impressionante e muito menos a sensação que tive lá dentro. Só posso dizer que me deu vontade de sentar e ficar lá o dia inteiro.
Pegamos o trem e em mais ou menos 40 minutos estávamos em Killiney, onde supostamente moram o Bono Vox e a Enya. Independente dos famosos, o lugar é lindo, fica no litoral, caminhamos por ruas cheias de árvores e flores, subindo a montanha, até chegar ao topo e ter uma vista panorâmica maravilhosa. Estava frio, ventando forte e choveu um pouco, mas a sensação lá de cima é inexplicável, a Irlanda realmente tem uma magia, uma energia boa. A porta da casa do Bono é cheia de mensagens de fãs (vândalos!) e quando Vini estava parado perto do portão pra eu tirar uma foto alguém falou no interfone e nós fomos embora. Passamos o resto do dia pensando: e se fosse o Bono, se ele estivesse de bobeira, a gente puxasse um papo e acabássemos conhecendo ele? Nunca saberemos...
Também foi em Killiney que tomei a melhor sopa de cogumelo da minha vida! Depois de subir por ruazinhas desertas e cheias de curvas demos de cara com um restaurante (enviado por Deus na hora mais propícia, em que eu não aguentava mais de fome hehe).
As igrejas são um espetáculo à parte e não preciso nem comentar sobre a Saint Patrick’s Cathedral. Foi emocionante estar no coração da fé católica irlandesa, com tanta história e tradição. Os museus também tem seu lugar. Fui aos de entrada gratuita: Museu de História Natural, National Galery of Ireland (há obras de Picasso e Van Gogh), exibição sobre o poeta William Butler Yeats na biblioteca, passamos pelas casas do Oscar Wilde, Francis Bacon e no final fui à Dublinia (exposição sobre os Vikings e as origens de Dublin, baseada em escavações feitas na cidade).
Por fim, coisas que me chamaram a atenção foram os souvenirs e as joias em estilo celta. Primeiro: nunca vi lembranças tão bem feitas e baratas em nenhuma outra cidade, me deu vontade de comprar tudo! Os trevos, as ovelhinhas, os duendes, as camisetas fazendo piada com o clima da Irlanda. Segundo: as joias de prata com tema celta são simplesmente lindas! Comprei um livro - Heroes, Gods and Monsters of Celtic Mythology e estou adorando as estórias de força, lealdade e honra. Luck of the Irish!

Wednesday, August 17, 2011

La bellezza delle piccole cose...


Toscana



A preparação para a viagem foi longa: li, pesquisei e planejei o que pude. Mas quando chegou a hora de ir a ficha não tinha caído! Estava mais preocupada com a longa viagem de carro e com as crianças, mas eles lidaram muito bem com tudo: dormiram, brincaram, escutaram música, não reclamaram nem pediram pra ir ao banheiro o tempo todo – melhor que muitos adultos.
Meus hosts se revesaram ao volante e eu fui atrás com as crianças escutando música e lendo Fly Away Home. Paramos em algum lugar da Alemanha pra comer e vimos um arco-íris completo, lindo, até sombra tinha! Dormimos em um hotel na região montanhosa de Innsbruck, Áustria e nem preciso dizer que foi apaixonante, me senti no topo do mundo!
Ficamos num lugar chamado Colline San Biagio, que foi um mosteiro no século XIII e hoje é uma villa, uma espécie de hotel fazenda. Só a família do meu host ocupou o lugar inteiro! Éramos ao todo 15 pessoas. A casa fica no topo do monte e tem uma vista linda das cidadezinhas em volta. A paisagem da Toscana me lembra muito Minas Gerais: as serras e montes, a vegetação, as casas e as pessoas. Andar ao ar livre era uma experiência de sentidos: os cheiros acentuados das ervas, das flores e frutas, das refeições sendo preparadas em cada casa, do café... o sol ardendo na pele, os sinos das igrejas.
Os dias foram longos e preguiçosos e se resumiram a piscina, comida, sono. Em uma semana só saímos de lá um dia (chuvoso) e fomos a Lucca, que dizem ser a cidade mais bonita da Toscana, mas não consegui ver ou conceber que tipo de beleza (talvez por causa da chuva). Nós mesmos organizávamos as refeições e devo admitir que não perdemos pra nenhum hotel!

Florença



No sábado todos saíram cedo pra evitar o trânsito, mas um dos casais foi mais tarde e nos levou até o hostel em Florença. Isso foi perfeito, porque eu ainda não estava em modo viajante, não fazia ideia de como chegar lá! O hostel 7 Santi foi bom o suficiente – depois de várias experiências em hostels, aprendi a não esperar muito e a ter a mente aberta às vantagens. O quarto tinha 10 camas e estava lotado, mas era espaçoso e o pessoal era tranquilo. A primeira noite foi difícil, com a música alta vindo de outro quarto e pessoas chegando de madrugada, batendo nas portas e gritando. Não dormi bem. A localização era boa, fomos a pé a todos os lugares nos dois dias. Tudo bem, eu quase morri de tanto andar, mas é ótimo pra ver as praças, estátuas, igrejas, etc. Ficávamos um pouco perdidas e, de repente, dávamos de cara com algo inesperado e lindo.
Primeiro andamos até o rio Arno, cruzamos uma das pontes e subimos até a Piazzale Michelangelo, de onde se tem uma vista panorâmica maravilhosa de Florença. Andamos mais por lá, encontramos uma igrejinha onde dois casamentos estavam acontecendo (com direito a latinhas amarradas no carro dos recém-casados e tudo!)
Depois da visão panorâmica, foi impossível tirar fotos apresentáveis – as construções são enormes e as ruas estreitas demais, fora o tanto de gente amontoada nos mesmos lugares. Visitamos os pontos turísticos: Il Duomo – uma das maiores cúpulas do mundo, na Basílica di Santa Maria del Fiore; a Ponte Vecchio – a mais velha da cidade, cheia de joalherias; o Palazzo Pitti – não entramos pra ver os Jardins Boboli, mas também é bonito por fora; o Palazzo Vecchio – na Piazza della Signora, onde se encontram várias estátuas e réplicas (como o David de Michelângelo); a Galeria degli Uffizi etc, mas não entramos em nenhum museu ou galeria. Mais itens pra lista “Voltar com mais tempo e dinheiro!”.
Na semana anterior comi bastante pasta, antipasta (torradas com patê de presunto, fígado, pesto, etc) e salada (com mozzarella fresca italiana!), mas ainda não havia comido nenhuma pizza e estava sonhando com o momento. Também mal podia esperar pelo primeiro gelato. Porém o que aconteceu no primeiro dia foi o seguinte: quando a família foi embora, deixou um monte de comida e nós pegamos tudo o que pudemos, então nosso primeiro almoço em Florença foi mozzarela, salami e coca-cola, sentadas numa pracinha.
Mais tarde, quando sentimos que era “ice cream, you scream, everybody screams for ice cream-time”, entramos numa gelateria e, qual foi a minha surpresa em ver que tinham açaí! Não resisti e adiei o famoso sorvete italiano por uma boa tigela de açaí com banana e granola, gostinho de casa! Pra completar o gostinho de Brasil, Maria Gadú estava bombando nas rádios italianas com Shimbalaiê, escutei quase todos os dias.
No último dia estávamos num café quando um rapaz sentou sozinho na mesa ao lado. Ansunel ofereceu nosso menu, ele sentou com a gente e no fim das contas passamos o dia todo juntos. Sentamos no parque e ele tocou violão, sentamos na praça e observamos pessoas, jantamos e trocamos ideias sobre arte, blog, viagens, etc. Californiano de 23 anos, ator, em busca de respostas – como todos nós. E foi nesse jantar que comi minha primeira pizza, Napoli, com anchovas salgadas. Não foi dessa vez.

Roma



No dia seguinte encontramos a Dani e o Patrick e viajamos juntos no trem até Roma. Escolhemos o trem mais lento, porém mais barato. Tive que escolher entre economizar tempo ou dinheiro. A viagem foi longa, mas tranquila na primeira parte. Conversamos, rimos, comemos. Em Orte fizemos conexão pra Roma. Essa última hora de viagem foi: sentada nos degraus da porta do trem, morrendo de calor e tentando não inalar os odores desagradáveis do local.
Nosso hostel (Carlito’s Way) era bem próximo à estação Termini e nos recebeu com boas surpresas: apesar de termos reservado dormitório de seis camas, eu fiquei num quarto com três camas e a Ansunel num quarto privado!
Roma foi fascinante, frenética, quente e cansativa. No primeiro dia, como chegamos no meio da tarde, só fomos à Fontana di Trevi, tomamos sorvete, jogamos nossas moedas. Depois andamos meio sem rumo e vimos a Piazza Spagna – onde tiramos uma foto estilo “Onde está Wally” na escadaria lotada - a Piazza del Popolo e algumas igrejas.
Fizemos compras e encontramos bolo sem glúten para comemorar o aniversário da Ansunel!
A essa altura meus pés já estavam cheios de bolhas, tudo doía e queimei muito no sol, fiquei com marcas horríveis de camiseta. Mas alternei entre o tênis e o chinelo, bebia mais de dois litros de água por dia e ia pra cama cedo.
No segundo dia em Roma, fomos onde eu mais queria: ao Coliseu. Ao sair da estação de metrô lá estava ele: enorme, impressionante, cheio de história pra contar, desafiando o tempo. Tive um daqueles momentos “Não acredito que estou aqui!” Mas estava. Emocionada e boquiaberta. Lindo e grandioso por fora, super interessante por dentro, o Coliseu foi um dos lugares mais marcantes que já visitei. Andamos por lá um tempão, observando as estruturas e os objetos encontrados pelos arqueólogos. Minha imaginação correu solta – Onde os imperadores sentavam? Quem eram os gladiadores? Quem assistia às lutas e espetáculos? Que tipo de intrigas, fofocas e romances aconteciam lá? Será que essa parte caiu ou nunca terminaram? Quem realmente botou fogo em Roma? O Coliseu provavelmente vai durar mais do que muitas construções modernas, a não ser que algo dê errado na construção da nova linha  de metrô... Como ousam cavar túneis numa cidade como Roma? Preciso passar mais protetor solar.
Esse tipo de coisa me intriga muito. Vi objetos que sobreviveram ao tempo: estátuas, moedas, “fichas” de aposta, cerâmicas, ossos, colares, miçangas, etc. Com tudo isso é possível ter uma ideia do estilo de vida dos romanos antigos. Mas minha vontade real é a de ter uma máquina do tempo e, em cada lugar visitado, poder voltar gradativamente ao passado - cem anos, duzentos, quinhentos, mil, dois mil! E assim poder fazer o que mais gosto em passeios: observar as pessoas na rua. Assim como eles próprios faziam, tenho certeza, no Fórum Romano. O centro social, político e religioso de Roma, onde todos iam para ver e serem vistos.
Almoçamos (comi um canelone de queijo delicioso), fomos ao Palatino, nos separamos da Dani e do Patrick e fomos ao Vittoriano – um palácio branco, gigante e moderno (século XIX). A entrada era gratuita, então entramos pra ver a exposição. Havia um corredor inteiro sobre o Giuseppe Garibaldi e como ele lutou e ajudou em várias ocasiões, como no Brasil, onde conheceu a esposa. Nessa hora passaram dois travestis brasileiros reclamando que não havia nada sobre a Anita, nem uma foto!
Na Piazza Navona nos deparamos com um artista de rua e uma multidão considerável. A princípio ele estava engolindo um balão (daqueles de fazer animais) e achei repulsivo, mas mesmo assim ficamos para o próximo ato. Ele escolheu um voluntário espanhol para amarrá-lo numa camisa de força, da qual iria se livrar em três minutos. O mais engraçado foi o cara estar preso na camisa, dando instruções em inglês para o rapaz que não entendia e fazia tudo errado! No fim das contas, amarrado na camisa e enrolado com uma corrente, ele realmente se soltou em três minutos. Adoro artistas de rua. Na mesma praça estavam pintores, desenhistas, uma banda de senhores tocando músicas suaves. Queria ficar ali pra sempre.
Voltamos à Fontana de Trevi pra reencontrar a Maitê e corremos pra pegar o metrô, que parava de passar as 21h. Jantamos perto do hostel – Maitê e eu pizza, Ansunel batata.
No dia seguinte fomos ao Vaticano. Morrendo de calor, mas propriamente vestidas. Encaramos a fila para ver o interior da Basílica de São Pedro, mas desistimos do Museu, onde está a Capela Sistina. Muita fila e muito caro. Eu achava que o Vaticano fosse mais longe do centro de Roma, mas é pertinho e dá pra ir de metrô. É realmente muito pequeno e tive a sensação de que minhas expectativas não foram correspondidas.
Próximo ao Vaticano está o Castelo Sant’Angelo, que já foi mausoléu, moradia, forte e hoje é museu e tem uma área verde bem gostosa ao redor.
À noite fomos jantar na casa em que a Maitê estava hospedada, com o Fábio, host do Couchsurfing. Foi tudo uma delícia: a comida, a conversa, o sorvete, os drinks. Ótima última noite em Roma e começo de depressão de fim de viagem.

Veneza



No trem a caminho de Veneza conhecemos um rapaz indiano-americano viajando com a mãe. Conversamos e jogamos cartas, trocamos ideias e opiniões sobre a Itália, NYC e New Jersey.
Veneza é um charme realmente, mas não há muito para se ver ou visitar e fiquei feliz por ter sido a última cidade. Nós andávamos tranquilamente, meio perdidas e meio seguindo o fluxo de pessoas, tirando fotos, parando nas pontes para observar os barcos e gôndolas, sentando nas praças para tomar um sorvete. Finalmente comi uma pizza deliciosa, no restaurante de um italiano casado com brasileira. Ele veio conversar comigo quando viu meu pedido – Guaraná, que nem estava no menu, mas vi uma latinha na estante e perguntei ao garçon.
A última noite foi ótima: fomos ao Cassino de barco, ouvimos música ao vivo nos jardins e ganhamos champanhe e morangos. Realmente, Veneza é um charme! Na volta paramos num restaurante pra eu comer minha última pasta e a Ansunel ficou brincando com os placemats (aqueles papeis que colocam embaixo do prato, não consegui traduzir, hehe) - desenhando e escrevendo e pediu à garçonete pra nos deixar uma mensagem de despedida, que foi a coisa mais singela: "La bellezza delle piccole cose..."
Viva a linda Itália!








Tuesday, June 28, 2011

Amsterdam



Havia chegado a hora de desbravar e desmistificar Amsterdam – a cidade da liberdade, onde maconha e sexo são permitidos e regulados por lei. Seria outra viagem corrida de fim de semana, pra visitar amigos – dessa vez a Flávia, prima de Vini, que estava morando lá há um mês.
O dia não começou muito bem. Frio, ventania e chance de chuva. Andei até o ponto de ônibus pra pegar o primeiro, às 8:19. Esperei até as 8:45h e nada de ônibus. Voltei pra casa, me agasalhei melhor, avisei que estava atrasada e voltei pra pegar o próximo, às 10:19h (Brincando de Pollyanna, pensando “ainda bem que a passagem não tem horário marcado como a de Paris”).
Nada de carros, nada de pessoas e muito menos nada de ônibus na cidade fantasma! Até que um funcionário da empresa de ônibus passou e me disse que estavam em greve. Fuck, fuck, fuck! How am I gonna get to Brussels? (sim, eu penso em inglês). Minha sorte foi que o meu host estava levando a menina pra aula de desenho, ouviu sobre a greve no rádio, passou e me levou ao metrô – com várias recomendações anti-drogas, haha, igualzinho ao meu pai.
Cheguei a Amsterdam três horas depois do que havia planejado, meu celular não pegava e não achava a Flávia na estação. Perguntei ao rapaz do balcão de informações onde eu poderia fazer uma ligação local e ele me ofereceu o celular dele. Com um bom sorriso e educação vamos longe!
Enfim nos encontramos e começamos meu passeio! O mundo é mesmo uma vila, encontrando conterrâneos do outro lado do Atlântico. Fomos àquelas letras I Amsterdam, tiramos fotos clássicas, no sapato de madeira gigante, canais, casinhas de chocolate, coffee shops, mercado de flores. A impressão mais forte da cidade com certeza é o cheiro de maconha por todo lugar. E a variedade de produtos é impressionante! Biscoitos, bolos, doces, mas só comprei um pirulito para experimentar. É como quando fui a Vegas e só joguei uma vez a roleta, hehe. 
Outra bizarrice é o Museu do Sexo. Há coisas interessantíssimas, quadrinhos, objetos, bolos, fotos, desenhos, pinturas, coisas bem antigas – até um cinto de castidade de verdade! Pouca coisa me choca nessa vida, mas há uma sala no Museu do Sexo de Amsterdam que me deixou boquiaberta!


Voltamos pra casa pra descansar e comer (comidinha caseira brasileira, hum!) e saímos pra dançar!
No dia seguinte fomos ao Red Light District e vi prostitutas de todos os tipos, tamanhos e cores se expondo nas portas de vidro dos quartinhos e muitos, muitos turistas e possíveis clientes andando pelo labirinto que são as ruazinhas lá. Impossível não pensar em quem são essas mulheres e como e por que foram parar lá e também nos clientes que vão dar uma rapidinha às duas da tarde enquanto provavelmente a mulher está no trabalho ou em casa cuidado dos filhos. Passamos ainda por uma loja de camisinhas de todas as cores e formatos - animais, objetos, Estátua da Liberdade (!) e meu comentário é: ?!?!?!?
Então esse foi meu passeio relâmpago a Amsterdam! Mais uma cidade pra lista “Lugares para voltar com mais tempo e dinheiro”. Corri pra pegar o trem, cheguei a Bruxelas e peguei o último ônibus pra casa e experimentei meu pirulito, que além de deixar a boca meio dormente, não faz nada e é gostoso (gostinho de erva, claro)!



Deixem comentários e sugestões abaixo! 

Wednesday, June 8, 2011

J'aime Paris!

   Paris é grande e há muito o que se ver e visitar – inúmeros monumentos, museus, lugares famosos. Ter somente dois dias em Paris é desesperador, mas fizemos o possível. E em meio ao calor, cansaço, preços altos e a multidão de turistas que lotava as ruas, a cidade conseguiu me encantar.
   A viagem de Bruxelas a Paris leva cerca de uma hora e meia, de trem. Cheguei e logo encontrei a Luana - o que foi um alívio porque meu celular não funcionou lá. Pegamos o metrô (3,40 pro dia inteiro, se você tem menos de 26 anos!) e fomos direto ao que interessa – La Tour Eiffel.
   Primeiro a vi de longe, linda com o céu azul e o sol brilhando e tive um daqueles momentos de “Wow! Não acredito que estou aqui!” Andamos em direção a ela, passando por um gramado, fontes, cascatas e estátuas e, quanto mais me aproximava menos acreditava na quantidade de pessoas na fila pra subir. Ainda bem que eu já tinha decidido não perder tempo nem dinheiro (pelo menos não dessa vez). Passamos por baixo da Torre e fomos ao supermercado comprar comidinhas para nosso piquenique – sanduíches, queijo, iogurte, biscoitinhos de côco. Sentamos no parque onde muita gente estava tomando sol, comendo, brincando. Foi uma hora engraçada: primeiro um rapaz de cueca veio conversar com a gente dizendo que era a despedida de solteiro dele e que tinha que conseguir números de telefone de garotas; depois outro cara usando vestido e pantufas corria e gritava no auto-falante: “Vive la vie! Vive la vie!” Achei super fino fazer piquenique ao pé da Torre Eiffel!


   Passamos pelo Hôtel des Invalides, onde o corpo de Napoleão está enterrado - é uma construção linda, com uma abóbada dourada. De lá fomos de metrô até o Arco do Triunfo e tenho que dizer que realmente há algo de triunfo naquele arco! É impressionante e imponente. Andamos pela Champs Elysées e fomos encontrar as meninas (Viktoryia, Karina e Andreza, que vieram dirigindo de Bruxelas) na entrada do Louvre. É legal estar em  lugares que antes só via em filmes, livros e sonhos!
   Deixamos para entrar no Museu no dia seguinte, voltamos ao Arco e Champs Elysées com as meninas, onde vi uma placa dizendo que o inventor Santos Dumont morou lá, e fomos de metrô ao Moulin Rouge (nunca vi o filme, que vergonha!). Outro momento “dã”: descobri que moulin significa moinho, haha! Aproveitamos que estávamos perto e subimos (e quase morri) as escadarias da Sacre Coeur, mas a vista da cidade lá de cima é linda e valeu a pena. Comemos crepe (lógico) e fomos em busca de um café que as meninas queriam muito ver, o Café des 2 Moulins (franceses gostam de moinhos, né!?), do filme O Fabuloso destino de Amélie Poulain (outro para minha lista).

   No dia seguinte nos encontramos com as meninas (depois de umas duas horas procurando o hotel) e fomos de carro a Versailles. Decidimos não pagar para entrar nos jardins porque não daria tempo pra apreciar, mas conseguimos entrar de graça no palácio. Conhecemos o máximo possível em mais ou menos duas horas – puro luxo! Almoçamos, comemos macarons (lógico!) e fomos para o Louvre. Antes de encarar a fila paramos numa das pontes sobre o Sena, onde casais predem um cadeado simbolizando o amor e jogam a chave no rio.
   A fila estava longa porque era de graça (primeiro domingo do mês), mas estava movendo depressa. Faltava menos de duas horas para fechar (claro que o Louvre já estava na minha lista de lugares a voltar com mais tempo e dinheiro). Como todo visitante de primeira viagem, fomos direto na estrela do museu, a Monalisa. Eu já sabia que ela era pequena e nunca entendi a razão de toda a fama, mas ela realmente tem um magnetismo. Vimos também a Vênus e o apartamento de Napoleão – mais luxo!


   As meninas foram embora, eu e Luana comemos algo e encerramos minha visita a Paris!

  Amo viajar e descobrir as maravilhas do mundo, mas também gosto de desmistificar os lugares. Muita gente acha que a Europa é primeiro mundo, que Paris é puro glamour, que as pessoas são melhores. Apesar de linda, histórica e romântica, achei Paris suja, o metrô cheirava a xixi, havia muitos pedintes e imigrantes vendendo bugigangas baratas e até vi uma gangue de adolescentes – meninas – furtando uma turista no metrô. Qualquer lugar tem suas belezas e seus problemas, pessoas bonitas e feias, ricas e pobres, boas e ruins.
   C’est la vie! 

Thursday, April 28, 2011

No Mar do Norte

Nas praias de Knokke-Heist, Bélgica há um costume que me intriga e fascina. As crianças fazem flores de papel crepon e levam para a praia. Lá elas montam uma espécie de loja de flores, onde outras crianças vêm e escolhem qual das flores querem comprar. O interessante é que a moeda de troca são conchinhas, mas não qualquer conchinha achada na areia! As conchas usadas para o comércio de flores são mais difíceis de encontrar e têm que ser brilhantes por fora (como se tivesse uma base de esmalte) e por dentro, nas bordas, têm que ter uns dentinhos, que são sentidos quando se passa a unha. Qualquer concha que não tenha essas qualidades é dinheiro falso! Vi que as crianças sempre verificam e contam as conchinhas antes de completar a troca.
Só quem vive na área ou passa muitos verões lá sabe realmente o valor e o significado desse costume, como a socialização entre as crianças, noções de troca e comércio, etc. Vi lojinhas de todo tipo - algumas bem elaboradas com as flores espetadas num montinho de areia e o preço de cada uma escrito no interior de conchas grandes; observei crianças que não falam a mesma língua fazerem negócio escrevendo o preço na areia com o dedo. Elas escolhem não só as mais bonitas e coloridas, mas as de melhor confecção; ficam felizes quando alguém se aproxima e atentas à chegada de novas famílias que montam suas lojas.
Atividade única e original das praias de Knokke-Heist. Vivendo e aprendendo!

Sunday, April 3, 2011

Sobre ser Au Pair


Au Pair é um programa de intercâmbio em que você mora na casa de uma família, cuida das crianças e faz cursos a sua escolha. É o programa mais em conta, considerando o valor e as vantagens (em um ano você pode viajar e aprender MUITO; você não tem despesas com hospedagem e alimentação e ainda recebe um salário semanal).
Eu fui Au Pair nos EUA por um ano e meio e lá conheci e convivi com muitas Au Pairs, então sei que a motivação e as impressões sobre essa experiência no país são individuais e diferentes. Assim sendo, aqui falo por mim: decidi ser Au Pair nos EUA porque 1) amo  falar inglês e sonhava em viver num lugar onde o inglês fosse falado o tempo inteiro ao meu redor e 2) quero rodar o mundo mas não tenho condições financeiras de mochilar, estudar ou passar férias em outro país (por enquanto).
Foi a melhor decisão seguida da melhor época da minha vida! Não vou entrar em detalhes, mas posso dizer que me diverti horrores, viajei o máximo que pude, conheci pessoas que marcaram minha história pra sempre, aprendi e amadureci. Aprendi principalmente que, quando corremos atrás, trabalhamos com coragem e fé, nenhum sonho é impossível.
Desde então muita gente me procura perguntando sobre a minha experiência e pedindo conselhos. Tudo o que tenho a dizer é: tá esperando o quê, aproveita a chance, o momento e bote o pé na estrada!
Para ir aos EUA como Au Pair é preciso uma agência. É através dela que você vai organizar toda a sua documentação e encontrar uma família. É também a agência que vai te dar suporte enquanto durar seu programa. Eu fui pela Cultural Care Au Pair e não tenho nada a reclamar. Mas há muitas outras, entre elas a CI, Au Pair in America, STB, Au Pair Care, etc. Você tem que se encaixar em alguns requisitos como: ter experiência com criança (número de horas varia pra homem e mulher. Sim, homem também pode!), carteira de habilitação, inglês intermediário e até 26 anos.
Por outro lado, para ser Au Pair na Europa não é necessário agência e a idade varia entre os países (máximo de 29 anos na França, se não me engano). O programa não é regulamentado por todos os governos (Espanha, por exemplo), então você pode ir com a cara e a coragem e conseguir um emprego de babá, mas pra ser Au Pair mesmo, com visto adequado, tem que checar os países certos de acordo com seus interesses culturais e linguísticos (pelo menos esses são meus interesses). O processo e os critérios são parecidos com o dos EUA nas agências. Agora para quem decidir ir por conta própria, existem sites comos o aupair-word.net em que você faz um perfil e procura por famílias. É meio arriscado, você tem que ficar mais antenada e se precaver pra não cair em cilada de família maluca, mas a maioria das meninas que vão pra Europa é sem agência mesmo e dá certo (uma boa dica é conversar com as Au Pairs anteriores a você). Então você tem que conversar muito com eles, organizar toda documentação necessária para visto, comprar passagens (dependendo do acordo com a  família). Os sites das embaixadas e consulados e até grupos de discussão nas redes socias (Orkut, Facebook) ajudam muito nesse processo.
Acho que é isso. Gosto muito de ajudar e motivar os sonhadores como eu. E posso dizer pra terminar que ser Au Pair é MUITO mais do que ser babá e é por isso que vou encarar essa aventura pela segunda vez!

Thursday, September 2, 2010

Aqueles que nascem pra viajar deveriam nascer preparados pra saudade. Mas as boas coisas da vida, as que deixam memórias e ensinamentos não são fáceis. Vivi em outro país por 18 meses, aproveitando cada dia, mas sentindo falta do meu lar, da minha família. Voltei, e agora sinto falta dos amigos de lá, dos lugares que visitei, do sentimento de novo.
A vida é feita de ciclos e todos precisam chegar ao fim para que se comecem os novos. Estou aberta ao novo ciclo, sendo melhor ou pior, mais ou menos complicado. Ele fará parte da minha história, da minha jornada e de quem eu sou.
Quanto a saudade, talvez um dia me acostume, mas nunca será fácil.

Thursday, July 22, 2010

I dream everything I have fits in a backpack...

I lived in the US for 18 months, day by day, thinking this moment would take longer to come, that it was in a very distant future. But it’s here. It’s time to pack and go home. And those are two scary – for lack of a better word – things to do. I’m not a great shopper, and I really don’t mind getting rid of things (if it’s not my books) so I shouldn’t have had problems. But it turns out a year and a half made me have a lot of absolutely necessary stuff.
I’m trying to be cool about all this, but each drawer emptied is like a Pandora box of surprises and memories (like the winter boots that are so warm and cute and I have no idea when I’m going to see snow again! Not to mention how the heck I’m going to fit them in my suitcase?). Now I look at my (ex) room and it’s so empty, impersonal, ready for the new AuPair to take her place.
I do my chores thinking it`s only one more week to go and then I`m not an AuPair anymore. I`m just Ana. One more week… and I`ll miss these wonderful kids so much!
I came here to find myself. Yeah, that`s a damn ambitious thing to do in 18 months. I thought I could figure everything out and go back home absolutely sure of who I am and what I`ll do. Guess what? That`s not how life works. I lost myself in lazyness and fun. But also in great trips and friendships. It was worthy. I allowed myself to have the time of my life.
I don`t even need to mention how much I grew mature and independent. Stronger, but in some ways, more sensitive. Being away messed my heart up!
As I try not to think too much of how I`m going to miss the friends I made, the lifestyle I got so used to and try not to feel that going home is a step back in my life, I go in practical mode, researching – jobs, universities, opportunities. I think about my book, about seeing my family and old friends. I think, think, think and I wish there was a little button to switch it off.

(Ana Elisa)