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Wednesday, September 9, 2009

O casamento

Não se casaria. Nunca cometeria tamanha asneira. Casar-se? Estruturar toda uma vida ao lado de alguém para vê-la ruir pelo quase inevitável divórcio? Ver o encanto desaparecer após os primeiros três ou cinco anos... e ver seu casamento sendo arrastado por longos e preciosos anos de sua vida como fizeram seus pais? Acordar ao lado da mesma pessoa todos os dias, toda descabelada, cara amassada e sem escovar os dentes? Ver seu lindo namorado - agora marido - ficar mais gordo a cada dia que passa, tomando cerveja e assistindo futebol aos domingos? Ver-se transformada ao mesmo tempo em empregada doméstica, mãe do próprio marido e amante sensual? Preferiria o simples papel de namorada. Ou de nada. Estaria muito bem sozinha. Obrigada.
Certa vez leu um negócio mais ou menos assim: não me caso, porque não preciso. Tenho três bichinhos em casa que substituem perfeitamente um marido: um cachorro, que rosna de manhã, um papagaio, que fala palavrão o dia inteiro e um gato, que volta de madrugada para casa... Triste realidade.
Tentava se lembrar se chegou a conhecer algum casamento realmente feliz... Não lhe ocorreu absolutamente nenhum. Alguns andavam até mais ou menos, mas nada que imite a felicidade mesmo. Amor? Tentava imaginar entre quais brigas - ou contas a pagar - este belo sentimento havia se perdido. Afinal, o que acontece com as pessoas quando colocam aquela aliança no anular esquerdo?
Este seria o século em que a família seria destruída. O que aconteceu com aquelas famílias grandes, unidas e felizes? O que aconteceu com as bodas de prata, ouro, platina?
Formar uma família... Ter filhos... Primeiro eles te deixam gorda e feia pra sempre e seu marido não te deseja mais como antes. Depois eles choram a noite toda e acabam de vez com a sua vida amorosa. Depois ainda te chamam de antiquada e careta pelo resto da vida e fazem exatamente o contrário do que você tenta ensiná-los.
Tinha pavor de tudo isso. Amava sua vida de jovem solteira. Realmente, tinha nascido pra ser titia. Nunca cometeria tamanha asneira.
Mas então, o que mudou? O que aconteceu para ela estar ouvindo aquele discurso “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença até que a morte os separe?” e dizendo um sim diante do padre neste exato momento? Ora, no fundo, no fundo, toda mulher sonha em entrar na igreja de véu e grinalda, em ter seu “lar, doce lar”. E, afinal, ela estava amando... e havia pressa em se casar antes que a barriga começasse a crescer.
(Ana Elisa)