Saturday, April 18, 2009

Este momento

Você já parou para pensar que neste exato momento alguém em algum lugar no mundo está escrevendo sobre o que os outros podem estar fazendo naquele momento, enquanto outra lê um jornal, coça o nariz, assiste tv, estuda para a prova de anatomia (ou geografia, inglês, química, fonética, física, historia, psicologia, literatura, matemática, antropologia, bioquímica...). Alguém aí do seu lado pode estar tocando violão, navegando na internet, sorrindo, chorando, brigando, dormindo, te beijando, comendo um sanduíche, espirrando, tropeçando ou ate falando mal de você. Alguém, em algum lugar deste planeta (ou fora dele) pode estar se casando, se separando, tendo um filho, encontrando o amor de sua vida, nascendo, morrendo, viajando, dançando, trabalhando, roubando, decidindo onde vai passar as férias ou o futuro da nação. Enquanto isso, outros tomam banho, batem papo, assistem novela, explodem bombas, fazem orações, caminham, sentam na praça, passam batom, apanham, preparam o jantar, esperam o namorado, comemoram, lamentam, fogem de casa, sonham, tiram fotos, costuram, fazem caretas, sobem e descem escadas. Colocam silicone, cortam os cabelos, gritam, cantam, dançam, tomam veneno. Mulheres fazem as unhas, escovam o cabelo, ficam grávidas, menstruadas, se depilam, se decepcionam, se maquiam, vendem seus corpos, cuidam da casa, matam seus filhos, reclamam da vida, amamentam, são promovidas, são amadas. Crianças, brincam, pronunciam sua primeira palavra, choram, mamam, aprendem a andar, a ler, a escrever, desenham, correm, pulam, se balançam, fantasiam, pedem colo, trabalham, passam fome, provocam encanto, piedade. Do outro lado do mundo alguém pode estar te esperando, andando de bicicleta, de carro, de avião, de moto, de patins, skate, asa-delta, pára-quedas, caminhão, ou simplesmente a pé, olhando pro chão, colhendo uma flor e oferecendo-a à pessoa amada. Ao mesmo tempo, o seu vizinho ali do lado conta uma piada, solta um pum, frita um ovo, atende o telefone, mata uma barata, escova os dentes, pinta um quadro, quebra um copo, admira o pôr do sol, toma sorvete, pede carona, solta a voz num karaokê, faz uma surpresa, pula um muro (ou uma cerca), faz massagem, rega as plantas, passeia com o cachorro, espera o ônibus, limpa os óculos, faz xixi, masca chiclete, salva o mundo, tropeça na pedra que havia no meio do caminho, machuca o joelho e solta um palavrão, arranca um dente, escreve um livro, vai ao cinema, dá um show, gasta dinheiro, empresta dinheiro, ganha dinheiro, pede dinheiro, dá dinheiro, vira pro lado e fuma um cigarro, dança uma valsa, faz aniversário, arruma o armário,enterra um parente, faz fofoca, pede perdão, se abraça, sente saudade, ódio, frustração... E você aí, vendo o tempo passar e reclamando da falta do que fazer!
(Ana Elisa)

Monday, March 30, 2009

I'm really in the mood for this one today...

Alma gêmea

Percebera que de uns tempos pra cá os amigos não discutiam outra coisa. E não é que fossem um bando de infelizes e carentes de plantão. Achavam apenas que este era um dos grandes mistérios da humanidade, depois do “de-onde-viemos-porque-estamos-aqui-e-para-onde-vamos?”.
Por que as pessoas se divorciam tanto? Por que não permanecem juntas, tendo filhos, netos e bisnetos para um dia, velhinhos, tirarem uma daquelas fotografias em que todo mundo se espreme para aparecer?
Por que as pessoas hoje são tão egoístas, só pensam em suas carreiras, seu futuro, seu dinheiro? São tão estressadas e ansiosas, não têm tempo nem pra prestar atenção nos outros!A ala conservadora, que ainda possui um fio de esperança e romantismo, prefere acreditar que existe sim a tão falada alma gêmea. Só não sabem onde ela se esconde. Vivem uma busca incessante por aquela pessoa que os completa e chegam a olhar pra desconhecidos na rua e pensar: Será que é você?
Alguns defendem a ideia de que é simplesmente impossível. Se tiver que existir uma mulher para cada homem ser feliz, alguém lá em cima não sabe fazer conta. Esta é a teoria da ala liberal, dos que já desistiram do amor.
Certa vez resolveram fazer um estudo de caso rigoroso por que a alma gêmea de ninguém ali tinha aparecido ainda. Ou tinha aparecido e ido embora de vez. A primeira cobaia foi a Carlinha. Na adolescência o primeiro namoradinho foi enxotado de casa pelo pai dela. Mau começo. Alguns anos e casos sem importância depois, namorou exatamente um ano e terminou com o rapaz só porque ele esqueceu o aniversário de namoro e foi assistir a uma final qualquer de futebol.A Vera era exigente demais. Nunca fixou um relacionamento. Uma vez era porque o cara torcia pro Cruzeiro e ela pro Atlético, outra era porque ele gostava de jiló. Outro lá ouvia música sertaneja no volume máximo. Teve um que calçava 36. “Pés de moça”, dizia ela. Uma vez, um garoto de 17 anos se apaixonou por ela. Mas tinha 17 anos, ora! Uma vez, ela se apaixonou perdidamente. Mas ele tinha 43 e era casado.
E discutiam:
- Mas tem que existir alguém! Nós temos que saber é procurar!
- Olha só, pensa comigo: existem milhões de homens no planeta, certo? Certo, mas se a gente descontar os gays, os sacerdotes e seminaristas, os casados e comprometidos, os criminosos, os menores de 20 e maiores de 50, os galinhas e os da categoria insuportável, nossos amigos, primos, tios, irmãos, pais, avôs... Sobra o quê?Para os homens é supostamente mais fácil, por causa da oferta. Mas a maioria deles é liberal. As mulheres andam migrando pra ala liberal ultimamente, mas por trás deste discurso de independência ainda sonham com marido, cinco filhos, cachorro e papagaio.
Argumenta-se ainda que você mude com o tempo e suas exigências em relação ao outro também mudam. Por isso, não é uma única pessoa que vai te satisfazer pelo resto da vida.
Uma noite na casa do Léo, chegaram à conclusão de que seria impossível concluir alguma coisa desse debate. Tudo só não terminou em pizza, porque a pizza já tinha acabado. E o vinho também.
(Ana Elisa)

Saturday, March 21, 2009

Qualquer dia desses

Qualquer dia desses eu vou sair por aí. Chutar pedras na rua e perguntar: “O que foi? Nunca me viu?”. Vou sair por aí e não vou sorrir pra ninguém, nada de boa tarde, boa noite, bom dia, oi-como-vai-tudo-bem-obrigado. Porque nada vai estar bem quando eu sair por aí assim. Qualquer dia desses eu vou gritar com você na rua, eu vou mandar você para aquele lugar, porque de vez em quando dá vontade, viu. Qualquer dia desses eu vou sair por aí e andar no meio da rua, os carros que desviem! Vai começar a chover e eu não vou me esconder, não. Eu vou é cantar a noite toda na rua até você chegar e me abraçar, porque de vez em quando é bom, viu.
Qualquer dia desses eu vou sair por aí, vou bater na porta da sua casa e te levar comigo. A gente vai embora daqui e nunca mais volta. Ou volta se der vontade. Vem, vamos logo! A nave está esperando e a lua está cheia. Um dia desses eu ainda paro o relógio da vida e todo o tempo do mundo vai ser nosso. Não se preocupe, não haverá mais trabalho, chefe, prazo, telefone, família, vizinhos. Qualquer dia desses só haverá nós dois. Eu e você, você e eu. Se for só eu não dá certo. Então se prepara, porque qualquer dia desses eu te pego pra mim. E não vai ter mais jeito, você vai ser meu pra sempre. Qualquer dia desses.
Vou sair por aí um dia desses e entrar num ônibus. Vou chorar e rir ao mesmo tempo e ninguém tem nada a ver com isso. Vou parar em um lugar que nunca vi na vida, mas que tenho certeza que é o meu lugar. E vou estar sozinha, porque esse lugar é só meu. Vou pintar os lábios e as unhas de vermelho, pra combinar com o vinho. Vou sair e vou ver o sol nascer dentro de mim. Daqui de cima a vista é linda demais. E você não vai estar comigo. Porque teve medo.
Um dia... pode ser amanhã, ou depois, ou depois... vou comer um quilo de sorvete sozinha, pensando em você. Vou explodir e em cada canto do mundo vai ter um pedacinho de mim. Procurando por você. Vai ficar mais difícil, né?! Qualquer dia desses você vai sair por aí e não vai mais voltar. Porque você me encontrou. Qualquer dia desses... hoje não.
(Ana Elisa)

Thursday, March 12, 2009

Saturday, March 7, 2009

Mini Saga

Eles são muito diferentes. Entretanto, parecem feitos um para o outro. Ele, carente e solitário. Ela, extrovertida e solícita. Ele só a visita quando tem vontade. E ela está sempre lá. Ele pode tê-la inteiramente para si, sem muito dar. Por isso, não consegue mais viver sem a internet.

(Ana Elisa)

Saturday, February 28, 2009

Medos...

Tinha medo de...
Meu medo era ir pra escola. Não sabia o que se fazia lá naquele lugar. Não sabia o que iria acontecer comigo. Não sabia nada. Tinha medo. Até que um dia, fui. E nunca mais parei. Passei a ter medo de algumas professoras, aquelas que tinham cara de brava. Me davam pesadelo à noite. Ficava quietinha durante a aula, pra não chamar atenção. De vez em quando, ou melhor, quase sempre, eu tinha medo de fazer prova, de tirar nota ruim, de dizerem que eu era burra. E eu não era burra. Só medrosa. E chorona. Tinha medo de chegar atrasada, de fazer pergunta na aula e, principalmente, eu tinha medo dos meninos. E das meninas maiores. Essas foram minhas únicas preocupações por um bom tempo.
Eu tinha (e quem não tem?) medo de escuro, medo da noite. Quando ia dormir, apagava a luz e corria depressa pra cama. Uai, vai que tem alguma coisa lá em baixo. Eu é que não ia arriscar. Me embrulhava toda na coberta e ficava quietinha até dormir.
Morria de medo de ir à parte funda da piscina, de balançar forte, de subir na gangorra e cair, me machucar. Tinha medo de gente doida, de bêbado, de fantasma, mulher de branco, tarado, ladrão, bicho papão, cuca, lobisomem. Hoje tenho medo de gente normal. Até de mim mesma.
Temia não passar no vestibular. Esse foi um dos maiores nos últimos anos. Depois veio o medo de não arrumar emprego. E o que sempre está aqui e sempre estará. O medo do futuro, do desconhecido. Nunca se sabe o que a vida lhe reserva lá na frente. Isso dá uma insegurança. Você acha que controla alguma coisa, mas você não manda em nada.
Hoje os medos evoluíram. Um grande medo é ficar sozinha. A solidão assusta, não acha? Também tenho medo do tempo. De ficar velha. Tenho medo de engordar. Medo que meus filhos me chamem de coroa, de careta. Medo de me tornar uma adulta mesquinha, rancorosa e ranzinza. Tenho medo de ficar doente, de ficar careca. Tenho medo de não poder viajar nas próximas férias.
E você? Tem medo de quê? Você pode até ter medo de lagartixa, só não tenha medo de viver. Nem de morrer. Não tenha medo de amar, nem de ser ridículo. Não tenha receio de sonhar. E realizar seus sonhos. Grite, ame, cante, dance, corra, ande na montanha russa, vá à parte funda da piscina, pergunte, curta o escurinho. Não tenha medo da vida. Tema o arrependimento.
(Ana Elisa)

Sunday, February 15, 2009

"Cause we all live under the same sun
We all walk under the same moon
Then why, why cant we live as one
Cause we all live under the same sky
We all look up at the same stars
Then why, tell me why cant we live as one"
(Scorpions)

Saturday, February 14, 2009

Duas semanas

E entao, duas semanas se passaram desde quando me despedi de minha familia na rodoviaria de Montes Claros. Minha irma e minha mae chorando me cortaram o coracao (pq os homens da familia nao choram.) Eu, desesperada, apavorada, indo para Sao Paulo sozinha, sem a minima ideia do que fazer quando chegar (cidade grande ainda me assusta, sou caipira mesmo, viu!). Mas quando cheguei logo vi os taxis na rodoviaria e fui direto pro aeroporto, onde fiquei esperando horas...
Enfim, quando o pessoal chegou foi otimo, so festa, ficamos conversando, fizemos check in (uma das muitas palavras novas do meu vocabulario e tb uma das muitas primeiras vezes q vem acontecendo em minha vida ultimamente.), embarcamos e eu estava tao nervosa sobre outras coisas que nem tive medo do aviao (outra primeira vez)
O treinamento foi otimo, a escola e maravilhosa, conheci gente do mundo todo e o grupo brasileiro e tudo de bom, nos divertimos muito (saudades gente!). no segundo dia nevou, so ficamos tirando foto e passando frio, rsrs.
NY!!!!!! Nossa, nem da pra acreditar que estavamos la, vendo tudo que so viamos pela tv... nao da pra descrever a emocao!
A chegada na familia nao foi nada glamouroso, mas aconchegante. Minha familia nao e rica, meu quarto nao e de princesa, o carro que dirijo nao e chique, mas a familia faz de tudo por mim e as criancas sao super educadas e maduras para a idade.
E uma mistura de sentimentos, alegria, saudades, duvidas, tensao, expectativas, cansaco... Mas, sim, estou feliz!!

Thursday, January 22, 2009

About a dream

Um sonho de verdade nunca morre. É a ideia (olha o acordo ortográfico!) mais maluca que se pode ter, mas que nunca sai de sua mente e de seu coração. Foi assim comigo até que me rendi. Tomei a decisão e hoje estou prestes a realizar uma das maluquices que habitam minha cabeça.
Morar em outro país é um sonho desde quando me apaixonei pela língua inglesa – há mais de dez anos e, ultrapassando todas as dificuldades, o programa Au Pair tornará tudo possível.
O primeiro passo foi aprender a dirigir (depois do fracasso da motocicleta precisei de muita força de vontade pra voltar pra autoescola). Todos temos nossos pontos fracos, não é? Então, já sabem o meu. Achei que nunca seria capaz de aprender a dirigir e passar no exame, mas Deus sabe o que faz e no decorrer desse caminho aprendi a confiar e a entregar tudo em Suas mãos. Segunda tentativa, acho que nem era eu dirigindo!
Habilitação em mãos, um passo de cada vez: preparo e entrega de dossiê, perfil online, muita ansiedade e oração pela família perfeita, contatos, match! Foi a primeira família e gostei de cara. Perfect timing!
Visto: meu Deus do céu, quanta ansiedade! Primeira vez em São Paulo, lá vou eu pro Consulado, aquela fila imensa (total de cinco horas de espera). Entrevista? Nem dois minutos (Você fala inglês? Onde estudou? O que vai fazer quando seu programa acabar? O que seu pai faz? Pague a taxa e boa viagem!). E eu ainda ousava duvidar que Deus está no comando! De brinde ainda ganhei o Carlos Casagrande (feio, rsrs) sentado perto de mim.
Me despedir do primeiro emprego, onde fiquei três anos e meio não foi fácil, mas sinto que preciso dessa ruptura, dessa mudança em minha vida.
Agora estou aqui na contagem regressiva, fazendo as malas, me preocupando com o peso das mesmas e com o frio que está lá!
Espero que esse ano me traga muito aprendizado, segurança e autoconhecimento!
Certa vez ouvi o Zé Ramalho declamando:
"A defesa é natural.
Cada qual para o que nasce,
cada qual com a sua classe,
seus estilos de agradar.
Um nasce para trabalhar,
outro nasce para a briga,
outro vive de intriga
e outro de negociar.
Outro vive de enganar.
O mundo só presta assim:
é um bom, outro ruim,
e outro tem jeito para dar.
Pra acabar de completar,
quem tem o mel, dá o mel.
Quem tem o fel, dá o fel.
Quem nada tem, nada dá."
Sabedoria de violeiro!

Wednesday, January 21, 2009

Ana Elisa, 22 anos, mineira, formada em Letras, professora, aspirante a escritora e tradutora, au pair. Palavras que me descrevem mas não me limitam. Sou normal. Sou neurótica. Amo estar sozinha, temo a solidão. No universo da busca pelo corpo perfeito, caio de boca nos prazeres da cozinha e da literatura. Sonho alto. Tenho fé, mas tenho medo. Quero abraçar o mundo, falar todas as línguas e conhecer todas as maravilhas criadas por Deus e pelo homem. Quero tudo ao mesmo tempo aqui e agora. Mas estou aprendendo a dar um passo de cada vez e não tropeçar. Fico na paz, fico na minha. Observo tudo com olhos curiosos e mente aberta. Sou uma estranha na terra do axé, da farra e da sensualidade. Uma louca que passa férias lendo grossos livros e vendo DVDs repetidos. Uma jovem mulher que passa meses sem cabeleireiro ou manicure e que sofre pra fazer compras. Sou aquela que adora supermercado e tem mania de organização. Ansiosa, perfeccionista. Gosto do meu espaço, das minhas coisas, do meu tempo. Esta sou eu, sob UM ponto de vista - ainda em construção - o de dentro.