Monday, September 12, 2011

Luck of the Irish!




Eu havia passado a semana toda preocupada com o horário do voo, porque estava em Knokke e demoraria umas duas horas pra chegar ao aeroporto. Calculei tudo direitinho e me tranquilizei com o pensamento de que se tudo desse certo, se o trem ou o ônibus não atrasassem eu chegaria a tempo para o check-in.
Pra começar o dia bati a porta do guarda-roupa na testa, mas me recusei a interpretar aquilo como um mal sinal. Peguei o primeiro trem da manhã em Knokke às 07:06h que teoricamente chegaria em Bruxelas às 08:33h e eu pegaria o ônibus para o aeroporto às 9h. O trem parou em Brugge, como sempre, mas demorou mais que o normal. Quando resolvi sair e perguntar, havia um problema no freio e estávamos atrasados 15 minutos! Essa é a minha sorte... fui rezando e mentalizando o resto da viagem, chegamos na estação às 08:50h e corri para encontrar o ônibus (se eu perdesse o de 9h o próximo seria só em 30 minutos). Corri de verdade, com mochila nas costas e tudo. Cheguei ao ponto e o ônibus só sairia às 09:15h, mas o motorista disse que o trajeto leva 40 minutos e domingo de manhã ainda menos. Aí sim, relaxei. Já havia olhado o mapa do aeroporto e sabia que era pequeno, que os guichês de check-in da Ryanair são logo na porta e a segurança é logo depois. Chegaria antes das 10h para meu voo das 10:50h.
Como Maitê havia me falado, a Ryanair sempre atrasa, ou nunca fecha o portão 30 minutos antes do embarque como diz o cartão. Tanta gente em pé, na fila esperando e demora, demora, depois muda o voo de portão e embarcamos 5 minutos antes do horário de decolagem. Mas enfim eu estava a caminho de Dublin!
Essa foi uma viagem completamente sem planejamento. Queria ser surpreendida pela Irlanda e aproveitar a compania de Vinícius. Encontrar alguém da sua cidade, da sua faculdade, na Europa não tem preço!
Chegando lá passei pela imigração, ganhei um carimbo (eba!) e logo encontrei Vini na área de espera. Pegamos um ônibus e fomos para o centro da cidade.
Logo de cara adorei o sotaque, que apesar de ser difícil de entender às vezes, é bem interessante. Estava feliz em estar em um lugar onde entendo a língua. Também fiquei fascinada pelo Gaélico, que se vê nas placas, sinais e até se escuta em alguns lugares. Soube que é ensinado às crianças nas escolas e achei fantástico a preservação das raízes do povo irlandês.
Andamos um pouco pela rua, passamos por um jardim lindo chamado Remembrance Garden, onde há uma fonte e uma piscina em forma de cruz, vários monumentos e estátuas e o mais novo símbolo, o Spire, que parece uma agulha gigante. Nessa avenida fiz minha primeira refeição irlandesa: fish and chips, claro! Estava gostoso, apesar de não ter tempero nenhum, fica bom com sal e limão. Nessa hora passou um mega desfile Hare Krishna, com carro alegórico e tudo e o pessoal cantando.
Depois ele me mostrou mais do centro, alguns lugares q eu já tinha visto por fotos, como o Poet’s Corner, que é um bar de paredes verdes com fotos e citações de poetas famosos como o Bernard Shaw e o Yeats.
A Trinity College é a faculdade mais tradicional da Irlanda, fundada no século XVI e fica bem no centro de Dublin. Passamos por lá rapidamente, tiramos fotos e continuamos o passeio. Vi a estátua da Molly Malone, que possui várias lendas e histórias, uma delas diz que ela era prostituta a noite e vendia peixes de dia. Há várias canções e paródias sobre a Molly e dizem que tocar nos seios dela dá sorte, haha!
Vários artistas de rua se apresentavam durante o dia – alguns muito bons, talentosos de verdade! Eu adoro arte de rua e sou capaz de ficar horas assistindo, mas havia muita coisa pra se ver. Fomos ao Stephen Green’s Park, onde havia uma exposição/feira de fotografias. Esse parque é no caminho do hostel, então passei várias vezes por ele e às vezes sentávamos um pouco curtindo a paz e a natureza.
À noite fomos aos famosos pubs na região do Temple Bar e tomei minha primeira Guinness (um copo de quase meio litro!). É escura, cremosa, adorei a textura e não é forte.
No dia seguinte fomos à Biblioteca da Trinity College ver a exibição do Book of Kells – um manuscrito ilustrado do Novo Testamento, em latin, feito por monges entre os séculos VIII e IX. Eles contam a história de como e onde foi feito, mostram técnicas de escrita em pele de ovelha e estilos de letras. E no final podem-se ver os livros. Porém o que mais me impressionou foi a biblioteca. Pena que não pude tirar fotos lá dentro, porque não consigo explicar como é linda e impressionante e muito menos a sensação que tive lá dentro. Só posso dizer que me deu vontade de sentar e ficar lá o dia inteiro.
Pegamos o trem e em mais ou menos 40 minutos estávamos em Killiney, onde supostamente moram o Bono Vox e a Enya. Independente dos famosos, o lugar é lindo, fica no litoral, caminhamos por ruas cheias de árvores e flores, subindo a montanha, até chegar ao topo e ter uma vista panorâmica maravilhosa. Estava frio, ventando forte e choveu um pouco, mas a sensação lá de cima é inexplicável, a Irlanda realmente tem uma magia, uma energia boa. A porta da casa do Bono é cheia de mensagens de fãs (vândalos!) e quando Vini estava parado perto do portão pra eu tirar uma foto alguém falou no interfone e nós fomos embora. Passamos o resto do dia pensando: e se fosse o Bono, se ele estivesse de bobeira, a gente puxasse um papo e acabássemos conhecendo ele? Nunca saberemos...
Também foi em Killiney que tomei a melhor sopa de cogumelo da minha vida! Depois de subir por ruazinhas desertas e cheias de curvas demos de cara com um restaurante (enviado por Deus na hora mais propícia, em que eu não aguentava mais de fome hehe).
As igrejas são um espetáculo à parte e não preciso nem comentar sobre a Saint Patrick’s Cathedral. Foi emocionante estar no coração da fé católica irlandesa, com tanta história e tradição. Os museus também tem seu lugar. Fui aos de entrada gratuita: Museu de História Natural, National Galery of Ireland (há obras de Picasso e Van Gogh), exibição sobre o poeta William Butler Yeats na biblioteca, passamos pelas casas do Oscar Wilde, Francis Bacon e no final fui à Dublinia (exposição sobre os Vikings e as origens de Dublin, baseada em escavações feitas na cidade).
Por fim, coisas que me chamaram a atenção foram os souvenirs e as joias em estilo celta. Primeiro: nunca vi lembranças tão bem feitas e baratas em nenhuma outra cidade, me deu vontade de comprar tudo! Os trevos, as ovelhinhas, os duendes, as camisetas fazendo piada com o clima da Irlanda. Segundo: as joias de prata com tema celta são simplesmente lindas! Comprei um livro - Heroes, Gods and Monsters of Celtic Mythology e estou adorando as estórias de força, lealdade e honra. Luck of the Irish!

Wednesday, August 24, 2011

Meditar

Estou participando pela segunda vez do Chopra Center 21-day Meditation Challenge. No fim da primavera aceitei o desafio proposto pela amiga Giovana, porque queria mais foco e disciplina na minha prática. Agora, no fim do verão, recebi novamente o convite do Chopra Center.
Todos os dias recebo um link via email para uma meditação guiada, com duração de 12-18 minutos. Gosto de fazer antes de dormir, porque me acalma e me faz pensar coisas amenas, porém importantes. Nesses 21 dias estamos meditando sobre três questões vitais: Quem sou eu? O que eu quero? Qual é o meu propósito? 
São questões universais, que a maioria de nós passa a vida tentando responder - talvez sem sucesso - mas que pode ser guia para o auto-conhecimento e para viver cada dia em busca de algo melhor.
Hoje é o dia 10, mas quem se interessar ainda pode começar e também acessar os dias anteriores no site https://www.chopracentermeditation.com/bestsellers/meditation_summer/register.asp. (em inglês)

Namastê!

*

I am participating for the second time in the Chopra Center 21-day Meditation Challenge. In the end of Spring I accepted the invitation by my friend Giovana because I wanted more focus and discipline in my practice. Now, in the end of Summer, I was again invited by Chopra Center.
Everyday I receive a link via email to a guided meditation that lasts approximately 12-18 minutes. I like to do it before going to sleep, because it calms me down and gives me important but soothing thoughts. We are meditating about three vital questions: Who am I? What do I want? What's my purpose?
They are universal questions, that most of us spend a whole life trying - maybe unsuccessfully - to answer but that can be guides for self-awareness and for living each day in pursuit of the best.
Today is day 10, but if you're interested you can still start and also access previous meditations on https://www.chopracentermeditation.com/bestsellers/meditation_summer/register.asp.

Namaste!

Wednesday, August 17, 2011

La bellezza delle piccole cose...


Toscana



A preparação para a viagem foi longa: li, pesquisei e planejei o que pude. Mas quando chegou a hora de ir a ficha não tinha caído! Estava mais preocupada com a longa viagem de carro e com as crianças, mas eles lidaram muito bem com tudo: dormiram, brincaram, escutaram música, não reclamaram nem pediram pra ir ao banheiro o tempo todo – melhor que muitos adultos.
Meus hosts se revesaram ao volante e eu fui atrás com as crianças escutando música e lendo Fly Away Home. Paramos em algum lugar da Alemanha pra comer e vimos um arco-íris completo, lindo, até sombra tinha! Dormimos em um hotel na região montanhosa de Innsbruck, Áustria e nem preciso dizer que foi apaixonante, me senti no topo do mundo!
Ficamos num lugar chamado Colline San Biagio, que foi um mosteiro no século XIII e hoje é uma villa, uma espécie de hotel fazenda. Só a família do meu host ocupou o lugar inteiro! Éramos ao todo 15 pessoas. A casa fica no topo do monte e tem uma vista linda das cidadezinhas em volta. A paisagem da Toscana me lembra muito Minas Gerais: as serras e montes, a vegetação, as casas e as pessoas. Andar ao ar livre era uma experiência de sentidos: os cheiros acentuados das ervas, das flores e frutas, das refeições sendo preparadas em cada casa, do café... o sol ardendo na pele, os sinos das igrejas.
Os dias foram longos e preguiçosos e se resumiram a piscina, comida, sono. Em uma semana só saímos de lá um dia (chuvoso) e fomos a Lucca, que dizem ser a cidade mais bonita da Toscana, mas não consegui ver ou conceber que tipo de beleza (talvez por causa da chuva). Nós mesmos organizávamos as refeições e devo admitir que não perdemos pra nenhum hotel!

Florença



No sábado todos saíram cedo pra evitar o trânsito, mas um dos casais foi mais tarde e nos levou até o hostel em Florença. Isso foi perfeito, porque eu ainda não estava em modo viajante, não fazia ideia de como chegar lá! O hostel 7 Santi foi bom o suficiente – depois de várias experiências em hostels, aprendi a não esperar muito e a ter a mente aberta às vantagens. O quarto tinha 10 camas e estava lotado, mas era espaçoso e o pessoal era tranquilo. A primeira noite foi difícil, com a música alta vindo de outro quarto e pessoas chegando de madrugada, batendo nas portas e gritando. Não dormi bem. A localização era boa, fomos a pé a todos os lugares nos dois dias. Tudo bem, eu quase morri de tanto andar, mas é ótimo pra ver as praças, estátuas, igrejas, etc. Ficávamos um pouco perdidas e, de repente, dávamos de cara com algo inesperado e lindo.
Primeiro andamos até o rio Arno, cruzamos uma das pontes e subimos até a Piazzale Michelangelo, de onde se tem uma vista panorâmica maravilhosa de Florença. Andamos mais por lá, encontramos uma igrejinha onde dois casamentos estavam acontecendo (com direito a latinhas amarradas no carro dos recém-casados e tudo!)
Depois da visão panorâmica, foi impossível tirar fotos apresentáveis – as construções são enormes e as ruas estreitas demais, fora o tanto de gente amontoada nos mesmos lugares. Visitamos os pontos turísticos: Il Duomo – uma das maiores cúpulas do mundo, na Basílica di Santa Maria del Fiore; a Ponte Vecchio – a mais velha da cidade, cheia de joalherias; o Palazzo Pitti – não entramos pra ver os Jardins Boboli, mas também é bonito por fora; o Palazzo Vecchio – na Piazza della Signora, onde se encontram várias estátuas e réplicas (como o David de Michelângelo); a Galeria degli Uffizi etc, mas não entramos em nenhum museu ou galeria. Mais itens pra lista “Voltar com mais tempo e dinheiro!”.
Na semana anterior comi bastante pasta, antipasta (torradas com patê de presunto, fígado, pesto, etc) e salada (com mozzarella fresca italiana!), mas ainda não havia comido nenhuma pizza e estava sonhando com o momento. Também mal podia esperar pelo primeiro gelato. Porém o que aconteceu no primeiro dia foi o seguinte: quando a família foi embora, deixou um monte de comida e nós pegamos tudo o que pudemos, então nosso primeiro almoço em Florença foi mozzarela, salami e coca-cola, sentadas numa pracinha.
Mais tarde, quando sentimos que era “ice cream, you scream, everybody screams for ice cream-time”, entramos numa gelateria e, qual foi a minha surpresa em ver que tinham açaí! Não resisti e adiei o famoso sorvete italiano por uma boa tigela de açaí com banana e granola, gostinho de casa! Pra completar o gostinho de Brasil, Maria Gadú estava bombando nas rádios italianas com Shimbalaiê, escutei quase todos os dias.
No último dia estávamos num café quando um rapaz sentou sozinho na mesa ao lado. Ansunel ofereceu nosso menu, ele sentou com a gente e no fim das contas passamos o dia todo juntos. Sentamos no parque e ele tocou violão, sentamos na praça e observamos pessoas, jantamos e trocamos ideias sobre arte, blog, viagens, etc. Californiano de 23 anos, ator, em busca de respostas – como todos nós. E foi nesse jantar que comi minha primeira pizza, Napoli, com anchovas salgadas. Não foi dessa vez.

Roma



No dia seguinte encontramos a Dani e o Patrick e viajamos juntos no trem até Roma. Escolhemos o trem mais lento, porém mais barato. Tive que escolher entre economizar tempo ou dinheiro. A viagem foi longa, mas tranquila na primeira parte. Conversamos, rimos, comemos. Em Orte fizemos conexão pra Roma. Essa última hora de viagem foi: sentada nos degraus da porta do trem, morrendo de calor e tentando não inalar os odores desagradáveis do local.
Nosso hostel (Carlito’s Way) era bem próximo à estação Termini e nos recebeu com boas surpresas: apesar de termos reservado dormitório de seis camas, eu fiquei num quarto com três camas e a Ansunel num quarto privado!
Roma foi fascinante, frenética, quente e cansativa. No primeiro dia, como chegamos no meio da tarde, só fomos à Fontana di Trevi, tomamos sorvete, jogamos nossas moedas. Depois andamos meio sem rumo e vimos a Piazza Spagna – onde tiramos uma foto estilo “Onde está Wally” na escadaria lotada - a Piazza del Popolo e algumas igrejas.
Fizemos compras e encontramos bolo sem glúten para comemorar o aniversário da Ansunel!
A essa altura meus pés já estavam cheios de bolhas, tudo doía e queimei muito no sol, fiquei com marcas horríveis de camiseta. Mas alternei entre o tênis e o chinelo, bebia mais de dois litros de água por dia e ia pra cama cedo.
No segundo dia em Roma, fomos onde eu mais queria: ao Coliseu. Ao sair da estação de metrô lá estava ele: enorme, impressionante, cheio de história pra contar, desafiando o tempo. Tive um daqueles momentos “Não acredito que estou aqui!” Mas estava. Emocionada e boquiaberta. Lindo e grandioso por fora, super interessante por dentro, o Coliseu foi um dos lugares mais marcantes que já visitei. Andamos por lá um tempão, observando as estruturas e os objetos encontrados pelos arqueólogos. Minha imaginação correu solta – Onde os imperadores sentavam? Quem eram os gladiadores? Quem assistia às lutas e espetáculos? Que tipo de intrigas, fofocas e romances aconteciam lá? Será que essa parte caiu ou nunca terminaram? Quem realmente botou fogo em Roma? O Coliseu provavelmente vai durar mais do que muitas construções modernas, a não ser que algo dê errado na construção da nova linha  de metrô... Como ousam cavar túneis numa cidade como Roma? Preciso passar mais protetor solar.
Esse tipo de coisa me intriga muito. Vi objetos que sobreviveram ao tempo: estátuas, moedas, “fichas” de aposta, cerâmicas, ossos, colares, miçangas, etc. Com tudo isso é possível ter uma ideia do estilo de vida dos romanos antigos. Mas minha vontade real é a de ter uma máquina do tempo e, em cada lugar visitado, poder voltar gradativamente ao passado - cem anos, duzentos, quinhentos, mil, dois mil! E assim poder fazer o que mais gosto em passeios: observar as pessoas na rua. Assim como eles próprios faziam, tenho certeza, no Fórum Romano. O centro social, político e religioso de Roma, onde todos iam para ver e serem vistos.
Almoçamos (comi um canelone de queijo delicioso), fomos ao Palatino, nos separamos da Dani e do Patrick e fomos ao Vittoriano – um palácio branco, gigante e moderno (século XIX). A entrada era gratuita, então entramos pra ver a exposição. Havia um corredor inteiro sobre o Giuseppe Garibaldi e como ele lutou e ajudou em várias ocasiões, como no Brasil, onde conheceu a esposa. Nessa hora passaram dois travestis brasileiros reclamando que não havia nada sobre a Anita, nem uma foto!
Na Piazza Navona nos deparamos com um artista de rua e uma multidão considerável. A princípio ele estava engolindo um balão (daqueles de fazer animais) e achei repulsivo, mas mesmo assim ficamos para o próximo ato. Ele escolheu um voluntário espanhol para amarrá-lo numa camisa de força, da qual iria se livrar em três minutos. O mais engraçado foi o cara estar preso na camisa, dando instruções em inglês para o rapaz que não entendia e fazia tudo errado! No fim das contas, amarrado na camisa e enrolado com uma corrente, ele realmente se soltou em três minutos. Adoro artistas de rua. Na mesma praça estavam pintores, desenhistas, uma banda de senhores tocando músicas suaves. Queria ficar ali pra sempre.
Voltamos à Fontana de Trevi pra reencontrar a Maitê e corremos pra pegar o metrô, que parava de passar as 21h. Jantamos perto do hostel – Maitê e eu pizza, Ansunel batata.
No dia seguinte fomos ao Vaticano. Morrendo de calor, mas propriamente vestidas. Encaramos a fila para ver o interior da Basílica de São Pedro, mas desistimos do Museu, onde está a Capela Sistina. Muita fila e muito caro. Eu achava que o Vaticano fosse mais longe do centro de Roma, mas é pertinho e dá pra ir de metrô. É realmente muito pequeno e tive a sensação de que minhas expectativas não foram correspondidas.
Próximo ao Vaticano está o Castelo Sant’Angelo, que já foi mausoléu, moradia, forte e hoje é museu e tem uma área verde bem gostosa ao redor.
À noite fomos jantar na casa em que a Maitê estava hospedada, com o Fábio, host do Couchsurfing. Foi tudo uma delícia: a comida, a conversa, o sorvete, os drinks. Ótima última noite em Roma e começo de depressão de fim de viagem.

Veneza



No trem a caminho de Veneza conhecemos um rapaz indiano-americano viajando com a mãe. Conversamos e jogamos cartas, trocamos ideias e opiniões sobre a Itália, NYC e New Jersey.
Veneza é um charme realmente, mas não há muito para se ver ou visitar e fiquei feliz por ter sido a última cidade. Nós andávamos tranquilamente, meio perdidas e meio seguindo o fluxo de pessoas, tirando fotos, parando nas pontes para observar os barcos e gôndolas, sentando nas praças para tomar um sorvete. Finalmente comi uma pizza deliciosa, no restaurante de um italiano casado com brasileira. Ele veio conversar comigo quando viu meu pedido – Guaraná, que nem estava no menu, mas vi uma latinha na estante e perguntei ao garçon.
A última noite foi ótima: fomos ao Cassino de barco, ouvimos música ao vivo nos jardins e ganhamos champanhe e morangos. Realmente, Veneza é um charme! Na volta paramos num restaurante pra eu comer minha última pasta e a Ansunel ficou brincando com os placemats (aqueles papeis que colocam embaixo do prato, não consegui traduzir, hehe) - desenhando e escrevendo e pediu à garçonete pra nos deixar uma mensagem de despedida, que foi a coisa mais singela: "La bellezza delle piccole cose..."
Viva a linda Itália!








Wednesday, June 29, 2011

Some relationship patterns don't improve over time. Children or adults, it's all fun and games until someone gets hurt.

*
Alguns padrões de relacionamento não melhoram com o tempo. Crianças ou adultos, tudo são jogos e diversão até que alguém se machuca.

(Ana Elisa Miranda)

Tuesday, June 28, 2011

Amsterdam



Havia chegado a hora de desbravar e desmistificar Amsterdam – a cidade da liberdade, onde maconha e sexo são permitidos e regulados por lei. Seria outra viagem corrida de fim de semana, pra visitar amigos – dessa vez a Flávia, prima de Vini, que estava morando lá há um mês.
O dia não começou muito bem. Frio, ventania e chance de chuva. Andei até o ponto de ônibus pra pegar o primeiro, às 8:19. Esperei até as 8:45h e nada de ônibus. Voltei pra casa, me agasalhei melhor, avisei que estava atrasada e voltei pra pegar o próximo, às 10:19h (Brincando de Pollyanna, pensando “ainda bem que a passagem não tem horário marcado como a de Paris”).
Nada de carros, nada de pessoas e muito menos nada de ônibus na cidade fantasma! Até que um funcionário da empresa de ônibus passou e me disse que estavam em greve. Fuck, fuck, fuck! How am I gonna get to Brussels? (sim, eu penso em inglês). Minha sorte foi que o meu host estava levando a menina pra aula de desenho, ouviu sobre a greve no rádio, passou e me levou ao metrô – com várias recomendações anti-drogas, haha, igualzinho ao meu pai.
Cheguei a Amsterdam três horas depois do que havia planejado, meu celular não pegava e não achava a Flávia na estação. Perguntei ao rapaz do balcão de informações onde eu poderia fazer uma ligação local e ele me ofereceu o celular dele. Com um bom sorriso e educação vamos longe!
Enfim nos encontramos e começamos meu passeio! O mundo é mesmo uma vila, encontrando conterrâneos do outro lado do Atlântico. Fomos àquelas letras I Amsterdam, tiramos fotos clássicas, no sapato de madeira gigante, canais, casinhas de chocolate, coffee shops, mercado de flores. A impressão mais forte da cidade com certeza é o cheiro de maconha por todo lugar. E a variedade de produtos é impressionante! Biscoitos, bolos, doces, mas só comprei um pirulito para experimentar. É como quando fui a Vegas e só joguei uma vez a roleta, hehe. 
Outra bizarrice é o Museu do Sexo. Há coisas interessantíssimas, quadrinhos, objetos, bolos, fotos, desenhos, pinturas, coisas bem antigas – até um cinto de castidade de verdade! Pouca coisa me choca nessa vida, mas há uma sala no Museu do Sexo de Amsterdam que me deixou boquiaberta!


Voltamos pra casa pra descansar e comer (comidinha caseira brasileira, hum!) e saímos pra dançar!
No dia seguinte fomos ao Red Light District e vi prostitutas de todos os tipos, tamanhos e cores se expondo nas portas de vidro dos quartinhos e muitos, muitos turistas e possíveis clientes andando pelo labirinto que são as ruazinhas lá. Impossível não pensar em quem são essas mulheres e como e por que foram parar lá e também nos clientes que vão dar uma rapidinha às duas da tarde enquanto provavelmente a mulher está no trabalho ou em casa cuidado dos filhos. Passamos ainda por uma loja de camisinhas de todas as cores e formatos - animais, objetos, Estátua da Liberdade (!) e meu comentário é: ?!?!?!?
Então esse foi meu passeio relâmpago a Amsterdam! Mais uma cidade pra lista “Lugares para voltar com mais tempo e dinheiro”. Corri pra pegar o trem, cheguei a Bruxelas e peguei o último ônibus pra casa e experimentei meu pirulito, que além de deixar a boca meio dormente, não faz nada e é gostoso (gostinho de erva, claro)!



Deixem comentários e sugestões abaixo! 

Wednesday, June 8, 2011

J'aime Paris!

   Paris é grande e há muito o que se ver e visitar – inúmeros monumentos, museus, lugares famosos. Ter somente dois dias em Paris é desesperador, mas fizemos o possível. E em meio ao calor, cansaço, preços altos e a multidão de turistas que lotava as ruas, a cidade conseguiu me encantar.
   A viagem de Bruxelas a Paris leva cerca de uma hora e meia, de trem. Cheguei e logo encontrei a Luana - o que foi um alívio porque meu celular não funcionou lá. Pegamos o metrô (3,40 pro dia inteiro, se você tem menos de 26 anos!) e fomos direto ao que interessa – La Tour Eiffel.
   Primeiro a vi de longe, linda com o céu azul e o sol brilhando e tive um daqueles momentos de “Wow! Não acredito que estou aqui!” Andamos em direção a ela, passando por um gramado, fontes, cascatas e estátuas e, quanto mais me aproximava menos acreditava na quantidade de pessoas na fila pra subir. Ainda bem que eu já tinha decidido não perder tempo nem dinheiro (pelo menos não dessa vez). Passamos por baixo da Torre e fomos ao supermercado comprar comidinhas para nosso piquenique – sanduíches, queijo, iogurte, biscoitinhos de côco. Sentamos no parque onde muita gente estava tomando sol, comendo, brincando. Foi uma hora engraçada: primeiro um rapaz de cueca veio conversar com a gente dizendo que era a despedida de solteiro dele e que tinha que conseguir números de telefone de garotas; depois outro cara usando vestido e pantufas corria e gritava no auto-falante: “Vive la vie! Vive la vie!” Achei super fino fazer piquenique ao pé da Torre Eiffel!


   Passamos pelo Hôtel des Invalides, onde o corpo de Napoleão está enterrado - é uma construção linda, com uma abóbada dourada. De lá fomos de metrô até o Arco do Triunfo e tenho que dizer que realmente há algo de triunfo naquele arco! É impressionante e imponente. Andamos pela Champs Elysées e fomos encontrar as meninas (Viktoryia, Karina e Andreza, que vieram dirigindo de Bruxelas) na entrada do Louvre. É legal estar em  lugares que antes só via em filmes, livros e sonhos!
   Deixamos para entrar no Museu no dia seguinte, voltamos ao Arco e Champs Elysées com as meninas, onde vi uma placa dizendo que o inventor Santos Dumont morou lá, e fomos de metrô ao Moulin Rouge (nunca vi o filme, que vergonha!). Outro momento “dã”: descobri que moulin significa moinho, haha! Aproveitamos que estávamos perto e subimos (e quase morri) as escadarias da Sacre Coeur, mas a vista da cidade lá de cima é linda e valeu a pena. Comemos crepe (lógico) e fomos em busca de um café que as meninas queriam muito ver, o Café des 2 Moulins (franceses gostam de moinhos, né!?), do filme O Fabuloso destino de Amélie Poulain (outro para minha lista).

   No dia seguinte nos encontramos com as meninas (depois de umas duas horas procurando o hotel) e fomos de carro a Versailles. Decidimos não pagar para entrar nos jardins porque não daria tempo pra apreciar, mas conseguimos entrar de graça no palácio. Conhecemos o máximo possível em mais ou menos duas horas – puro luxo! Almoçamos, comemos macarons (lógico!) e fomos para o Louvre. Antes de encarar a fila paramos numa das pontes sobre o Sena, onde casais predem um cadeado simbolizando o amor e jogam a chave no rio.
   A fila estava longa porque era de graça (primeiro domingo do mês), mas estava movendo depressa. Faltava menos de duas horas para fechar (claro que o Louvre já estava na minha lista de lugares a voltar com mais tempo e dinheiro). Como todo visitante de primeira viagem, fomos direto na estrela do museu, a Monalisa. Eu já sabia que ela era pequena e nunca entendi a razão de toda a fama, mas ela realmente tem um magnetismo. Vimos também a Vênus e o apartamento de Napoleão – mais luxo!


   As meninas foram embora, eu e Luana comemos algo e encerramos minha visita a Paris!

  Amo viajar e descobrir as maravilhas do mundo, mas também gosto de desmistificar os lugares. Muita gente acha que a Europa é primeiro mundo, que Paris é puro glamour, que as pessoas são melhores. Apesar de linda, histórica e romântica, achei Paris suja, o metrô cheirava a xixi, havia muitos pedintes e imigrantes vendendo bugigangas baratas e até vi uma gangue de adolescentes – meninas – furtando uma turista no metrô. Qualquer lugar tem suas belezas e seus problemas, pessoas bonitas e feias, ricas e pobres, boas e ruins.
   C’est la vie! 

Tuesday, May 31, 2011

One of these days

This is a text I wrote some time ago, and it turned to be the name of this blog and my recently published book. I decided to translate it, so that my non portuguese-speaking friends could read it as well. I have my own critics about the style and quality of writing (as well as the translation), since I changed and learned a lot in all this time, but it's a passionate text. Leave your comments below! 
One of these days I’ll leave. I’ll walk around, kicking stones on the street and ask “What? Is there a problem?” I’ll walk down the streets and won’t smile to anyone; no good evening, good morning, no hello-how-are-you-fine-thanks. Because nothing will be fine when I walk around like this. One of these days I’ll yell at you, I’ll tell you to go fuck yourself, because sometimes it feels good. One of these days I’ll walk in the middle of the street, not worried about cars, they’ll turn away from me! It’ll start to rain and I’m not going to hide; I’ll sing all night long until you come and embrace me, because sometimes it feels good, alright?
      One of these days I’ll leave, knock on your door and take you with me. We’ll go away from here and will never come back. Or will, if we want to. Come on, hurry up! The ship is waiting and the moon is full. One day I’ll stop the clock of life and all the time of the world will be ours. Don’t worry, there won’t be work, boss, deadlines, phones, family, neighbors. One of these days it’ll be only the two of us. Me and you. You and me. If it’s only me, it doesn’t work. So get ready, because one of these days I’ll take you with me. There will be no other way, you’ll be mine forever. One of these days.
    One of these days I’ll leave and take a bus. I’ll cry and laugh at the same time and it’s none of nobody’s business! I’ll stop somewhere I’ve never been or seen, but that I’m sure it’s my place. And I’ll be alone, because that place is mine and mine only. I’ll paint my lips and nails red, to match the wine. I’ll go out and watch the sun rise inside of me. The view is so beautiful from up here! But you won’t be with me, because you were afraid.
    One day… maybe tomorrow… or the day after… I’ll eat a pot of ice cream by myself, thinking about you. I’ll explode and in every corner there will be a little piece of me. Looking for you. It will be easier, right? One of these days, you’ll leave and never come back. Because you found me. One of these days… not today. 

(Ana Elisa Miranda)

Thursday, April 28, 2011

No Mar do Norte

Nas praias de Knokke-Heist, Bélgica há um costume que me intriga e fascina. As crianças fazem flores de papel crepon e levam para a praia. Lá elas montam uma espécie de loja de flores, onde outras crianças vêm e escolhem qual das flores querem comprar. O interessante é que a moeda de troca são conchinhas, mas não qualquer conchinha achada na areia! As conchas usadas para o comércio de flores são mais difíceis de encontrar e têm que ser brilhantes por fora (como se tivesse uma base de esmalte) e por dentro, nas bordas, têm que ter uns dentinhos, que são sentidos quando se passa a unha. Qualquer concha que não tenha essas qualidades é dinheiro falso! Vi que as crianças sempre verificam e contam as conchinhas antes de completar a troca.
Só quem vive na área ou passa muitos verões lá sabe realmente o valor e o significado desse costume, como a socialização entre as crianças, noções de troca e comércio, etc. Vi lojinhas de todo tipo - algumas bem elaboradas com as flores espetadas num montinho de areia e o preço de cada uma escrito no interior de conchas grandes; observei crianças que não falam a mesma língua fazerem negócio escrevendo o preço na areia com o dedo. Elas escolhem não só as mais bonitas e coloridas, mas as de melhor confecção; ficam felizes quando alguém se aproxima e atentas à chegada de novas famílias que montam suas lojas.
Atividade única e original das praias de Knokke-Heist. Vivendo e aprendendo!

Sunday, April 3, 2011

Sobre ser Au Pair


Au Pair é um programa de intercâmbio em que você mora na casa de uma família, cuida das crianças e faz cursos a sua escolha. É o programa mais em conta, considerando o valor e as vantagens (em um ano você pode viajar e aprender MUITO; você não tem despesas com hospedagem e alimentação e ainda recebe um salário semanal).
Eu fui Au Pair nos EUA por um ano e meio e lá conheci e convivi com muitas Au Pairs, então sei que a motivação e as impressões sobre essa experiência no país são individuais e diferentes. Assim sendo, aqui falo por mim: decidi ser Au Pair nos EUA porque 1) amo  falar inglês e sonhava em viver num lugar onde o inglês fosse falado o tempo inteiro ao meu redor e 2) quero rodar o mundo mas não tenho condições financeiras de mochilar, estudar ou passar férias em outro país (por enquanto).
Foi a melhor decisão seguida da melhor época da minha vida! Não vou entrar em detalhes, mas posso dizer que me diverti horrores, viajei o máximo que pude, conheci pessoas que marcaram minha história pra sempre, aprendi e amadureci. Aprendi principalmente que, quando corremos atrás, trabalhamos com coragem e fé, nenhum sonho é impossível.
Desde então muita gente me procura perguntando sobre a minha experiência e pedindo conselhos. Tudo o que tenho a dizer é: tá esperando o quê, aproveita a chance, o momento e bote o pé na estrada!
Para ir aos EUA como Au Pair é preciso uma agência. É através dela que você vai organizar toda a sua documentação e encontrar uma família. É também a agência que vai te dar suporte enquanto durar seu programa. Eu fui pela Cultural Care Au Pair e não tenho nada a reclamar. Mas há muitas outras, entre elas a CI, Au Pair in America, STB, Au Pair Care, etc. Você tem que se encaixar em alguns requisitos como: ter experiência com criança (número de horas varia pra homem e mulher. Sim, homem também pode!), carteira de habilitação, inglês intermediário e até 26 anos.
Por outro lado, para ser Au Pair na Europa não é necessário agência e a idade varia entre os países (máximo de 29 anos na França, se não me engano). O programa não é regulamentado por todos os governos (Espanha, por exemplo), então você pode ir com a cara e a coragem e conseguir um emprego de babá, mas pra ser Au Pair mesmo, com visto adequado, tem que checar os países certos de acordo com seus interesses culturais e linguísticos (pelo menos esses são meus interesses). O processo e os critérios são parecidos com o dos EUA nas agências. Agora para quem decidir ir por conta própria, existem sites comos o aupair-word.net em que você faz um perfil e procura por famílias. É meio arriscado, você tem que ficar mais antenada e se precaver pra não cair em cilada de família maluca, mas a maioria das meninas que vão pra Europa é sem agência mesmo e dá certo (uma boa dica é conversar com as Au Pairs anteriores a você). Então você tem que conversar muito com eles, organizar toda documentação necessária para visto, comprar passagens (dependendo do acordo com a  família). Os sites das embaixadas e consulados e até grupos de discussão nas redes socias (Orkut, Facebook) ajudam muito nesse processo.
Acho que é isso. Gosto muito de ajudar e motivar os sonhadores como eu. E posso dizer pra terminar que ser Au Pair é MUITO mais do que ser babá e é por isso que vou encarar essa aventura pela segunda vez!

Wednesday, March 30, 2011

Shaken lives

It was a nice Friday night. Natália was exhausted but she couldn’t let her best friend down on her birthday. Jennifer was hosting a dinner party at her house, only for close friends. She would go, stay a couple of hours, find an excuse and go home.
She had already bought her friend a gift, but stopped on the way to get a bottle of wine as well. It was her 29th; they only wanted to have a pleasant and relaxing evening, saving the crazy celebrations for next year. She rings the bell and Jennifer opens the door, looking very excited.
“Happy Birthday! You look fabulous!” Natália said, handing the wine and the gift to Jennifer.
“Thanks. God, you look so tired!” Jennifer has never been a subtle person.
“Well, you know, long hours at the bank, Pablito’s been sick, uncle Tony is visiting… too much going on.”
“Let’s have some fun, then. Forget about all that for a night.”
They ate dinner, drank, laughed, drank, danced and drank some more. It was later than Natalia was planning to stay and she drank more than she should, so she called a taxi and went home.
***
Carlos came home from the funeral of a little girl who had drowned in the pool club. The family was devastated and so was he. He was too used to his job to get emotional or attached to people’s stories and family tragedies, but a little girl dying like that was… wrong.
He thought about his grandson all day. Same age as the little lifeless body he was forced to handle. When he learned his daughter was pregnant he got furious at her, but after the baby was born Carlos simply fell in love with him. Pablito and Natália were the most precious things in his life.
Every night he sat on Pablito’s bed, watching him sleep. There was an irrational fear that they were going to lose him. As Carlos watched him, he woke up crying, saying he had a nightmare.
“And a big monster ate the house…” 
“Shh, shh, it’s ok, it was just a dream, papa is here.”
“Stay here!?”
“I’m not going anywhere. You’re safe.”
“Mama…”
“Mama will be home soon. We’ll all have breakfast together. Does that sound good?”
“Mmm hum…”
“Ok, now back to bed. Good night, boy.”
“Good night papa.”
When he left Pablito’s room, his brother had fallen asleep on the living room couch, with the newspaper on his lap. He tried to wake him up, but he was very deep asleep, so he just put a blanket over him and went to the kitchen to make himself a cup of tea.
***
Antonio hasn’t had vacations for years. Although he was now almost 70 years old, he enjoyed being active in his faith. He went on missions in poor countries, helped the needed communities near Santiago, taught English and soccer to the children in his parish. He had been very busy his whole life as a priest. But now it was time to rest. And see his family.
His only brother lived in Concepción with his daughter and grandson. They spoke often on the phone, but rarely visited each other. They got along well. For Antonio it didn’t really matter that his brother was an atheist and his niece a single mother. When he met the boy, he was delighted. Pablito was such a sweet and funny child! Natália was doing a great job as a mother – working hard at the bank, but spending all the time she could with her son, playing with him, teaching him, taking him to parks. Carlos also helped a lot and you could see he was proud of his family.
It had been a great week, but also tiring. It was Friday, the babysitter called early in the morning saying she was sick and Antonio insisted he could take care of the boy. Natália was worried and called a dozen times that day to make sure Pablito had his medicine, his nap, his bath. Uncle Tony was surprised at his own ability to handle the boy. As he was feeling better, they played cars, kicked a ball around the backyard, finger painted a picture of mommy. By the end of the day, Carlos came home acting weird and too quiet and put Pablito to bed. Antônio was so exhausted that he fell asleep on the couch.
***
Natália struggled to find the keys in her purse, took her shoes off, opened the door and walked in quietly (or so she thought). The house was all dark except for her son’s nightlight and before reaching her room she bumped into the coffee table and knocked off a picture frame from the shelf. Everybody was sleeping (Uncle Tony on the couch). It was 2am. She took a shower, brushed her teeth (ingrained habits she would never get rid of, no matter how wasted she was) and collapsed on her bed.
She thought she was having a nightmare or the worst hangover she ever had. The room was shaking so hard, the furniture was falling, and she heard so many different noises it was hard to identify. Screams, alarms, things falling and breaking. Her maternal instinct immediately flooded her and she was feeling awake and protective. She ran to her son’s room, he was crying at the top of his lungs, but at first she couldn’t see him. There was a lot of dust in the air; pieces of their roof were falling. As she got closer she saw his bed had been turned over and Pablito was sitting on the floor, a thin line of blood running down his face.
“Come here baby, mama is here, everything is ok.” Natália said as she scooped him up the floor and went looking for her father and uncle.
The earthquake lasted about one minute. Her house was still standing, but pieces of the roof were falling. She found her dad in the living room, trying to lift a shelf, but it took a moment for her to understand why – her uncle was under it.
“Get out of here! Quick! Take Pablito out of the house!”
“Is Uncle Tony ok?”
“I don`t know. Go get me help.”
“You have to get out of the house, it`s going to collapse!”
As she ran out to the street, chaos was taking place. It was dark, houses were collapsing, and people were crying, screaming and looking for their relatives. She was trying to find someone to help her dad, but all her neighbors were too busy.
“Help me please! My uncle is trapped under a bookshelf!” Someone had finally stopped to listen to her.
“Is that your house?” The man said, pointing at the yellow house on the corner. As she turned, she saw half of her house falling, all bricks and roof pieces.
“My dad and my uncle are in there! Please help me!”
“It`s too dangerous!”
“Please! They`re my only family!”
“Ok, you stay here, I`ll get some help.”
She waited, holding her son in her arms, while the men went into her house. She waited, and waited… praying that her father and uncle would be alive. Finally they came out of the mess that used to be her house. The two men that went in to help, and her father. She met Carlos eyes and she knew her uncle hadn`t made it. They hugged and cried silently for a moment.
***
Carlos had seen hundreds of funerals in his life, but he was never truly prepared to say goodbye to his loved ones. His father, in the biggest earthquake in history, that shook Chile in 1960; his mother, who lost her war against cancer; his wife, a few days after Natália was born. And now his only brother, a survivor, like him. Two quakes came and took a member of his family. And twice he survived. Something was starting to shake inside him.
For the next few days, there were several smaller quakes and people were spending the night on the streets or in the cars. Every day the number of deaths increased, there was no running water, no power, no food. The airports were closed, the roads cracked and some highways and bridges had broken and fallen down.
Natália, Carlos and Pablito were staying in a friend’s house.
“(…) one of the worst tragedies in the last 50 years. Chile is in state of catastrophe.” Natália saw President Michelle Bachelet saying on tv.
“What are we going to do, dad?”
“We start over, kid. That`s what we do. We start over.”

(Ana Elisa Miranda)

Tuesday, March 22, 2011

Em um momento você está dormindo tranquilo em sua cama. No minuto seguinte sua casa, assim como seus familiares e todos os seus pertences, são arrastados por uma enxurrada de lama.





Um dia você está no trabalho, fazendo compras ou andando pela rua e de repente tudo começa a tremer. O terremoto é tão violento que abre fendas em estradas, derruba casas, causa ondas gigantes, incêndios e acidentes nucleares.


Um acidente de carro deixa jovens paraplégicos. Jovens que numa noite só queriam se divertir e relaxar, no dia seguinte encaram  um futuro completamente diferente e incerto.


Assim, sem aviso prévio, a vida de milhares de pessoas é virada de cabeça para baixo. Não possuem mais nada do que passaram a maior parte do tempo lutando para conseguir – casa, conforto, carro, dinheiro. Pessoas queridas são perdidas abruptamente, famílias despedaçadas.

Diante de tantas tragédias, que para muitos parecem tão distantes, devemos aprender que a vida é curta, frágil e imprevisível;  refletir e decidir o que é realmente importante e prioritário (e nos desapegar do que não é), o que vale a pena ser vivido, no que vale acreditar. Devemos ainda reclamar menos dos nossos “problemas” e sermos mais fortes e corajosos diante dos desafios.

(Ana Elisa Miranda)


Saturday, February 26, 2011

Quem somos nós?


Nós nascemos, crescemos, vivemos em família, estudamos, trabalhamos, nos reproduzimos, morremos. Não é assim pra todo mundo, mas é assim pra maioria, no mundo todo. Vivemos em meio a estereótipos, expectativas e crises – Quem sou eu?
Pesquisando e conversando com amigos, percebi a dificuldade que temos em nos descrever, em definir quem somos. Há quem diga que há vários “eus” em cada um de nós e que a melhor forma de avaliação é usar o ponto de vista alheio.
Na tentativa de auto-conhecimento, questionei e refleti sobre alguns aspectos:
Identidade nacional  - não concordo com a generalização: brasileiro é alegre, americano é frio, árabe é terrorista, etc. Eu, como brasileira, não compreendia certos costumes e comportamentos de estrangeiros que conheci. Atitudes como reserva e discrição podem ser entendidos por nós, brasileiros,  como frieza ou antipatia; auto-confiança e nacionalismo como soberba ou superioridade. Porém, mesmo sem entender como as indianas conseguem usar o sári, os árabes aquelas barbas, os chineses comerem aquelas coisas e americanos gostarem de picles, todos têm meu respeito. Cada um merece ser conhecido e avaliado por sua individualidade e não por sua nacionalidade. Mas até que ponto a cultura da sociedade em que nascemos influencia quem somos?
Fases - nascemos e somos identificados apenas como “o filho de fulana e ciclano”. Crescemos, vamos pra escola, e aí sim os rótulos começam: nerd, bagunceiro, preguiçoso, burro, atleta, patricinha. Às vezes resistimos, mas na adolescência a busca pela afirmação da “personalidade” afeta comportamento, jeito de vestir, falar, se relacionar. Chegamos à casa dos 20 e somos os futuros médicos, professores, empresários. A cada faixa etária nos comportando como é esperado de nós, fazendo o que se deve para ser aceitos pela sociedade. Primeiro você é filho, depois estudante, depois profissional, cônjuge, pai, mãe, avô, avó – cada um cumprindo seu papel no roteiro da vida social.
Identidade Familiar - mais do que a herança genética, acho que a convivência e ensinamentos familiares moldam boa parte de quem você é. Às vezes por imitação – queremos ser íntegros e batalhadores como nossos pais; outras vezes por distinção – não quero ser alcoólatra ou preguiçoso como fulano ou ciclano, por exemplo. E passamos a vida carregando o nome, as memórias, posses, histórias e origens de nossos antepassados e de nós mesmos.
Profissão – quanto de nossa personalidade é formada pelos nossos talentos, conhecimentos ou habilidades? O trabalho que eu faço todos os dias faz de mim quem eu sou? Não devemos dirigir respeito ou preconceito a alguém somente por ser médico ou gari.
O que faço não diz quem eu sou. Minha idade não diz quem eu sou. Minha família não sou eu. Minha aparência não sou eu. Minhas opiniões e sonhos não sou eu. Porque o “ser” muda a gente – de lugar, tempo, companhia. Eu sou assim com fulano, mas sou assado com ciclano; eu penso isso hoje, mas talvez não depois de amanhã. Comecei o texto com uma pergunta, mas estou longe de ter encontrado uma resposta. Talvez o segredo para uma crise seja a flexibilidade:
“(...) Coloque água em uma garrafa, ela se transforma em garrafa. Coloque água em uma chaleira, ela se tranforma em chaleira. Água pode fluir ou cair. Seja água, meu amigo.” – Bruce Lee


Wednesday, February 23, 2011

The certainty of death shouldn't scare us. It should motivate and encourage us to do our very best right here, right now.
*
A certeza da morte não deve nos assustar. Ela deve nos motivar e encorajar a fazer o nosso melhor aqui e agora.

(Ana Elisa Miranda)

Thursday, February 3, 2011

Eu sonho muito. Literalmente. Sonho quase toda noite e me lembro bem das maluquices. Às vezes acordo cansada, triste, confusa, pensativa. O sonho dessa noite parecia um filme daqueles em que o mundo está acabando, em que a humanidade está se transformando em zumbi ou morrendo e que você tem que fugir e se salvar ou encontrar a cura.
Acordei, me dei conta do sonho interrompido e fiquei pensando: se eu tivesse que fugir, abandonar meu lar por algum motivo e soubesse que nunca voltaria e também não fizesse a menor ideia do que me aguarda no caminho... o que eu levaria? Que tipo de roupa e sapato usaria, o que seria essencial à minha sobrevivência na jornada? Levaria alguma lembrança? Uma foto, um objeto? 
Essa é mais uma variação dos meus devaneios de "E se a casa pegasse fogo, o que eu tentaria salvar?" e "Vou morar em outro país, o que levar, deixar e doar?"
Bom exercício de desapego e posso dizer que estou ficando boa nisso.

E você, o que leva contigo? O que salva?

Wednesday, January 5, 2011

As línguas e seus "erres"

  
     Começou com o inglês. Descobri que poderia me comunicar com pessoas em todo o mundo. Aprendi a ler, escrever, ouvir e falar a língua dos gringos e de quebra entrei no mundo deles. Cinema, literatura, música- me apaixonei. Viajei e mergulhei em inglês 24/7. 
     Mas não me dei por satisfeita. Quis aprender espanhol, pois sendo brasileira, vivo numa ilha rodeada por um mar de hermanos. HeRmanos. Que diacho! Me deparei com um "erre" que faz minha língua tremer além do que a coitada está preparada. 
     Minha língua é mineira, uai! Ela despreza os "erres". A letra final de amor, mar, e também em porta, verde, não é mais que um sussurro. É tortura pedir que pronuncie reloj, rojo, perro. PeRRo (!!!)
     Como se não bastasse, escolhi uma tortura ainda maior: falar francês. Ha ha ha. Não sei nem descrever como o "erre" francês é articulado, mas com todo respeito e por falta de comparação melhor, soa como... limpar a garganta, digamos assim.
     Até o "erre" do inglês anda me deixando insegura. É só dizer New JeRsey e me sinto uma caipira.
  Pensando tanto sobre "erres", percebi que é assim que se aprende: errando! Errando e tentando novamente, até que a língua se desdobre e me leve a novos mundos.

Monday, January 3, 2011

O que estou lendo

"A verdade é que depois que se conhece Sira Quiroga, a encantadora costureira que protagoniza esta aventura, é impossível esquecê-la. O cuidado de María Dueñas com as palavras faz o leitor ouvir a respiração daquela frágil e pobre trabalhadora que um dia se apaixona loucamente, parte de Madri para o romântico Marrocos, meses antes da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), para ter sua inocência triturada pelos caminhos da vida. Até que se transforma uma vez mais para mergulhar, durante a Segunda Guerra Mundial, em um novo mundo, agora repleto de espiões, impostores e fugitivos."
http://www.editoraplaneta.com.br/descripcion_libro/6413

Leitura irresistível que mistura romance, traição, guerra, sofrimento e superação. Ainda estou na metade e mal posso esperar para saber o que acontece a Sira. Obrigada, Sofia, pelo ótimo presente de amigo oculto :)

Friday, December 31, 2010

Sobre o Ano Novo

   Comecei 2010 em solo novaiorquino, respirando o ar gelado do inverno. Claro que foi especial, mas nada de extraordinário. Os 365 dias que se seguiram, esses sim, foram maravilhosos. Não achava que tanta coisa cabia em um ano só, mas na intensidade de 2010 aprendi e cresci.
   Resolvi ver a vida como um todo, um dia após o outro. Não importa que hoje seja 31 de Dezembro e amanhã 1 de Janeiro. Não faz diferença. Não farei promessas de ano novo que nunca serão cumpridas, nem superstições de passagem, rituais ou macumba. Farei o que quero que seja uma constante em minha vida: estar perto de gente amada, com pensamento e atitude positiva, pedindo a Deus saúde e proteção, vivendo – e não apenas presenciando – o momento.


  I began 2010 in New York, breathing the cold winter air. Of course it was special, but nothing extraordinary. The following 365 days, these were wonderful. I didn’t think so much could happen in one year only, but in the intensity of 2010 I learned and grew.
   I decided to see life as a whole, one day after the other. It doesn’t matter that today is December 31st and tomorrow is January 1st. It makes no difference. I won’t make New Year promises that will never be kept, nor passage superstitions, rituals or “macumba”. I’ll do what I want is a constant in my life: be close to beloved people, with positive thoughts and attitude, asking God for health and protection, living – not just seeing – the moment.

Thursday, December 30, 2010

Meus 15 minutos de fama

Já dizia Andy Warhol: “No futuro todos serão famosos por 15 minutos.”





No dia 23 de dezembro reuni na minha cidade natal amigos e familiares queridos para compartilhar a alegria de um momento tão importante e especial em minha vida – o lançamento do meu primeiro livro.

Obrigada àqueles que estiveram presentes e também àqueles que, mesmo não podendo ir, enviaram energia positiva J Agradeço também o apoio incondicional e constante da minha família, em especial meus pais; Nando e Du pela decoração; tia Gera e equipe pelo buffet e mais uma vez, a Brunno, por tudo. Um agradecimento especial ao Bethel Liliane Xavier Oliveira da Ordem Internacional das Filhas de Jó pela homenagem surpresa (ninguém entendeu porque Laís me chamava de Tia haha) e pelo lindo buquê.






Pra fechar a noite, a participação do Trio Jota Sá -  envio meu abraço à linda e talentosa Juliana Gorayeb e desejo toneladas de sucesso J


Em Montes Claros estivemos na Livraria Nobel e foi uma noite super tranquila a agradável. Obrigada a todos os colegas, ex-colegas, alunos, ex-alunos, amigos e familiares. Um beijinho especial para Bernardo e Larinha que fizeram muita gente babar hehe :) 

Enquanto isso... umas historinhas em off:

Sou Phyna #1: entrevista na rádio! (tudo bem, Rádio Raízes, mas vale né?!)

Sou Phyna #2: anúncio do lançamento na TV (nem sabia que ia passar e estava assistindo, imagina minha cara de idiota kkk)

Sou Phyna #3: Igor, 8 anos, grampeando folhas e desenhando na frete.
Mãe: “O que você está fazendo, Igor?”
Igor: “Vou escrever um livro, igual Ana Elisa!”

Sou Phyna #4: dei meu primeiro autógrafo! (assinei e dediquei um monte, pra conhecidos, mas esse foi do nada, tão espontâneo! Ok, estou na Nobel e o vendedor mostra meu livro a uma garotinha, converso com ela e o pai, saio da livraria e ela vem atrás porque decidiu comprar e queria que eu assinasse! Imagina minha cara de idiota2)

Qualquer dia desses... eu planto uma árvore e tenho um filho.