Monday, April 22, 2013

Guest Post: Coisas da Fran


           Eu AMO viajar e ouvir histórias de viagem! Hoje minha special guest é a Fran, que passou um tempo no Canadá no final de 2011 e  compartilha conosco as impressões marcantes de lá:  


  • A mistura do novo e do velho. -Como em toda metrópole o antigo e o moderno convivem lado a lado, dando um charme gracioso a essa cidade que já é pra lá de encantadora! De um lado uma construção antiga e logo mais, um arranha-céu todo espelhado!
  • A cidade é sempre muito limpa, organizada e arborizada. -Realmente um exemplo a ser seguido por nós! Vários parques, praças e espaços públicos lindos e LIMPOS!
  • A cidade é muito segura! -O Canadá tem uma das médias mais altas em qualidade de vida, e isso inclui a segurança, é claro! Sempre andamos nas ruas a noite e algumas vezes início da madrugada sozinhas, e sempre foi muito tranquilo(apesar de sempre ter aquele pé atrás que brasileiro tem!hahaha)!
  • A diversidade étnica e cultural é gritante! -Em todo lugar que você vai tem uma "salada de frutas" de gente, um asiático, um muçulmano, árabes, um indiano, um latino, um europeu, todos os tipos de feições, roupas, estilos e idiomas! Uma grande bagunça organizada! E apesar deles não se misturarem muito, eles se respeitam e se toleram.
  • A grande maioria das pessoas usa transporte público. -O metrô, ônibus e streetcars funcionam interligados, e tem passes diários, semanais e mensais que te dá livre acesso ao TTC (Toronto Transit Commission) quantas vezes você quiser no dia! Isso é tão prático! rs! (Que saudade de ir pra todo lugar de metrô!!)
  • Se você ainda não comprou seu passe(Mensal- todo dia 1º, ou semanal- toda segunda), e precisa andar de ônibus, você coloca o dinheiro em uma caixinha, não tem trocador, e eles confiam que você está sendo honesto com o valor que está colocando!
  • Os pedestres só atravessam as ruas na faixa de pedestre, E com o sinal de pedestre aberto!! -Se você atravessar no meio do quarteirão e um guardinha te ver, leva multa!! hahaha! Mas é claro que os brazucas sempre dão um "jeitinho" e olham pra ver se tem guarda e correm pelo meio do quarteirão mesmo! kkkkkk
  • As pessoas lêem muito e em qualquer lugar! -Isso foi uma das coisas que mais me chamou a atenção e achei muito, muito amor! rs! Qualquer idade, em qualquer lugar(restaurantes, ônibus, metrô, shopping, na rua), seja livro, kindle, Ipad, sempre tem MUITA gente lendo! Esse é um exemplo a ser seguido e que fiquei babando!
  • Eles respeitam as filas. -Não tem essa de guardar lugar, tentar passar na frente e esses "jeitinhos brasileiros", ou você está na fila preferencial, ou então espera como todo mundo! E tenta cortar a fila pra você ver, eles olham com cara feia e falam na sua cara pra voltar pro fim da fila!
  • A escada rolante tem ordem de fluxo também, quem fica parado, fica do lado direito e deixa a esquerda livre pra quem está com mais pressa que você!
  • Eles são educados, mas não gostam muito de contato físico. -Se alguém esbarra em você, eles pedem Sorry, e se você esbarrar neles, eles esperam que você seja "polite" e peça também!
  • Bebida alcoólica é quase um problema! -Ou você vai em um bar, restaurante ou o que quer que seja, e bebe lá, ou vai em uma LCBO, coloca em uma sacola ou saco de papel e leva pra onde você vai. Não tem essa de beber na rua, ou comprar em qualquer buteco, bebida alcoólica só nas lojas autorizadas e beber na rua dá multa! Parece absurdo, mas funciona!
  • Eles são saudáveis. -Ao contrário dos "primos" americanos, os canadenses são muito preocupados com a saúde! Eles evitam sal e açúcar, pois eles são "killers"! Você vê muito mais Subways e restaurantes de comidas "de verdade" do que fast foods, como Mc Donalds e Burguer King. Nas praças de alimentação isso fica mais claro ainda, existe todo tipo de comida, de todo lugar do mundo, mas os fast foods sempre ficam meio escondidos! É bom pra saúde, mas vamos combinar que todo dia provar uma comida diferente é um pouco estranho também, afinal, nada como uma comidinha brasileira! Sem exageros, é a melhor do mundo! :)
Bem, esses são os pontos que mais me marcaram e achei interessante compartilhar, não pra dizer que são melhores ou piores, mas pra mostrar como cada lugar tem sua cultura e costumes peculiares, e que isso é na verdade, muito enriquecedor! Não existe lugar perfeito, e essa não é a minha intenção, até porque passei alguns perrengues por lá também, mas isso já é assunto pra outros posts! ;)
Espero que gostem!

Fran foi minha colega no curso de Letras/Inglês, também adora viajar, aprender línguas e escreve no blog Coisas da Fran. Passa lá!

#comentemais 

Wednesday, March 13, 2013

Viena



Me apaixonei por Viena.

Embarquei sem saber muito sobre a cidade, sem ter pesquisado, sem planejamento, mas com um envelope lacrado que deveria ser aberto na noite de Ano Novo. Viena foi assim: cheia de boas surpresas.

A cidade é linda, limpa, organizada.

Passeamos sem rumo pelo centro e comemos sopa com fatias de panqueca fazendo papel de macarrão. Sem querer topamos com a Casa da Música e foi uma das melhores partes da viagem. Comemos Sachertorte (um bolo de chocolate tradicional). Visitamos as estátuas dos compositores no Stadtpark e tomamos chá nos charmosos cafés vieneses. Andamos muito e teimosamente até encontrar o cinema para assistir "O Hobbit". Fomos ao Palácio Schönbrunn e nos deleitamos com os cheiros vindos das barraquinhas de vinho quente, doces, sopas, linguiças. Visitamoss a casa onde Sigmund Freud morou por muitos anos e onde também atendia seus pacientes e dava início à psicanálise. Claro que me lembrei do filme “Um método perigoso” que havia assistido recentemente. Também fomos à casa onde morou o Mozart e ouvimos histórias muito interessantes com o audio tour. Comemos schnitzel (vitela empanada e frita) e andamos muito de metrô, que é muito fácil e prático – até no dia 01/01 às 05h quando precisamos ir para o aeroporto. Ah! A conexão para o aeroporto é ótima: em 15 minutos de trem direto chegamos lá e já havíamos despachado a mala no saguão da conexão mesmo.

No dia 31 eu pude abrir o envelope surpresa. Tentei não pensar no que era, mas imaginava que eram entradas e iríamos a algum lugar. Nunca imaginei que veria um dos shows mais lindos da minha vida! Pela primeira vez vi uma Orquestra Sinfônica ao vivo! É realmente de arrepiar, ainda mais em Viena. Depois da Orquestra andamos pela cidade e pelos inúmeros palcos espalhados nos pontos principais. Música ao vivo, barraquinhas, muita gente e muito frio! À meia noite assistimos à queima de fogos e brindamos à vida nova!

Saturday, February 2, 2013

O Rio é tudo



Este é o primeiro "guest post", ou postagem de um convidado, aqui no Qualquer Dia Desses. É uma honra começar com a querida Maitê, companheira de várias viagens e passeios pela Europa, falando sobre sua cidade maravilhosa! 

"Antes de tudo, quero dizer que é um prazer e uma honra escrever no blog da Ana, uma grande amiga e uma mulher inspiradora.



Voltar para casa depois de morar fora do Brasil não é fácil. Eu sempre soube disso porque era uma opinião unânime (ou praticamente) entre as minhas amigas que retornaram. Até que chegou a minha vez. Então, eu tive a certeza de algo que sempre tocou meu coração: não existe lugar no mundo como o Rio de Janeiro.
É claro que eu tive o impacto esperado (leia-se, negativo), mas a cada manhã de sol que eu olhava para minhas duas cidades (nisso incluo Rio e Niterói – o outro lado da poça), eu sabia que estava exatamente onde deveria estar.
Eu lembro que quando estava em Roma (numa viaja feita com a Ana), na primeira vez que desci na estação de metrô e dei de cara com o Coliseu, enorme, imponente, milenar, pensei: que privilégio os romanos têm de contemplar esse monumento em sua rotina. Pensei o mesmo dos parisienses com a Torre Eiffel. E quando voltei para o Rio, vi que eu era tão privilegiada quanto eles, porque eu era carioca.
O Rio é deslumbrante por natureza e essência. É o Cristo (Redentor), o Pão de Açúcar, o Jardim Botânico, a Floresta da Tijuca e mais. É a favela, a Lapa, a cultura, os famosos que caminham naturalmente pela cidade e muito mais. É o carioca em si, que esbanja simpatia e falta de educação – acreditem, muitas vezes ao mesmo tempo! É o samba, a Bossa Nova, o pagode da esquina, as praias onde todos se encontram, independente de quanta grana tenham no bolso ou de quanta bobagem saia pela boca. É o calor indigno e as tempestades desastrosas de um fim de tarde. É a ponte Rio-Niterói e, de tão grande, é também o outro lado da poça, com o museu do Niemeyer e a melhor vista da cidade. É a baixada fluminense, o Funk e os milionários da Zona Sul que pagam pequenas fortunas para dançar o ritmo que toca na periferia. O Rio é tanto que consegue ser mais até que a violência (quase) insuportável, os preços absurdos, os serviços mal prestados, o descaso do governo e do povo. É o pôr do sol no Arpoador.
O Rio é tudo. Um resumo deste Brasil tão grande que não se define em poucas palavras."

Maitê é jornalista, viajante, Couchsurfer profissional. Confiram o blog Ano sem Verão e suas ótimas histórias!




Tuesday, January 29, 2013

Not all Brazilians are brainless dancing monkeys


They are on the radio and nightclubs all around the world. People who have no knowledge of Portuguese can sing them – and I have to explain for the zillionth time what the lyrics mean (or rather, their lack of meaning). Thanks to songs like “Ai, se eu te pego”, “Tche Tcherere”, “Eu quero tchu, eu quero tcha”, Brazilian people are coming across as stupid dancing monkeys. Again.

Stereotypes have always and will always exist. Every nation is well known for something. In our case it’s Carnaval, soccer, beaches, beautiful women, the rain forest. The good thing about stereotypes, though, is that they only last up to the first contact with reality. If you really know Brazil, you don’t think we’re a bunch of semi-naked people dancing samba on the beach all the time. Or that there are giant snakes and spiders on the streets. Or that we only listen to the above mentioned trash. 

I’m not an expert in music or marketing. I’m just a Brazilian girl living abroad who has to deal constantly with breaking stereotypes. “No, I can’t play soccer”. “No, I don’t live on the beach. Actually, it’s so far I only go once a year”. “No, I’m not wearing feathers and showing my boobs on Carnaval”. “Yes, I know that song and I hate it.”

It’s a pity that what is crossing the seas nowadays is not our best. Every country has truly great art and culture but also shitty stuff. Then why do those songs get stuck in people’s heads and spread like virus? Neuroscientists will explain.

I will just do my part by recommending Brazilian music I am proud of: Titãs, Cazuza, Seu Jorge, Caetano Veloso, Nando Reis, Jota Quest, Rita Lee, Djavan, Elis Regina, Zé Ramalho, Vanessa da Matta, Engenheiros do Havaí, Teatro Mágico, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte, Marcelo D2, O Rappa, Legião Urbana and so many others worth listening to.


P.S.: I will occasionally have my dancing monkey moments, I admit. I will dance along to pretty much anything when I'm drinking with friends at a club :)

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Wednesday, December 19, 2012

Apocalipse? Terremoc?


Moro no terceiro andar. Acordei assustada por volta das 3h da madrugada com um barulho alto que parecia trovão e que fez tremer o prédio inteiro. Olhei pela janela e vi que parte da cidade estava no escuro. Aos poucos, pessoas saíam para a rua, por medo ou curiosidade. No escuro foram aparecendo lanternas e celulares nas janelas dos prédios. Várias luzinhas e rostos assustados. Voltei para a cama pensando no que faria na hipótese de um desastre maior. Às 3h30, conseguindo cochilar de novo, outro tremor. Acho que muita gente começou a acreditar no fim do mundo.

*

I live on the third floor. I woke up around 3am, scared by a loud noise that sounded like thunder and made the whole building shake. I looked through the window and saw that part of the city was in the dark. Slowly, people left their homes, for fear or curiosity. Flashlights and cell phone lights appeared in the blackout. On the dark apartment windows you could see several lights and frightened faces. I went back to bed thinking about what to do in case something worse happened. At 3:30am, as I fell asleep again, another quake. I think many people began to believe in the apocalypse. 

Sunday, September 23, 2012

Sapus brejeirus




            Sapo é um animal vertebrado da classe dos anfíbios, pertencente à ordem dos batráquios ou anuros (sem cauda no estágio adulto). Variam de dois a 25cm de altura, apresentam corpo abrutalhado e pele coberta de verrugas. Os indivíduos adultos são pardo-escuros, às vezes com manchas. O mais característico dos sapos brasileiros é o sapo-cururu (Bufo marinus), útil ao homem, pois devora insetos que infestam as plantações. Absorvem através da pele produtos químicos da água e do solo e são por isso considerados excelentes indicadores ecológicos da saúde do ambiente.
            Alguns representantes da espécie são célebres, como aquele que foi beijado por uma linda princesa e logo se transformou em um jovem príncipe. E, como num bom conto de fadas, é claro que sua historia terminou com um “e foram felizes para sempre...”.
            E tem também um “muso inspirador” de canções populares: “O sapo não lava o pé, não lava porque não quer, ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer, mas que chulé!” Se bem que levar essa fama não deve ser muito agradável. Hoje ninguém sabe se ele ainda mora naquela lagoa ou se seu problema foi resolvido.
            Porém, a espécie mais intrigante e peculiar é a recém descoberta Sapus brejeirus, cujo habitat natural é uma pequena cidade ao norte do estado de Minas Gerais, Brasil. Os brejeiros levam uma vida pacata de interior, vendo a vida passar num ritmo lento e gostoso. Para ajudar a passar o tempo, eles costumam se ocupar da vida alheia, mas geralmente são inofensivos. É uma espécie dócil e amigável, acolhe com hospitalidade indivíduos de outras espécies e regiões.
            Os brejeiros também migram periodicamente. Alguns se adaptam bem a outros climas, outros não. Uns até tentam disfarçar e negar sua raça, mas todos um dia voltam a seu habitat natural.
            Um costume típico desta espécie foi relatado pelos observadores e denominado Farras constantes. É quando muitos Sapus brejeirus se agrupam em um determinado local, produzem um barulho ensurdecedor e se movem de um jeito estranho. As relações sociais são intensas, principalmente entre sexos opostos. Muitos gostam de beber um tipo de destilado ou fermentado.
            Por fim, cientistas observaram nesta bizarra espécie um mecanismo apurado de defesa e, por que não dizer, fraternidade: os brejeiros podem falar mal à vontade de seu habitat natural, mas se algum estranho se atreve... Viram Feras!

(Ana Elisa Miranda - 2007)


            

Saturday, June 9, 2012

Estava atrasada. Desceu as escadas correndo e virou abruptamente à direita na saída do edifício. Não viu que ele entrava naquele momento, valise numa mão, cigarro acesso na outra. 
Cinco anos mais tarde, ele havia parado de fumar, mas a cicatriz no rosto dela ainda era visível. Seria a eterna lembrança do dia em que se conheceram, da primeira vez que ela o xingou, da primeira vez que ele se desculpou, do primeiro café, dos primeiros olhares, do primeiro beijo. 
Ana Elisa

She was late. She ran down the stairs and turned right abruptly at the building's entrance. She didn't see that he was going in at the same time, briefcase in one hand, lit cigarette in the other.
Five years later, he had quit smoking but the scar on her face was still visible. It would be forever a reminder of the day they met, the first time she called him names, the first time he apologized, the first coffee, the first looks, the first kiss.

Wednesday, May 30, 2012

Mmmm, delícia!

Amigos,

Novidade! Estou representando a marca Up! Essências. São perfumes de alta qualidade porque:
1) trazem as essências da mesma fornecedora das grifes como Dolce & Gabana, Diesel, Carolina Herrera, Armani, Calvin Klein, etc. (olha que testei muito perfume na Europa e nos EUA, hein!);
2) possui 0% (isso mesmo, NADA) de água na fórmula; e o melhor:
3) custa só R$79 o frasco de 50ml. 

Dá pra acreditar?

No meu kit tem o mapa olfativo pra ajudar você a escolher sua fragrância - amadeirado, adocicado, cítrico, suave, intenso? Tem pra todo mundo! Além das amostras pra você sentir. Eu estou cheirosíssima usando o Up! 14, que é semelhante ao Dolce & Gabana Light Blue, uma delícia!

Outra coisa, pra quem está interessado em fazer uma boa RENDA EXTRA, fazendo parte da equipe de marketing multinível da Up! (sem falar que o lucro com cada perfume é de 100%), haverá treinamento oficial neste domingo em Montes Claros e em várias outras cidades, olhem só:

http://www.upessencia.com.br/

Eu vou com minha parceira Dany e em breve estaremos juntas fazendo a alegria desse povo cheiroso!

Quem não se interessar agora, por favor passe a novidade adiante porque com certeza você conhece alguém que adora perfumes e que queira/precise de uma renda alternativa.

Abraços cheirosos, meus amores!!!




Monday, May 28, 2012

Bote um livro pra circular!

"Olá!
Este livro não te pertence. A pessoa que te entregou acha que você gostaria de lê-lo. Caso não se interesse, passe adiante. O importante é não deixá-lo parado. Caso decida lê-lo, conte à autora o que achou e de onde é! Se você ama ler e compartilhar coisas boas, entre na brincadeira e bote um livro pra circular. @anaelisasm ou anaelisasm@gmail.com"

Mensagem escrita num exemplar de Qualquer dia Desses, que despachei pra dar uma voltinha ;) A ideia não é minha - li em algum lugar na internet e achei interessante, pois compartilho da filosofia de que livro não foi feito pra acumular poeira na estante. Portanto, vamos emprestar nossos livros, gente!

Thursday, May 24, 2012

Voltei ao Brasil. E agora?



     Estou em casa há sete semanas. Lógico que já me adaptei, pois vivi a maior parte da minha vida aqui e tudo é familiar. O que não significa que me conformei ou acomodei - com tanto tempo livre (férias, desemprego, transição de carreira?) o que mais tenho feito é refletir. Bate uns momentos de incerteza, desânimo, outros de tranquilidade e confiança que tudo vai dar certo.
     Dúvidas, insônia, dores de cabeça, então me pergunto: será que rodei o mundo e não aprendi nada? Continuo nesta busca de sabe-se lá o quê! Mas daí eu mesma me respondo: no dia em que eu chegar a uma resposta definitiva, a um estado de graça, não terei mais sonhos ou motivação.

     Decidi que ao invés de focar no que NÃO tenho feito (não tenho me dedicado à meditação e à escrita o quanto gostaria) e me sentir frustrada, vou parar um pouco e pensar nas pequenas coisas boas que tenho feito e descoberto:

 1- Família: na maior parte do tempo é cada um ocupado com seus afazeres e hobbies, mas há aqueles momentos em que de repente está todo mundo sentado em volta da mesa. Momentos assim são fantásticos! Assistir a um filme com os irmãos, cozinhar, ajudar uma prima a conseguir o primeiro emprego, deitar no colo da mãe, é disso que eu sentia falta.
  2- Comida: Tenho tentado manter a forma, mas a melhor comida do mundo é a brasileira e a melhor comida brasileira é a mineira, preciso dizer mais nada.
  3- Exercício: pra compensar o item acima, tenho caminhado/corrido no parque. Essa energia e motivação eu aprendi na Bélgica. Meu parque não é como o do Castelo de Gaasbeek, mas é ótimo pra pensar (escrevi metade deste texto lá).
   
           Saudável e em forma, bem alimentada de nutrientes e amor, passo os dias a estudar. Isso mesmo, eu estudo nas férias! Espero excelentes oportunidades de trabalho nos próximos meses e quero estar preparada.
 1- Comecei um curso de Pós-Graduação em Neuropsicologia Educacional (que nome chique!) e espero aprender muito. Fugi da pós em Língua Inglesa porque estou louca pra aprender algo novo, mas que enriqueça minha prática em educação. Além disso, me dei esses 14 meses de curso para me decidir e preparar para o passo seguinte.
 2- Francês e Holandês: não tenho vergonha de admitir que morei lá um ano e não fiquei fluente. Só por milagre, viu, porque as duas línguas me confundiram bastante. Meu francês não é perfeito mas sofreu uma melhora gritante. Meu holandês ainda é sofrível, mas não desisto. Devagar e sempre - uso livros, gramática, emails e chat com amigos, vídeos, notícias online, tudo o que for útil para a aprendizagem.
  3- Escolas, métodos, inovações em Ensino de Língua Inglesa: ano passado fiz um curso de TEFL (Teaching English as a Foreign Language) e tenho certificado para lecionar em vários países! Tenho ficado antenada aos diferentes métodos de ensino e novidades na área (turmas multinível, aulas via skype, telefone, etc).
 4- Empreendedorismo, marketing de rede, enriquecimento pessoal: é minha novidade pessoal. Tenho pavor a ficar estagnada, quero aprender e crescer. Foi a Quézia (ex colega da faculdade, inclusive uma das pioneiras das Au Pairs de Montes Claros) que me apresentou a empresa e o conceito, que me interessou muito. Vou fazer o treinamento de vendas da Up! Essências e logo estarei no time de representantes. Se dará certo ou não, se terei sucesso no ramo, só há um jeito de saber! Depende também do ponto de vista: aprender habilidades novas e conhecer pessoas já valerá a pena.

Na empolgação, já li dois livros:
a)      Rich Dad, Poor Dad (Pai Rico, Pai Pobre) de Robert Kyiosaki. Sua principal lição é não trabalhar por dinheiro e sim deixar o dinheiro trabalhar por você (se você possui um negócio que não requer tanto sua presença por exemplo). Ele recomenda ao jovem começar a buscar empregos mais pelo quanto vai aprender do que pelo que vai ganhar; fazer cursos, seminários, palestras que vão te ajudar a crescer no negócio e se rodear de pessoas inteligentes. Você deve também se inspirar nos seus heróis e pensar grande.
b)      A menina do vale, de Bel Pesce. Conheci a história da Bel enquanto lia o site Pequenas Empresas, Grandes Negócios. Pensei “Oba! Ebook grátis!” e antes de eu terminar de ler, todo mundo só falava nela. Menina porreta, essa! A história dela em si já é inspiradora e o livro dá dicas de sucesso no mundo empreendedor. O que mais marcou sua fala, para mim, foi a importância de haver paixão pelo que se faz e acredita, trabalho duro e em equipe, flexibilidade e humildade para se ver os erros e consertá-los a tempo.


     Tudo o que leio eu tento filtrar e transferir para minha realidade. Estou de mente aberta à procura de boas ideias. Por exemplo: como inovar no ensino de inglês? O que os alunos querem ou precisam? O que não funciona e precisa mudar? Sobre o quê as pessoas querem ler? Como posso desenvolver minha escrita para tocar mais a vida das pessoas?

     Me veio uma explosão de inspiração, percebi que nem escrevi sobre a última viagem (Valência) e ainda quero refletir mais sobre alguns dos assuntos acima, sobre o que aprendi sendo Au Pair e ainda tirar uns continhos do rascunho, mas já escrevi bastante e agradeço aos pacientes leitores que me dão apoio até hoje! Deixem comentários e ideias abaixo, please – por favor – s’il vous plait – alstublieft!

Monday, March 12, 2012

Antiga, mui nobre sempre leal e invicta cidade do Porto


Portugal foi a viagem mais esperada, merecida e curtida depois desse inverno longo, congelante e escuro. Estava pronta para um calorzinho, para falar português e relaxar. Postei no Facebook que estava à procura de companhia para a viagem e um dos meninos daqui se dispôs a ir comigo. 
Chegamos na sexta à noite, pegamos o metrô e encontramos o hostel facilmente. Já me senti em casa. Localização perfeita, perto do Douro, dos bares, lojas, transporte, praças, tudo! Casa limpa, decoração interessante, e o mais importante: pessoal super legal, ou “fixe”.
Na primeira noite já experimentei um dos pratos típicos locais: a francesinha. É um misto com vários tipos de carne, com queijo por cima e molho ao redor, servido em um prato e deve ser comido de garfo e faca. É gostoso e bem pesado, os molhos variam de acordo com o restaurante. Alguns acrescentam ovo e outros servem com batata frita. O meu foi simples, com um molho apimentadinho, adorei. Porém já cheguei cometendo gafe: pedi um Porto para acompanhar (já queria beber meu primeiro Porto em Porto, né?) e o garçom disse que não se bebe Porto enquanto se come, que é pra ser degustado. Ok, primeira lição aprendida.
Na manhã seguinte andamos um pouco pela vizinhança e nos deparamos com uma fila enorme de jovens cantando, tocando violão, etc. Ficamos curiosos e não custava nada perguntar – eles estavam fazendo teste pra programa Ídolos! Continuamos pela beira do Douro, admirando as pontes, as casas da velha cidade, o clima de tranquilidade. Não me preocupei com mapas e direções, só queria relaxar e admirar.
A cidade tem muitas subidas e descidas, ficava cansada rapidinho! Muitas ruas são estreitas e formam um pequeno labirinto e ficamos um pouco perdidos, mas seguindo na direção certa, eventualmente voltávamos  ao hostel.
Fizemos o passeio gratuito que um grupo organiza com hóspedes de outros hostels. De uma vez só vimos bastante da cidade, escutamos ótimas histórias e conhecemos mais gente legal. A guia contava as histórias dos monumentos e personagens históricos de um jeito bem interessante e diferente, nada maçante. Os prédios, casas, igrejas, monumentos e ruas são lindos e dão vontade de ter uma máquina do tempo e voltar pra ver como era a vida. Mas por enquanto a imaginação serve. Algumas construções são semelhantes às de Ouro Preto e cidades antigas do Brasil, feitas provavelmente na mesma época e estilo. A maioria das casas estão em bom estado, mas outras foram completamente abandonadas e estão caindo aos pedaços.
No almoço comi outro prato típico: bacalhau. Cruzamos a ponte e encontramos um restaurante bacana em Vila Nova de Gaia. O bacalhau estava bom, mas não é meu preferido, muito salgado. Eles serviram acompanhado de batata doce pra balancear, mas mesmo assim. A sobremesa, tarte de nata, estava deliciosa, tenho certeza que engordei nesse passeio. Concordo com quem nos recomendou comer em Gaia – a vista pra Porto é bem mais bonita! Sentamos na beira do rio após o almoço, no sol, relaxando e admirando os barcos, a cidade, as pessoas. Não me canso de dizer o quanto eu amei esse passeio, o quanto eu estava feliz lá. Não sei se foi a cidade em si, ou o clima que elevou meu ânimo. 18 graus, sol, não precisar de várias camadas de roupa – paraíso! Mas Porto é mesmo linda e possui várias faces, eu definitivamente moraria lá!
Dormi cedo no primeiro dia pra aproveitar o domingo, que foi o melhor dia da viagem. Visitamos a Igreja de São Francisco, que por dentro é coberta em ouro (brasileiro) e depois fomos de ônibus até a praia. Eu queria chorar de tanta alegria. Uma praia linda, uma sensação de tranquilidade, paz, uma vontade de sentar ali e não ir embora. Almoçamos sentados no sol, olhando o mar. Desta vez pedi filés de pescado, com salada e arroz. Cada refeição era um momento único. À tarde fizemos um passeio de barco, que dura mais ou menos uma hora e é uma delícia se o clima está bom. Como sou a viajante mais sortuda, o sol estava brilhando e aproveitamos a paisagem e o vento no rosto. Depois, tentamos encontrar a cave Taylor’s para uma visita e degustação, mas ela fica bem escondidinha numa subida e quando chegamos lá, já estavam fechando. Mas nos ofereceram exemplos do Porto branco e vermelho. A vista de lá de cima também fez valer a pena a caminhada. 
À noite fomos ao festival Essência do Vinho (em Portugal! Tenho que frisar!). Podíamos experimentar quantos vinhos quiséssemos - havia centenas de produtores e ainda bem que não deu tempo de beber muito, pois fecharam às 20h. No dia seguinte: estômago ruim e a vaga lembrança de ter conhecido meus novos colegas de quarto. Comi um pãozinho seco, bebi um pouco de água e uma aspirina, conversei um pouco com o holandês e o brasileiro e mandei o Jimmy ir fazer compras enquanto eu dormia um pouco. Eu tinha que beber vinho até morrer em Porto mesmo né?!
Depois que melhorei, fomos à Casa da Música, uma parte bem diferente da cidade, mais comercial, moderna. O prédio é muito diferente, branco, geométrico e com rampas ótimas pra skatistas do lado de fora. No último andar há um restaurante e um terraço e tomamos um suco de laranja sentados ao sol. Que vida boa!
Andamos de lá até a praia (mais de uma hora) e vimos uma outra parte de cidade, residencial, também mais moderna. Definitivamente, Porto tem várias faces e agrada a todos. Almocei um strogonoff delicioso e experimentei polvo, que o Jimmy pediu. Foi preparado fresco, como uma salada com ervas, gostosinho, interessante.
À noite o pessoal do hostel foi todo junto para o Carnaval. As ruas estavam abarrotadas de gente fantasiada, os bares lotados. Adorei a festa que fomos, música ótima, galera divertida – ninguém bate as australianas!
Na terça-feira queríamos ir a Guimarães, mas os trens (ou comboios) estavam em greve. Resolvemos pegar um ônibus (autocarro) e fomos parar em Braga. Comi a maior e mais barata refeição da minha vida – um cozido de várias carnes e legumes, arroz, sopa, refrigerante e salada de frutas por 6,50! Lá conhecemos uma igreja linda e comprei um azulejo com a inscrição “Família Miranda”. O tempo inteiro que estive em Porto lembrei de pai e mãe e como eu queria trazê-los aqui e compartilhar tudo que vejo e vivencio. Ainda havia pessoas fantasiadas nas ruas e destaque para as crianças: as coisinhas mais fofas do mundo!
No último dia, quarta-feira, andei sozinha pelas ruas, comprando souvenirs. Foi uma sensação boa, a independência, paz. O Jimmy foi mais cedo para o aeroporto, eu almocei com o Tiemen e fomos juntos. Já me deu aquela depressão pós férias, mas estava feliz de voltar e planejar a próxima viagem: Espanha!

Tuesday, January 17, 2012

Bélgica


Sempre que me perguntam por que escolhi morar na Bélgica, respondo que na verdade a Bélgica me escolheu. Minha vontade de morar na Europa, viajar mais e aprender outra língua me levou a ser Au Pair novamente e conheci a família perfeita, que vive na Bélgica.
Estava tão certa do que queria que não hesitei por muito tempo. Aceitei morar com eles, organizei toda a documentação, fiz as malas, disse meus adeus e vim.
Vim sem saber o que esperar, sem expectativas ou pré-conceitos. Passei duas semanas no litoral, observando, explorando e aprendendo. Me adaptando à família e eles a mim. Tendo muitas dores de cabeça por escutar holandês demais.
De volta à vila, me dei conta do lugar lindo que moraria por um ano. Muito verde, silêncio, animais e... um castelo de verdade! Comecei a fazer caminhadas no parque em volta do castelo. Até hoje mal posso acreditar na minha sorte.
A Bélgica é dividida em duas partes: a holandesa e a francesa (na verdade três, mas a parte alemã é tão pequena!). A capital, Bruxelas, é bilíngue. Moro na parte holandesa, mas em meia hora estou em Bruxelas escutando francês e várias outras línguas. Outra coisa que me impressionou na capital é o número de imigrantes, principalmente africanos e muçulmanos – mulheres usando véus, roupas típicas super coloridas, etc.
Como típica turista, logo visitei os monumentos e símbolos da cidade – Atomium, Manneken Pis, Grand Place, Palácio Real, etc. Aprendi a usar o metrô, a me localizar e a circular a pé. Fui a eventos e shows no verão, vi o Steven Spielberg e o Arnaldo Antunes. Bruxelas começou a se tornar familiar pra mim, mas nunca perco a sensação de insegurança que sinto ao andar pelas ruas da cidade. Como várias capitais, há gente de todo lugar e muitas dessas pessoas se comportam de um jeito estranho.
Fiz aulas de holandês e aprendi algumas coisas com a família e os amigos. Às vezes entendo o contexto, mas desisti de querer falar essa língua. Comecei minhas aulas de francês e estou evoluindo bastante. Entendo bem, leio e arrisco falar um pouco e me viro bem!
Não dá pra falar de Bélgica sem falar das cervejas, dos chocolates, dos waffles e das fritas! Primeiro: há uma lista gigante de cervejas fabricadas aqui, de marcas conhecidas a pequenos produtores, cervejas fracas e outras fortíssimas, cervejas tradicionais ou com sabor de fruta. É o paraíso da cerveja!
Os chocolates são também deliciosos e há até museu do chocolate. O hábito mais diferente e engordativo que aprendi foi comer pão com Nutella no café da manhã. Todos os dias. Bom, tive que parar, porque senão...
A cada esquina há uma barraquinha de fritas, que são vendidas em cones ou caixinhas de papel e acompanhadas de molhos, principalmente maionese. Nas vendinhas de waffles eles são feitos na hora. Não dá pra resistir ao aroma! Waffle com calda de chocolate, waffle com sorvete, waffle com chantilly e frutas!
Este pequeno país no coração da Europa, dividido, sem governo central, realmente conquista seu coração!
Das águas frias do litoral aos canais da linda Brugge, de Flandres à Wallonia, da capital ao campo, das viagens de trem, dos moinhos, dos castelos e igrejas antigos, do orvalho congelado pela manhã, dos patos, ovelhas, pôneis, veados e pássaros, da chuva, do vento forte, dos passeios de bicicleta e, mais que tudo, das amizades e da família, das inúmeras risadas regadas a cerveja, dos filmes, dos jogos, das viagens e caminhadas, das pessoas que abriram seus braços para me receber – vou sentir saudades.



Tuesday, December 6, 2011

Quase Verbo - Almost a Verb


joguinho de rimas

minha mão
rima com as suas coxas.
minha outra mão
rima com suas mamas.
meu corpo
rima sobre o corpo seu
também rima debaixo do corpo seu.
minha boca
rima com sugar você todinha.
sua boca
rima me descobrir das cabeças aos pés.
minha língua
rima com o seu umbigo
e também com os seus pelos e mistérios.
sua língua
rima com o meu rijo pecado.
so não quero saber de rimar
sexo com gozo solitário.


little game of rhymes

my hand
rhymes with your thighs.
my other hand
rhymes with your breasts.
my body
rhymes on your body
it also rhymes under your body.
my mouth
rhymes with sucking you all over.
your mouth
rhymes with exploring me from head to toe.
my tongue
rhymes with your navel
and with your hair and mysteries.
your tongue
rhymes with my rigid sin.
i just don’t want to rhyme
sex with lonely pleasure.

(Do livro Quase Verbo de Jurandir Barbosa, traduzido por Ana Elisa Miranda. Lançamento em breve).


Sunday, November 27, 2011

That Sunday



                It’s already 11:30am and I’m still in bed. Half of the day went by and the only thing I did was sleep. I feel I’m wasting time. But anyways, it’s Sunday and what is there to do in this town? I roll over to my side, pull the blankets over my head and close my eyes. It`s impossible to fall asleep again, because I`ve slept enough. Damn! The sun is coming in my room through the blinds and the sound of kids playing on the street is bothering me. It must be a beautiful day and here I am, going against the joy and excitement that comes with vacations.
                I manage to drag myself out of bed, splash some cold water on my face and go to the kitchen to eat something. Breakfast is my favorite meal, especially at grandma`s house. She had made cake, cheese bread, cookies. And there`s always fresh coffee. After that, who knows what time I`ll have lunch. And who cares?
                I have the tv remote in my hands when my cell phone rings. It`s one of my old school classmates. I hesitate about answering for a moment, because I don`t know what to expect from her and what excuse to give in case she has some boring or weird invitation. Finally, I force a smile, take a deep breath and pick up the phone. Leticia was always in a good mood, loved going out but also got in trouble sometimes.
“Hello?!” I say, still hesitating.
“Mari! Hi, how are you?”
“Good.” Lie.
“Long time, girl!”
“Yeah…” I don`t remember the last time I saw her, and honestly I don`t care.
“Listen, some of my friends are going to Dani`s grandpa`s ranch, to the waterfall, so I thought of calling you, you`re staying home alone all the time…”
“I don`t know…” It could be fun, but I smelled trouble in the air.
“Don`t worry, we`ll go in two cars. Just meet us in front of the elementary school in half an hour, ok? See ya’!” And with that she hangs up on me.
I think it`s nothing much, maybe I should put my worries on the side for a while, have some fun, see old friends again. Without thinking much I put some stuff in my backpack: bathing suit, towel, fruit, cookies, water; tell grandma and walk to the school. The town looks the same as it did on my childhood- the houses, the stores, the squares. But I don`t recognize most of the people, although they know exactly who I am.
I get to the school and everybody is already in the first car. Everybody but Gabriel, who is leaning against the second car. I never liked that guy. Actually, I had never talked to him. We were classmates for eight years. He always sat way on the back of the class and I sat on the first row. Eight years and I never noticed how cute he is.
“Mari, I`m glad you came!” Says Leticia, forcing me to take my eyes off his. “We were waiting for Julie, but she just called saying she is not coming. Our car is full, so you go with Gabriel, ok?” And off they go to the ranch.
I never know what to say in this kind of situation - when I don`t know a person well, when I`m left alone with this person, when I was taken with a sudden attraction for this person and to make it worse I haven`t had many conversations lately. I could have lost my voice and not noticed.
He gestures towards the car and I get in quickly, without a word. We don`t say anything for the next fifteen minutes. It was more than awkward when we heard a noise and the car started having problems.
“What was that?”
“Don`t know. We`ll have to stop and check.”
“Oh, great!”
“It`ll help more if you don`t complain. I`ll check the engine, you pay attention, if someone comes, ask for help.”
“I`m not complaining. And honestly I don`t think someone is going to come in the middle of nowhere.”
Sometimes I hate myself. And now is a good example. Why do I have to be so stupid? Why scare all guys only because an idiot left me? An idiot that I loved so much… But I know I have to forget. I try to think about something to start a conversation, but nothing comes to my mind. It can`t be the car, because I know nothing about cars. And that`s when he saves me.
“What a progress for a school newspaper editor, uh? Working on Ella magazine. Congratulations!”
“It`s just an internship. I`ll graduate in the end of the year. How about you?”
“Engineering. I still have one year to go.”
And so we talk for hours, with him poking the engine and me sitting on the edge of the road, chattering like a fool. We talk and talk and we know almost everything about our lives when he says we can go. I didn`t notice he was done because I was so distracted taking mental notes about what he likes to do, about his family and the classes he hates.
Talking for the rest of the drive, I don`t even see time passing. I don`t notice the pastures, so green this time of the year, the cows, the water streams. We get to the waterfall and everybody is swimming, laughing out loud, and drinking beer. We are all surprised when I sit on a rock under the mango tree and he sits by my side and puts his hand on mine.

(From the book Qualquer dia desses, originally written in Portuguese.)

Monday, November 14, 2011

11.11.11 / "In Flanders Fields"




I saw many people wearing this pretty red paper flower in London and that was when I first heard the story of the Poppy Flower and Armistice Day. I asked my host and he told me that the flowers are bought for whatever amount of money - that goes to charity – and worn in honor to the end of the war and the ones who died on it.

The following week, my host dad told me that he would really like me to come along with them on Armistice Day and we visited the Harlebeke New British Cemetery, where a lot of English, Canadian, Australian and other soldiers from the Allied side are buried.

War has always been a foreign concept for me because 1) I don’t believe or understand the reasons why human beings do such thing and 2) war has never struck Brasil so hard that it’s imprinted in my history, in my family, in my beliefs. For that reason, I spent some time hesitating between wearing the Poppy Flower or not but decided to do it. As I talked to my host family I understood how grateful they are for the soldiers who came all the way from overseas to help them free their land. I also gave some thought and decided that I should respect the courage and faith they put on what they truly believed and at last, I prayed for the shattered families and broken hearts caused by the war.

The following poem is the origin of the Poppy Flower tradition. It was written by John McCrae (it’s said that after he saw his friend die in battle).

In Flanders fields the poppies grow
      Between the crosses, row on row,
   That mark our place; and in the sky
   The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
   Loved and were loved, and now we lie,
         In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
   The torch; be yours to hold it high.
   If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
         In Flanders fields


Wednesday, November 9, 2011

London




A cada viagem compreendo melhor que não adianta querer fazer tudo e ver todos os lugares turísticos ou interessantes. É bom ter um plano, mas é melhor ser flexível, relaxar e deixar a cidade te surpreender. Foi o que fiz em Londres. Teria três dias e a companhia de Maitê e Alex.
Esperei muito por essa viagem, Londres é uma das cidades que mais sonhei em visitar – como estudante de língua e literatura inglesa, nada mais natural do que visitar o berço.
Fui de ônibus e não fazia ideia do trajeto. Todos me disseram que uma parte era em navio, mas no fim das contas – depois de voltas e voltas – o ônibus entra numa espécie de trem, que por sua vez atravessa o Euro Tunnel. Não é uma viagem para claustrofóbicos! A partida é da França, e mais uma vez tive meu passaporte carimbado fora de ordem (já virou bagunça).
Minha primeira experiência sendo hospedada por alguém do CouchSurfing foi ótima. Primeiro porque a Maitê já o conhecia e ficaria lá nas primeiras noites. Segundo porque ele foi muito educado, receptivo, passou o fim de semana todo passeando com a gente e tivemos grandes conversas sobre espiritualidade.
Foi também a cidade onde comi as comidas mais variadas – chinesa, indiana e vietnamita!
Claro que andamos no ônibus vermelho de dois andares (quase caí subindo a escada na hora que o motorista acelerou!) e tiramos fotos nas cabines telefônicas. Típicas turistas.
Fomos à feira de Notting Hill, vi onde morou George Orwell, andamos à beira do Thames, vi o Big Ben, dei uma volta no London Eye – e como sou sortuda, o tempo estava ótimo e a vista linda!
No domingo vimos a troca da Guarda da Rainha. Ou melhor, ouvimos, pois estava mais que lotado. A banda tocou uma melodia conhecida, mas Maitê e eu demoramos uns dois minutos pra reconhecer (I could be brown, I could be blue, I could be violet sky!). Foi o máximo ouvir a banda da Guarda Real tocando Mika! Depois consegui ver os guardas saindo, alguns a pé e outros a cavalo.
Passamos também pela Abadia de Westminster, London Bridge, London Tower e Piccadilly. Os dias foram muito tranquilos, sem pressa, fizemos ótimas refeições, andamos pelo rio e, quem diria, vi tudo o que estava na minha lista e mais! Lindos parques, pessoas educadas, cidade limpa (inclusive as estações de metrô) e clima agradável (juro que esperava chuva, frio e neblina).
No último dia fiquei sozinha e, como boa fã de Harry Potter, fui à estação King’s Cross, mas demorei horas para encontrar a Plataforma 9 ¾. Depois fui à Oxford Street fazer compras. Já era noite e as luzes deixavam os prédios lindos.
Essa viagem me deixou com vontade ver ler todos os livros e ver todos os filmes Harry Potter de novo, também de reler os livros e poemas que estudei na faculdade, a história da língua inglesa e mais. Mas acima de tudo, me deixou com a certeza de que voltarei lá o mais rápido possível!

Tuesday, November 8, 2011

Poesia é risco


7 de novembro – um dos dias mais longos da minha estada na Bélgica. Saí de casa cedo, ainda meio escuro, sentindo muito frio e um pouco de nervosismo pelas provas finais de francês. Perdi o ônibus que geralmente pego (passou na minha frente!) e esperei mais uns 15 minutos pelo próximo. Nunca vi um trânsito como aquele por aqui. Levamos o dobro do tempo pra chegar à Bruxelas. Já estava super atrasada, mas como sabia que seria a última a fazer a prova oral, fiquei mais tranquila. A prova escrita foi boa, e fiquei o tempo todo na sala, escutando os outros fazerem a oral, o que me deixou mais calma na minha vez. O professor só encontrou um erro no meu texto, fiquei muito feliz, e ele disse que estou falando bem, que melhorei bastante.
Maitê não pode almoçar comigo, então fui procurar uma bota – até hoje não achei uma que eu ame e esteja disposta a pagar – porque tinha que ir à faculdade a tarde para fazer a matrícula para o nível 2 e precisava passar o tempo.
Enquanto isso, estava me roendo pra saber se precisava voltar pra casa e trabalhar, porque estava louca pra ir ao evento do Augusto de Campos, com participação da Adriana Calcanhoto e do Arnaldo Antunes!
Saí da faculdade às 16h e o meu host dad me escreveu dizendo que só precisava de mim na manhã seguinte (quase pulei de alegria!). Mas eu tinha 4 horas pra passar em Bruxelas e nenhuma das meninas iria ao show. Estava frio, chuvoso, ventando, quase desanimei. Fiquei com medo de ir embora à noite sozinha. Não consegui descobrir ao certo onde era a entrada, se era preciso comprar ingressos, se estava lotado, etc. Fiquei rondando a prefeitura em busca de informações até que um senhor começou a conversar comigo, falando do marco zero da cidade e não sei mais o quê e se eu queria entrar e ver a prefeitura por dentro. Eu fui, né, por que não? Talvez eu encontraria alguém pra me explicar sobre o evento. Andamos lá dentro, vendo pinturas, reunião do prefeito com outros politicos, a sala de casamentos... até que escuto a voz que mais esperava naquela noite. O Arnaldo estava ensaiando na sala ao lado! Entrei por uns 5 minutinhos, nem acreditei! Perguntei sobre o evento – era de graça, as portas abririam às 20h - e saí feliz da vida. Pra completar minha felicidade e provar a corrente do bem daquela noite, um amigo de Lennik disse que me buscaria, eu o convidei pro show e ele foi!
Foi definitivamente a noite mais encantadora do ano. Me trouxe um sentimento de lar, de família, de conforto e reacendeu minha inspiração. A poesia de Augusto de Campos, os efeitos visuais e sonoros e as vozes de Adriana Calcanhoto e Arnaldo Antunes formaram um espetáculo lindo.
Ter o privilégio de ver um dos meus artistas favoritos e ouvir sua voz profunda, imperturbável e única me arrepiou e emocionou. E pra completar o presente, ele foi super simpático quando o cumprimentei – meio boba – e pedi para tirar uma foto!



Saturday, October 8, 2011

Doce Infância




            Eu não quero mudar de quarto. Não quero um quarto novo só meu. Quero dormir com a mamãe! O quarto novo é escuro e tem bicho debaixo da cama. Não consigo dormir sozinho no escuro com um bicho embaixo da minha cama! Por que o neném pode dormir com a mamãe e eu não?
*
            “O horário comum é diferente do horário de verão. O sol acorda cedo. Chegou o horário de verão. No horário de verão nós temos que acordar mais cedo.”
*
            Mamãe deixou eu dormir na camona dela essa noite, mas quando acordei eu estava na minha caminha... Aposto que foi o João Bobão que me pegou de lá (João Bobão é o bicho que mora embaixo da minha cama, por isso eu sempre vou depressa e dou um pulo em cima da cama pra ele não me puxar pelo pé. Mamãe diz que não tem bicho nenhum lá, mas à noite eu escuto ele fazendo barulho).
            Papai me levou pra um lugar chamado escola e me deixou sozinho lá. Tinha um monte de criança lá, mas eu queria ir brincar na casa do meu primo Guto. Ele me disse que agora eu vou ter que ir todo dia lá pra tal de escola. Não sei por que. Vou perder meus desenhos da TV. Mas eu não chorei, porque papai disse que meninos não choram. Então o neném deve ser menina...
*
            “O carneirinho se chama Memé. Memé pula...pula...Um dia Memé estava pulando e caiu na tinta preta. Quando Memé chegou perto de Pedro, Pedro falou: De onde surgiu esse carneirinho preto? Sabe por que ele falou isso? Porque Memé era branquinho... branquinho... ”
*
             O bebê é engraçado. Tem só dois dentinhos. Ontem ele mordeu minha mão e doeu muito. Eu ia morder ele também. Mas papai não deixou. O João Bobão agora é meu amigo e vai pra escola comigo. Lá é até legal porque a gente faz coisas interessantes, mas eu não gosto de ir pra lá todo dia não.
*
           “É primavera. O dia está bonito. O céu azul e o sol a brilhar. Os pássaros cantam, as borboletas voam. As flores ficam bonitas. As árvores verdes e floridas. Abelhinhas voam pra lá e pra cá é a primavera que acabou de chegar.”

(Do livro "Qualquer Dia Desses", por Ana Elisa Miranda)

Monday, October 3, 2011

Ana vs Moscas-Zumbi comedoras de aranhas


Primeiro foram os morcegos. Deixei a janela aberta por algumas horas e quando cheguei dei de cara com dois morceguinhos. A princípio fiquei assustada, com medo de ser atacada, mas consegui fazer um voar e sair pela janela novamente, mas o outro voou pro quarto e se refugiou lá no alto, nas vigas do teto. Me cobri dos pés à cabeça na hora de dormir, imaginando o morcego subindo em mim e mordendo meu rosto, mas ele não me perturbou. Três dias se passaram, mantive uma toalha a postos até o momento em que cheguei e o vi quietinho ao pé da cama. O bichinho até que era bonitinho! Joguei a toalha em cima dele, peguei e o joguei pela janela. Ana versus os morcegos: ponto pra Ana!
Agora são as moscas – ou como eu as chamo: moscas-zumbi comedoras de aranhas! Não é normal a quantidade de moscas que voam e morrem aqui na torre. Todos os dias preciso varrer centenas delas do chão! Não entendo como vieram parar aqui, pois quase não abro as janelas e quando abro coloco a tela. No início fiquei zen, mas com o passar dos dias isso foi me irritando! Aquele monte de mosca voando e zumbindo à noite, no dia seguinte um monte de cadáver no chão, e quando acendo as luzes elas se queimam e deixam um cheiro de torrado. Onde estão as aranhas quando preciso delas? Acho que agora são as moscas que estão atacando as aranhas. E às vezes elas ficam paradinhas, mas quando passo a vassoura elas voam! A única explicação é que havia ovos em algum lugar da torre e agora, com a temperatura, elas nasceram. Não consigo pensar em outra coisa. Ou talvez haja um cadáver escondido aqui... que medo de acordar no meio da noite com a cara cheia de mosca! Ana versus moscas zumbis comedoras de aranhas: ponto pra elas. Talvez seja uma mensagem...