Sunday, September 23, 2012

Sapus brejeirus




            Sapo é um animal vertebrado da classe dos anfíbios, pertencente à ordem dos batráquios ou anuros (sem cauda no estágio adulto). Variam de dois a 25cm de altura, apresentam corpo abrutalhado e pele coberta de verrugas. Os indivíduos adultos são pardo-escuros, às vezes com manchas. O mais característico dos sapos brasileiros é o sapo-cururu (Bufo marinus), útil ao homem, pois devora insetos que infestam as plantações. Absorvem através da pele produtos químicos da água e do solo e são por isso considerados excelentes indicadores ecológicos da saúde do ambiente.
            Alguns representantes da espécie são célebres, como aquele que foi beijado por uma linda princesa e logo se transformou em um jovem príncipe. E, como num bom conto de fadas, é claro que sua historia terminou com um “e foram felizes para sempre...”.
            E tem também um “muso inspirador” de canções populares: “O sapo não lava o pé, não lava porque não quer, ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer, mas que chulé!” Se bem que levar essa fama não deve ser muito agradável. Hoje ninguém sabe se ele ainda mora naquela lagoa ou se seu problema foi resolvido.
            Porém, a espécie mais intrigante e peculiar é a recém descoberta Sapus brejeirus, cujo habitat natural é uma pequena cidade ao norte do estado de Minas Gerais, Brasil. Os brejeiros levam uma vida pacata de interior, vendo a vida passar num ritmo lento e gostoso. Para ajudar a passar o tempo, eles costumam se ocupar da vida alheia, mas geralmente são inofensivos. É uma espécie dócil e amigável, acolhe com hospitalidade indivíduos de outras espécies e regiões.
            Os brejeiros também migram periodicamente. Alguns se adaptam bem a outros climas, outros não. Uns até tentam disfarçar e negar sua raça, mas todos um dia voltam a seu habitat natural.
            Um costume típico desta espécie foi relatado pelos observadores e denominado Farras constantes. É quando muitos Sapus brejeirus se agrupam em um determinado local, produzem um barulho ensurdecedor e se movem de um jeito estranho. As relações sociais são intensas, principalmente entre sexos opostos. Muitos gostam de beber um tipo de destilado ou fermentado.
            Por fim, cientistas observaram nesta bizarra espécie um mecanismo apurado de defesa e, por que não dizer, fraternidade: os brejeiros podem falar mal à vontade de seu habitat natural, mas se algum estranho se atreve... Viram Feras!

(Ana Elisa Miranda - 2007)


            

Saturday, June 9, 2012

Estava atrasada. Desceu as escadas correndo e virou abruptamente à direita na saída do edifício. Não viu que ele entrava naquele momento, valise numa mão, cigarro acesso na outra. 
Cinco anos mais tarde, ele havia parado de fumar, mas a cicatriz no rosto dela ainda era visível. Seria a eterna lembrança do dia em que se conheceram, da primeira vez que ela o xingou, da primeira vez que ele se desculpou, do primeiro café, dos primeiros olhares, do primeiro beijo. 
Ana Elisa

She was late. She ran down the stairs and turned right abruptly at the building's entrance. She didn't see that he was going in at the same time, briefcase in one hand, lit cigarette in the other.
Five years later, he had quit smoking but the scar on her face was still visible. It would be forever a reminder of the day they met, the first time she called him names, the first time he apologized, the first coffee, the first looks, the first kiss.

Wednesday, May 30, 2012

Mmmm, delícia!

Amigos,

Novidade! Estou representando a marca Up! Essências. São perfumes de alta qualidade porque:
1) trazem as essências da mesma fornecedora das grifes como Dolce & Gabana, Diesel, Carolina Herrera, Armani, Calvin Klein, etc. (olha que testei muito perfume na Europa e nos EUA, hein!);
2) possui 0% (isso mesmo, NADA) de água na fórmula; e o melhor:
3) custa só R$79 o frasco de 50ml. 

Dá pra acreditar?

No meu kit tem o mapa olfativo pra ajudar você a escolher sua fragrância - amadeirado, adocicado, cítrico, suave, intenso? Tem pra todo mundo! Além das amostras pra você sentir. Eu estou cheirosíssima usando o Up! 14, que é semelhante ao Dolce & Gabana Light Blue, uma delícia!

Outra coisa, pra quem está interessado em fazer uma boa RENDA EXTRA, fazendo parte da equipe de marketing multinível da Up! (sem falar que o lucro com cada perfume é de 100%), haverá treinamento oficial neste domingo em Montes Claros e em várias outras cidades, olhem só:

http://www.upessencia.com.br/

Eu vou com minha parceira Dany e em breve estaremos juntas fazendo a alegria desse povo cheiroso!

Quem não se interessar agora, por favor passe a novidade adiante porque com certeza você conhece alguém que adora perfumes e que queira/precise de uma renda alternativa.

Abraços cheirosos, meus amores!!!




Monday, May 28, 2012

Bote um livro pra circular!

"Olá!
Este livro não te pertence. A pessoa que te entregou acha que você gostaria de lê-lo. Caso não se interesse, passe adiante. O importante é não deixá-lo parado. Caso decida lê-lo, conte à autora o que achou e de onde é! Se você ama ler e compartilhar coisas boas, entre na brincadeira e bote um livro pra circular. @anaelisasm ou anaelisasm@gmail.com"

Mensagem escrita num exemplar de Qualquer dia Desses, que despachei pra dar uma voltinha ;) A ideia não é minha - li em algum lugar na internet e achei interessante, pois compartilho da filosofia de que livro não foi feito pra acumular poeira na estante. Portanto, vamos emprestar nossos livros, gente!

Thursday, May 24, 2012

Voltei ao Brasil. E agora?



     Estou em casa há sete semanas. Lógico que já me adaptei, pois vivi a maior parte da minha vida aqui e tudo é familiar. O que não significa que me conformei ou acomodei - com tanto tempo livre (férias, desemprego, transição de carreira?) o que mais tenho feito é refletir. Bate uns momentos de incerteza, desânimo, outros de tranquilidade e confiança que tudo vai dar certo.
     Dúvidas, insônia, dores de cabeça, então me pergunto: será que rodei o mundo e não aprendi nada? Continuo nesta busca de sabe-se lá o quê! Mas daí eu mesma me respondo: no dia em que eu chegar a uma resposta definitiva, a um estado de graça, não terei mais sonhos ou motivação.

     Decidi que ao invés de focar no que NÃO tenho feito (não tenho me dedicado à meditação e à escrita o quanto gostaria) e me sentir frustrada, vou parar um pouco e pensar nas pequenas coisas boas que tenho feito e descoberto:

 1- Família: na maior parte do tempo é cada um ocupado com seus afazeres e hobbies, mas há aqueles momentos em que de repente está todo mundo sentado em volta da mesa. Momentos assim são fantásticos! Assistir a um filme com os irmãos, cozinhar, ajudar uma prima a conseguir o primeiro emprego, deitar no colo da mãe, é disso que eu sentia falta.
  2- Comida: Tenho tentado manter a forma, mas a melhor comida do mundo é a brasileira e a melhor comida brasileira é a mineira, preciso dizer mais nada.
  3- Exercício: pra compensar o item acima, tenho caminhado/corrido no parque. Essa energia e motivação eu aprendi na Bélgica. Meu parque não é como o do Castelo de Gaasbeek, mas é ótimo pra pensar (escrevi metade deste texto lá).
   
           Saudável e em forma, bem alimentada de nutrientes e amor, passo os dias a estudar. Isso mesmo, eu estudo nas férias! Espero excelentes oportunidades de trabalho nos próximos meses e quero estar preparada.
 1- Comecei um curso de Pós-Graduação em Neuropsicologia Educacional (que nome chique!) e espero aprender muito. Fugi da pós em Língua Inglesa porque estou louca pra aprender algo novo, mas que enriqueça minha prática em educação. Além disso, me dei esses 14 meses de curso para me decidir e preparar para o passo seguinte.
 2- Francês e Holandês: não tenho vergonha de admitir que morei lá um ano e não fiquei fluente. Só por milagre, viu, porque as duas línguas me confundiram bastante. Meu francês não é perfeito mas sofreu uma melhora gritante. Meu holandês ainda é sofrível, mas não desisto. Devagar e sempre - uso livros, gramática, emails e chat com amigos, vídeos, notícias online, tudo o que for útil para a aprendizagem.
  3- Escolas, métodos, inovações em Ensino de Língua Inglesa: ano passado fiz um curso de TEFL (Teaching English as a Foreign Language) e tenho certificado para lecionar em vários países! Tenho ficado antenada aos diferentes métodos de ensino e novidades na área (turmas multinível, aulas via skype, telefone, etc).
 4- Empreendedorismo, marketing de rede, enriquecimento pessoal: é minha novidade pessoal. Tenho pavor a ficar estagnada, quero aprender e crescer. Foi a Quézia (ex colega da faculdade, inclusive uma das pioneiras das Au Pairs de Montes Claros) que me apresentou a empresa e o conceito, que me interessou muito. Vou fazer o treinamento de vendas da Up! Essências e logo estarei no time de representantes. Se dará certo ou não, se terei sucesso no ramo, só há um jeito de saber! Depende também do ponto de vista: aprender habilidades novas e conhecer pessoas já valerá a pena.

Na empolgação, já li dois livros:
a)      Rich Dad, Poor Dad (Pai Rico, Pai Pobre) de Robert Kyiosaki. Sua principal lição é não trabalhar por dinheiro e sim deixar o dinheiro trabalhar por você (se você possui um negócio que não requer tanto sua presença por exemplo). Ele recomenda ao jovem começar a buscar empregos mais pelo quanto vai aprender do que pelo que vai ganhar; fazer cursos, seminários, palestras que vão te ajudar a crescer no negócio e se rodear de pessoas inteligentes. Você deve também se inspirar nos seus heróis e pensar grande.
b)      A menina do vale, de Bel Pesce. Conheci a história da Bel enquanto lia o site Pequenas Empresas, Grandes Negócios. Pensei “Oba! Ebook grátis!” e antes de eu terminar de ler, todo mundo só falava nela. Menina porreta, essa! A história dela em si já é inspiradora e o livro dá dicas de sucesso no mundo empreendedor. O que mais marcou sua fala, para mim, foi a importância de haver paixão pelo que se faz e acredita, trabalho duro e em equipe, flexibilidade e humildade para se ver os erros e consertá-los a tempo.


     Tudo o que leio eu tento filtrar e transferir para minha realidade. Estou de mente aberta à procura de boas ideias. Por exemplo: como inovar no ensino de inglês? O que os alunos querem ou precisam? O que não funciona e precisa mudar? Sobre o quê as pessoas querem ler? Como posso desenvolver minha escrita para tocar mais a vida das pessoas?

     Me veio uma explosão de inspiração, percebi que nem escrevi sobre a última viagem (Valência) e ainda quero refletir mais sobre alguns dos assuntos acima, sobre o que aprendi sendo Au Pair e ainda tirar uns continhos do rascunho, mas já escrevi bastante e agradeço aos pacientes leitores que me dão apoio até hoje! Deixem comentários e ideias abaixo, please – por favor – s’il vous plait – alstublieft!

Monday, March 12, 2012

Antiga, mui nobre sempre leal e invicta cidade do Porto


Portugal foi a viagem mais esperada, merecida e curtida depois desse inverno longo, congelante e escuro. Estava pronta para um calorzinho, para falar português e relaxar. Postei no Facebook que estava à procura de companhia para a viagem e um dos meninos daqui se dispôs a ir comigo. 
Chegamos na sexta à noite, pegamos o metrô e encontramos o hostel facilmente. Já me senti em casa. Localização perfeita, perto do Douro, dos bares, lojas, transporte, praças, tudo! Casa limpa, decoração interessante, e o mais importante: pessoal super legal, ou “fixe”.
Na primeira noite já experimentei um dos pratos típicos locais: a francesinha. É um misto com vários tipos de carne, com queijo por cima e molho ao redor, servido em um prato e deve ser comido de garfo e faca. É gostoso e bem pesado, os molhos variam de acordo com o restaurante. Alguns acrescentam ovo e outros servem com batata frita. O meu foi simples, com um molho apimentadinho, adorei. Porém já cheguei cometendo gafe: pedi um Porto para acompanhar (já queria beber meu primeiro Porto em Porto, né?) e o garçom disse que não se bebe Porto enquanto se come, que é pra ser degustado. Ok, primeira lição aprendida.
Na manhã seguinte andamos um pouco pela vizinhança e nos deparamos com uma fila enorme de jovens cantando, tocando violão, etc. Ficamos curiosos e não custava nada perguntar – eles estavam fazendo teste pra programa Ídolos! Continuamos pela beira do Douro, admirando as pontes, as casas da velha cidade, o clima de tranquilidade. Não me preocupei com mapas e direções, só queria relaxar e admirar.
A cidade tem muitas subidas e descidas, ficava cansada rapidinho! Muitas ruas são estreitas e formam um pequeno labirinto e ficamos um pouco perdidos, mas seguindo na direção certa, eventualmente voltávamos  ao hostel.
Fizemos o passeio gratuito que um grupo organiza com hóspedes de outros hostels. De uma vez só vimos bastante da cidade, escutamos ótimas histórias e conhecemos mais gente legal. A guia contava as histórias dos monumentos e personagens históricos de um jeito bem interessante e diferente, nada maçante. Os prédios, casas, igrejas, monumentos e ruas são lindos e dão vontade de ter uma máquina do tempo e voltar pra ver como era a vida. Mas por enquanto a imaginação serve. Algumas construções são semelhantes às de Ouro Preto e cidades antigas do Brasil, feitas provavelmente na mesma época e estilo. A maioria das casas estão em bom estado, mas outras foram completamente abandonadas e estão caindo aos pedaços.
No almoço comi outro prato típico: bacalhau. Cruzamos a ponte e encontramos um restaurante bacana em Vila Nova de Gaia. O bacalhau estava bom, mas não é meu preferido, muito salgado. Eles serviram acompanhado de batata doce pra balancear, mas mesmo assim. A sobremesa, tarte de nata, estava deliciosa, tenho certeza que engordei nesse passeio. Concordo com quem nos recomendou comer em Gaia – a vista pra Porto é bem mais bonita! Sentamos na beira do rio após o almoço, no sol, relaxando e admirando os barcos, a cidade, as pessoas. Não me canso de dizer o quanto eu amei esse passeio, o quanto eu estava feliz lá. Não sei se foi a cidade em si, ou o clima que elevou meu ânimo. 18 graus, sol, não precisar de várias camadas de roupa – paraíso! Mas Porto é mesmo linda e possui várias faces, eu definitivamente moraria lá!
Dormi cedo no primeiro dia pra aproveitar o domingo, que foi o melhor dia da viagem. Visitamos a Igreja de São Francisco, que por dentro é coberta em ouro (brasileiro) e depois fomos de ônibus até a praia. Eu queria chorar de tanta alegria. Uma praia linda, uma sensação de tranquilidade, paz, uma vontade de sentar ali e não ir embora. Almoçamos sentados no sol, olhando o mar. Desta vez pedi filés de pescado, com salada e arroz. Cada refeição era um momento único. À tarde fizemos um passeio de barco, que dura mais ou menos uma hora e é uma delícia se o clima está bom. Como sou a viajante mais sortuda, o sol estava brilhando e aproveitamos a paisagem e o vento no rosto. Depois, tentamos encontrar a cave Taylor’s para uma visita e degustação, mas ela fica bem escondidinha numa subida e quando chegamos lá, já estavam fechando. Mas nos ofereceram exemplos do Porto branco e vermelho. A vista de lá de cima também fez valer a pena a caminhada. 
À noite fomos ao festival Essência do Vinho (em Portugal! Tenho que frisar!). Podíamos experimentar quantos vinhos quiséssemos - havia centenas de produtores e ainda bem que não deu tempo de beber muito, pois fecharam às 20h. No dia seguinte: estômago ruim e a vaga lembrança de ter conhecido meus novos colegas de quarto. Comi um pãozinho seco, bebi um pouco de água e uma aspirina, conversei um pouco com o holandês e o brasileiro e mandei o Jimmy ir fazer compras enquanto eu dormia um pouco. Eu tinha que beber vinho até morrer em Porto mesmo né?!
Depois que melhorei, fomos à Casa da Música, uma parte bem diferente da cidade, mais comercial, moderna. O prédio é muito diferente, branco, geométrico e com rampas ótimas pra skatistas do lado de fora. No último andar há um restaurante e um terraço e tomamos um suco de laranja sentados ao sol. Que vida boa!
Andamos de lá até a praia (mais de uma hora) e vimos uma outra parte de cidade, residencial, também mais moderna. Definitivamente, Porto tem várias faces e agrada a todos. Almocei um strogonoff delicioso e experimentei polvo, que o Jimmy pediu. Foi preparado fresco, como uma salada com ervas, gostosinho, interessante.
À noite o pessoal do hostel foi todo junto para o Carnaval. As ruas estavam abarrotadas de gente fantasiada, os bares lotados. Adorei a festa que fomos, música ótima, galera divertida – ninguém bate as australianas!
Na terça-feira queríamos ir a Guimarães, mas os trens (ou comboios) estavam em greve. Resolvemos pegar um ônibus (autocarro) e fomos parar em Braga. Comi a maior e mais barata refeição da minha vida – um cozido de várias carnes e legumes, arroz, sopa, refrigerante e salada de frutas por 6,50! Lá conhecemos uma igreja linda e comprei um azulejo com a inscrição “Família Miranda”. O tempo inteiro que estive em Porto lembrei de pai e mãe e como eu queria trazê-los aqui e compartilhar tudo que vejo e vivencio. Ainda havia pessoas fantasiadas nas ruas e destaque para as crianças: as coisinhas mais fofas do mundo!
No último dia, quarta-feira, andei sozinha pelas ruas, comprando souvenirs. Foi uma sensação boa, a independência, paz. O Jimmy foi mais cedo para o aeroporto, eu almocei com o Tiemen e fomos juntos. Já me deu aquela depressão pós férias, mas estava feliz de voltar e planejar a próxima viagem: Espanha!

Tuesday, January 17, 2012

Bélgica


Sempre que me perguntam por que escolhi morar na Bélgica, respondo que na verdade a Bélgica me escolheu. Minha vontade de morar na Europa, viajar mais e aprender outra língua me levou a ser Au Pair novamente e conheci a família perfeita, que vive na Bélgica.
Estava tão certa do que queria que não hesitei por muito tempo. Aceitei morar com eles, organizei toda a documentação, fiz as malas, disse meus adeus e vim.
Vim sem saber o que esperar, sem expectativas ou pré-conceitos. Passei duas semanas no litoral, observando, explorando e aprendendo. Me adaptando à família e eles a mim. Tendo muitas dores de cabeça por escutar holandês demais.
De volta à vila, me dei conta do lugar lindo que moraria por um ano. Muito verde, silêncio, animais e... um castelo de verdade! Comecei a fazer caminhadas no parque em volta do castelo. Até hoje mal posso acreditar na minha sorte.
A Bélgica é dividida em duas partes: a holandesa e a francesa (na verdade três, mas a parte alemã é tão pequena!). A capital, Bruxelas, é bilíngue. Moro na parte holandesa, mas em meia hora estou em Bruxelas escutando francês e várias outras línguas. Outra coisa que me impressionou na capital é o número de imigrantes, principalmente africanos e muçulmanos – mulheres usando véus, roupas típicas super coloridas, etc.
Como típica turista, logo visitei os monumentos e símbolos da cidade – Atomium, Manneken Pis, Grand Place, Palácio Real, etc. Aprendi a usar o metrô, a me localizar e a circular a pé. Fui a eventos e shows no verão, vi o Steven Spielberg e o Arnaldo Antunes. Bruxelas começou a se tornar familiar pra mim, mas nunca perco a sensação de insegurança que sinto ao andar pelas ruas da cidade. Como várias capitais, há gente de todo lugar e muitas dessas pessoas se comportam de um jeito estranho.
Fiz aulas de holandês e aprendi algumas coisas com a família e os amigos. Às vezes entendo o contexto, mas desisti de querer falar essa língua. Comecei minhas aulas de francês e estou evoluindo bastante. Entendo bem, leio e arrisco falar um pouco e me viro bem!
Não dá pra falar de Bélgica sem falar das cervejas, dos chocolates, dos waffles e das fritas! Primeiro: há uma lista gigante de cervejas fabricadas aqui, de marcas conhecidas a pequenos produtores, cervejas fracas e outras fortíssimas, cervejas tradicionais ou com sabor de fruta. É o paraíso da cerveja!
Os chocolates são também deliciosos e há até museu do chocolate. O hábito mais diferente e engordativo que aprendi foi comer pão com Nutella no café da manhã. Todos os dias. Bom, tive que parar, porque senão...
A cada esquina há uma barraquinha de fritas, que são vendidas em cones ou caixinhas de papel e acompanhadas de molhos, principalmente maionese. Nas vendinhas de waffles eles são feitos na hora. Não dá pra resistir ao aroma! Waffle com calda de chocolate, waffle com sorvete, waffle com chantilly e frutas!
Este pequeno país no coração da Europa, dividido, sem governo central, realmente conquista seu coração!
Das águas frias do litoral aos canais da linda Brugge, de Flandres à Wallonia, da capital ao campo, das viagens de trem, dos moinhos, dos castelos e igrejas antigos, do orvalho congelado pela manhã, dos patos, ovelhas, pôneis, veados e pássaros, da chuva, do vento forte, dos passeios de bicicleta e, mais que tudo, das amizades e da família, das inúmeras risadas regadas a cerveja, dos filmes, dos jogos, das viagens e caminhadas, das pessoas que abriram seus braços para me receber – vou sentir saudades.



Tuesday, December 6, 2011

Quase Verbo - Almost a Verb


joguinho de rimas

minha mão
rima com as suas coxas.
minha outra mão
rima com suas mamas.
meu corpo
rima sobre o corpo seu
também rima debaixo do corpo seu.
minha boca
rima com sugar você todinha.
sua boca
rima me descobrir das cabeças aos pés.
minha língua
rima com o seu umbigo
e também com os seus pelos e mistérios.
sua língua
rima com o meu rijo pecado.
so não quero saber de rimar
sexo com gozo solitário.


little game of rhymes

my hand
rhymes with your thighs.
my other hand
rhymes with your breasts.
my body
rhymes on your body
it also rhymes under your body.
my mouth
rhymes with sucking you all over.
your mouth
rhymes with exploring me from head to toe.
my tongue
rhymes with your navel
and with your hair and mysteries.
your tongue
rhymes with my rigid sin.
i just don’t want to rhyme
sex with lonely pleasure.

(Do livro Quase Verbo de Jurandir Barbosa, traduzido por Ana Elisa Miranda. Lançamento em breve).


Sunday, November 27, 2011

That Sunday



                It’s already 11:30am and I’m still in bed. Half of the day went by and the only thing I did was sleep. I feel I’m wasting time. But anyways, it’s Sunday and what is there to do in this town? I roll over to my side, pull the blankets over my head and close my eyes. It`s impossible to fall asleep again, because I`ve slept enough. Damn! The sun is coming in my room through the blinds and the sound of kids playing on the street is bothering me. It must be a beautiful day and here I am, going against the joy and excitement that comes with vacations.
                I manage to drag myself out of bed, splash some cold water on my face and go to the kitchen to eat something. Breakfast is my favorite meal, especially at grandma`s house. She had made cake, cheese bread, cookies. And there`s always fresh coffee. After that, who knows what time I`ll have lunch. And who cares?
                I have the tv remote in my hands when my cell phone rings. It`s one of my old school classmates. I hesitate about answering for a moment, because I don`t know what to expect from her and what excuse to give in case she has some boring or weird invitation. Finally, I force a smile, take a deep breath and pick up the phone. Leticia was always in a good mood, loved going out but also got in trouble sometimes.
“Hello?!” I say, still hesitating.
“Mari! Hi, how are you?”
“Good.” Lie.
“Long time, girl!”
“Yeah…” I don`t remember the last time I saw her, and honestly I don`t care.
“Listen, some of my friends are going to Dani`s grandpa`s ranch, to the waterfall, so I thought of calling you, you`re staying home alone all the time…”
“I don`t know…” It could be fun, but I smelled trouble in the air.
“Don`t worry, we`ll go in two cars. Just meet us in front of the elementary school in half an hour, ok? See ya’!” And with that she hangs up on me.
I think it`s nothing much, maybe I should put my worries on the side for a while, have some fun, see old friends again. Without thinking much I put some stuff in my backpack: bathing suit, towel, fruit, cookies, water; tell grandma and walk to the school. The town looks the same as it did on my childhood- the houses, the stores, the squares. But I don`t recognize most of the people, although they know exactly who I am.
I get to the school and everybody is already in the first car. Everybody but Gabriel, who is leaning against the second car. I never liked that guy. Actually, I had never talked to him. We were classmates for eight years. He always sat way on the back of the class and I sat on the first row. Eight years and I never noticed how cute he is.
“Mari, I`m glad you came!” Says Leticia, forcing me to take my eyes off his. “We were waiting for Julie, but she just called saying she is not coming. Our car is full, so you go with Gabriel, ok?” And off they go to the ranch.
I never know what to say in this kind of situation - when I don`t know a person well, when I`m left alone with this person, when I was taken with a sudden attraction for this person and to make it worse I haven`t had many conversations lately. I could have lost my voice and not noticed.
He gestures towards the car and I get in quickly, without a word. We don`t say anything for the next fifteen minutes. It was more than awkward when we heard a noise and the car started having problems.
“What was that?”
“Don`t know. We`ll have to stop and check.”
“Oh, great!”
“It`ll help more if you don`t complain. I`ll check the engine, you pay attention, if someone comes, ask for help.”
“I`m not complaining. And honestly I don`t think someone is going to come in the middle of nowhere.”
Sometimes I hate myself. And now is a good example. Why do I have to be so stupid? Why scare all guys only because an idiot left me? An idiot that I loved so much… But I know I have to forget. I try to think about something to start a conversation, but nothing comes to my mind. It can`t be the car, because I know nothing about cars. And that`s when he saves me.
“What a progress for a school newspaper editor, uh? Working on Ella magazine. Congratulations!”
“It`s just an internship. I`ll graduate in the end of the year. How about you?”
“Engineering. I still have one year to go.”
And so we talk for hours, with him poking the engine and me sitting on the edge of the road, chattering like a fool. We talk and talk and we know almost everything about our lives when he says we can go. I didn`t notice he was done because I was so distracted taking mental notes about what he likes to do, about his family and the classes he hates.
Talking for the rest of the drive, I don`t even see time passing. I don`t notice the pastures, so green this time of the year, the cows, the water streams. We get to the waterfall and everybody is swimming, laughing out loud, and drinking beer. We are all surprised when I sit on a rock under the mango tree and he sits by my side and puts his hand on mine.

(From the book Qualquer dia desses, originally written in Portuguese.)

Monday, November 14, 2011

11.11.11 / "In Flanders Fields"




I saw many people wearing this pretty red paper flower in London and that was when I first heard the story of the Poppy Flower and Armistice Day. I asked my host and he told me that the flowers are bought for whatever amount of money - that goes to charity – and worn in honor to the end of the war and the ones who died on it.

The following week, my host dad told me that he would really like me to come along with them on Armistice Day and we visited the Harlebeke New British Cemetery, where a lot of English, Canadian, Australian and other soldiers from the Allied side are buried.

War has always been a foreign concept for me because 1) I don’t believe or understand the reasons why human beings do such thing and 2) war has never struck Brasil so hard that it’s imprinted in my history, in my family, in my beliefs. For that reason, I spent some time hesitating between wearing the Poppy Flower or not but decided to do it. As I talked to my host family I understood how grateful they are for the soldiers who came all the way from overseas to help them free their land. I also gave some thought and decided that I should respect the courage and faith they put on what they truly believed and at last, I prayed for the shattered families and broken hearts caused by the war.

The following poem is the origin of the Poppy Flower tradition. It was written by John McCrae (it’s said that after he saw his friend die in battle).

In Flanders fields the poppies grow
      Between the crosses, row on row,
   That mark our place; and in the sky
   The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
   Loved and were loved, and now we lie,
         In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
   The torch; be yours to hold it high.
   If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
         In Flanders fields


Wednesday, November 9, 2011

London




A cada viagem compreendo melhor que não adianta querer fazer tudo e ver todos os lugares turísticos ou interessantes. É bom ter um plano, mas é melhor ser flexível, relaxar e deixar a cidade te surpreender. Foi o que fiz em Londres. Teria três dias e a companhia de Maitê e Alex.
Esperei muito por essa viagem, Londres é uma das cidades que mais sonhei em visitar – como estudante de língua e literatura inglesa, nada mais natural do que visitar o berço.
Fui de ônibus e não fazia ideia do trajeto. Todos me disseram que uma parte era em navio, mas no fim das contas – depois de voltas e voltas – o ônibus entra numa espécie de trem, que por sua vez atravessa o Euro Tunnel. Não é uma viagem para claustrofóbicos! A partida é da França, e mais uma vez tive meu passaporte carimbado fora de ordem (já virou bagunça).
Minha primeira experiência sendo hospedada por alguém do CouchSurfing foi ótima. Primeiro porque a Maitê já o conhecia e ficaria lá nas primeiras noites. Segundo porque ele foi muito educado, receptivo, passou o fim de semana todo passeando com a gente e tivemos grandes conversas sobre espiritualidade.
Foi também a cidade onde comi as comidas mais variadas – chinesa, indiana e vietnamita!
Claro que andamos no ônibus vermelho de dois andares (quase caí subindo a escada na hora que o motorista acelerou!) e tiramos fotos nas cabines telefônicas. Típicas turistas.
Fomos à feira de Notting Hill, vi onde morou George Orwell, andamos à beira do Thames, vi o Big Ben, dei uma volta no London Eye – e como sou sortuda, o tempo estava ótimo e a vista linda!
No domingo vimos a troca da Guarda da Rainha. Ou melhor, ouvimos, pois estava mais que lotado. A banda tocou uma melodia conhecida, mas Maitê e eu demoramos uns dois minutos pra reconhecer (I could be brown, I could be blue, I could be violet sky!). Foi o máximo ouvir a banda da Guarda Real tocando Mika! Depois consegui ver os guardas saindo, alguns a pé e outros a cavalo.
Passamos também pela Abadia de Westminster, London Bridge, London Tower e Piccadilly. Os dias foram muito tranquilos, sem pressa, fizemos ótimas refeições, andamos pelo rio e, quem diria, vi tudo o que estava na minha lista e mais! Lindos parques, pessoas educadas, cidade limpa (inclusive as estações de metrô) e clima agradável (juro que esperava chuva, frio e neblina).
No último dia fiquei sozinha e, como boa fã de Harry Potter, fui à estação King’s Cross, mas demorei horas para encontrar a Plataforma 9 ¾. Depois fui à Oxford Street fazer compras. Já era noite e as luzes deixavam os prédios lindos.
Essa viagem me deixou com vontade ver ler todos os livros e ver todos os filmes Harry Potter de novo, também de reler os livros e poemas que estudei na faculdade, a história da língua inglesa e mais. Mas acima de tudo, me deixou com a certeza de que voltarei lá o mais rápido possível!

Tuesday, November 8, 2011

Poesia é risco


7 de novembro – um dos dias mais longos da minha estada na Bélgica. Saí de casa cedo, ainda meio escuro, sentindo muito frio e um pouco de nervosismo pelas provas finais de francês. Perdi o ônibus que geralmente pego (passou na minha frente!) e esperei mais uns 15 minutos pelo próximo. Nunca vi um trânsito como aquele por aqui. Levamos o dobro do tempo pra chegar à Bruxelas. Já estava super atrasada, mas como sabia que seria a última a fazer a prova oral, fiquei mais tranquila. A prova escrita foi boa, e fiquei o tempo todo na sala, escutando os outros fazerem a oral, o que me deixou mais calma na minha vez. O professor só encontrou um erro no meu texto, fiquei muito feliz, e ele disse que estou falando bem, que melhorei bastante.
Maitê não pode almoçar comigo, então fui procurar uma bota – até hoje não achei uma que eu ame e esteja disposta a pagar – porque tinha que ir à faculdade a tarde para fazer a matrícula para o nível 2 e precisava passar o tempo.
Enquanto isso, estava me roendo pra saber se precisava voltar pra casa e trabalhar, porque estava louca pra ir ao evento do Augusto de Campos, com participação da Adriana Calcanhoto e do Arnaldo Antunes!
Saí da faculdade às 16h e o meu host dad me escreveu dizendo que só precisava de mim na manhã seguinte (quase pulei de alegria!). Mas eu tinha 4 horas pra passar em Bruxelas e nenhuma das meninas iria ao show. Estava frio, chuvoso, ventando, quase desanimei. Fiquei com medo de ir embora à noite sozinha. Não consegui descobrir ao certo onde era a entrada, se era preciso comprar ingressos, se estava lotado, etc. Fiquei rondando a prefeitura em busca de informações até que um senhor começou a conversar comigo, falando do marco zero da cidade e não sei mais o quê e se eu queria entrar e ver a prefeitura por dentro. Eu fui, né, por que não? Talvez eu encontraria alguém pra me explicar sobre o evento. Andamos lá dentro, vendo pinturas, reunião do prefeito com outros politicos, a sala de casamentos... até que escuto a voz que mais esperava naquela noite. O Arnaldo estava ensaiando na sala ao lado! Entrei por uns 5 minutinhos, nem acreditei! Perguntei sobre o evento – era de graça, as portas abririam às 20h - e saí feliz da vida. Pra completar minha felicidade e provar a corrente do bem daquela noite, um amigo de Lennik disse que me buscaria, eu o convidei pro show e ele foi!
Foi definitivamente a noite mais encantadora do ano. Me trouxe um sentimento de lar, de família, de conforto e reacendeu minha inspiração. A poesia de Augusto de Campos, os efeitos visuais e sonoros e as vozes de Adriana Calcanhoto e Arnaldo Antunes formaram um espetáculo lindo.
Ter o privilégio de ver um dos meus artistas favoritos e ouvir sua voz profunda, imperturbável e única me arrepiou e emocionou. E pra completar o presente, ele foi super simpático quando o cumprimentei – meio boba – e pedi para tirar uma foto!



Saturday, October 8, 2011

Doce Infância




            Eu não quero mudar de quarto. Não quero um quarto novo só meu. Quero dormir com a mamãe! O quarto novo é escuro e tem bicho debaixo da cama. Não consigo dormir sozinho no escuro com um bicho embaixo da minha cama! Por que o neném pode dormir com a mamãe e eu não?
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            “O horário comum é diferente do horário de verão. O sol acorda cedo. Chegou o horário de verão. No horário de verão nós temos que acordar mais cedo.”
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            Mamãe deixou eu dormir na camona dela essa noite, mas quando acordei eu estava na minha caminha... Aposto que foi o João Bobão que me pegou de lá (João Bobão é o bicho que mora embaixo da minha cama, por isso eu sempre vou depressa e dou um pulo em cima da cama pra ele não me puxar pelo pé. Mamãe diz que não tem bicho nenhum lá, mas à noite eu escuto ele fazendo barulho).
            Papai me levou pra um lugar chamado escola e me deixou sozinho lá. Tinha um monte de criança lá, mas eu queria ir brincar na casa do meu primo Guto. Ele me disse que agora eu vou ter que ir todo dia lá pra tal de escola. Não sei por que. Vou perder meus desenhos da TV. Mas eu não chorei, porque papai disse que meninos não choram. Então o neném deve ser menina...
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            “O carneirinho se chama Memé. Memé pula...pula...Um dia Memé estava pulando e caiu na tinta preta. Quando Memé chegou perto de Pedro, Pedro falou: De onde surgiu esse carneirinho preto? Sabe por que ele falou isso? Porque Memé era branquinho... branquinho... ”
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             O bebê é engraçado. Tem só dois dentinhos. Ontem ele mordeu minha mão e doeu muito. Eu ia morder ele também. Mas papai não deixou. O João Bobão agora é meu amigo e vai pra escola comigo. Lá é até legal porque a gente faz coisas interessantes, mas eu não gosto de ir pra lá todo dia não.
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           “É primavera. O dia está bonito. O céu azul e o sol a brilhar. Os pássaros cantam, as borboletas voam. As flores ficam bonitas. As árvores verdes e floridas. Abelhinhas voam pra lá e pra cá é a primavera que acabou de chegar.”

(Do livro "Qualquer Dia Desses", por Ana Elisa Miranda)

Monday, October 3, 2011

Ana vs Moscas-Zumbi comedoras de aranhas


Primeiro foram os morcegos. Deixei a janela aberta por algumas horas e quando cheguei dei de cara com dois morceguinhos. A princípio fiquei assustada, com medo de ser atacada, mas consegui fazer um voar e sair pela janela novamente, mas o outro voou pro quarto e se refugiou lá no alto, nas vigas do teto. Me cobri dos pés à cabeça na hora de dormir, imaginando o morcego subindo em mim e mordendo meu rosto, mas ele não me perturbou. Três dias se passaram, mantive uma toalha a postos até o momento em que cheguei e o vi quietinho ao pé da cama. O bichinho até que era bonitinho! Joguei a toalha em cima dele, peguei e o joguei pela janela. Ana versus os morcegos: ponto pra Ana!
Agora são as moscas – ou como eu as chamo: moscas-zumbi comedoras de aranhas! Não é normal a quantidade de moscas que voam e morrem aqui na torre. Todos os dias preciso varrer centenas delas do chão! Não entendo como vieram parar aqui, pois quase não abro as janelas e quando abro coloco a tela. No início fiquei zen, mas com o passar dos dias isso foi me irritando! Aquele monte de mosca voando e zumbindo à noite, no dia seguinte um monte de cadáver no chão, e quando acendo as luzes elas se queimam e deixam um cheiro de torrado. Onde estão as aranhas quando preciso delas? Acho que agora são as moscas que estão atacando as aranhas. E às vezes elas ficam paradinhas, mas quando passo a vassoura elas voam! A única explicação é que havia ovos em algum lugar da torre e agora, com a temperatura, elas nasceram. Não consigo pensar em outra coisa. Ou talvez haja um cadáver escondido aqui... que medo de acordar no meio da noite com a cara cheia de mosca! Ana versus moscas zumbis comedoras de aranhas: ponto pra elas. Talvez seja uma mensagem...



Monday, September 12, 2011

Luck of the Irish!




Eu havia passado a semana toda preocupada com o horário do voo, porque estava em Knokke e demoraria umas duas horas pra chegar ao aeroporto. Calculei tudo direitinho e me tranquilizei com o pensamento de que se tudo desse certo, se o trem ou o ônibus não atrasassem eu chegaria a tempo para o check-in.
Pra começar o dia bati a porta do guarda-roupa na testa, mas me recusei a interpretar aquilo como um mal sinal. Peguei o primeiro trem da manhã em Knokke às 07:06h que teoricamente chegaria em Bruxelas às 08:33h e eu pegaria o ônibus para o aeroporto às 9h. O trem parou em Brugge, como sempre, mas demorou mais que o normal. Quando resolvi sair e perguntar, havia um problema no freio e estávamos atrasados 15 minutos! Essa é a minha sorte... fui rezando e mentalizando o resto da viagem, chegamos na estação às 08:50h e corri para encontrar o ônibus (se eu perdesse o de 9h o próximo seria só em 30 minutos). Corri de verdade, com mochila nas costas e tudo. Cheguei ao ponto e o ônibus só sairia às 09:15h, mas o motorista disse que o trajeto leva 40 minutos e domingo de manhã ainda menos. Aí sim, relaxei. Já havia olhado o mapa do aeroporto e sabia que era pequeno, que os guichês de check-in da Ryanair são logo na porta e a segurança é logo depois. Chegaria antes das 10h para meu voo das 10:50h.
Como Maitê havia me falado, a Ryanair sempre atrasa, ou nunca fecha o portão 30 minutos antes do embarque como diz o cartão. Tanta gente em pé, na fila esperando e demora, demora, depois muda o voo de portão e embarcamos 5 minutos antes do horário de decolagem. Mas enfim eu estava a caminho de Dublin!
Essa foi uma viagem completamente sem planejamento. Queria ser surpreendida pela Irlanda e aproveitar a compania de Vinícius. Encontrar alguém da sua cidade, da sua faculdade, na Europa não tem preço!
Chegando lá passei pela imigração, ganhei um carimbo (eba!) e logo encontrei Vini na área de espera. Pegamos um ônibus e fomos para o centro da cidade.
Logo de cara adorei o sotaque, que apesar de ser difícil de entender às vezes, é bem interessante. Estava feliz em estar em um lugar onde entendo a língua. Também fiquei fascinada pelo Gaélico, que se vê nas placas, sinais e até se escuta em alguns lugares. Soube que é ensinado às crianças nas escolas e achei fantástico a preservação das raízes do povo irlandês.
Andamos um pouco pela rua, passamos por um jardim lindo chamado Remembrance Garden, onde há uma fonte e uma piscina em forma de cruz, vários monumentos e estátuas e o mais novo símbolo, o Spire, que parece uma agulha gigante. Nessa avenida fiz minha primeira refeição irlandesa: fish and chips, claro! Estava gostoso, apesar de não ter tempero nenhum, fica bom com sal e limão. Nessa hora passou um mega desfile Hare Krishna, com carro alegórico e tudo e o pessoal cantando.
Depois ele me mostrou mais do centro, alguns lugares q eu já tinha visto por fotos, como o Poet’s Corner, que é um bar de paredes verdes com fotos e citações de poetas famosos como o Bernard Shaw e o Yeats.
A Trinity College é a faculdade mais tradicional da Irlanda, fundada no século XVI e fica bem no centro de Dublin. Passamos por lá rapidamente, tiramos fotos e continuamos o passeio. Vi a estátua da Molly Malone, que possui várias lendas e histórias, uma delas diz que ela era prostituta a noite e vendia peixes de dia. Há várias canções e paródias sobre a Molly e dizem que tocar nos seios dela dá sorte, haha!
Vários artistas de rua se apresentavam durante o dia – alguns muito bons, talentosos de verdade! Eu adoro arte de rua e sou capaz de ficar horas assistindo, mas havia muita coisa pra se ver. Fomos ao Stephen Green’s Park, onde havia uma exposição/feira de fotografias. Esse parque é no caminho do hostel, então passei várias vezes por ele e às vezes sentávamos um pouco curtindo a paz e a natureza.
À noite fomos aos famosos pubs na região do Temple Bar e tomei minha primeira Guinness (um copo de quase meio litro!). É escura, cremosa, adorei a textura e não é forte.
No dia seguinte fomos à Biblioteca da Trinity College ver a exibição do Book of Kells – um manuscrito ilustrado do Novo Testamento, em latin, feito por monges entre os séculos VIII e IX. Eles contam a história de como e onde foi feito, mostram técnicas de escrita em pele de ovelha e estilos de letras. E no final podem-se ver os livros. Porém o que mais me impressionou foi a biblioteca. Pena que não pude tirar fotos lá dentro, porque não consigo explicar como é linda e impressionante e muito menos a sensação que tive lá dentro. Só posso dizer que me deu vontade de sentar e ficar lá o dia inteiro.
Pegamos o trem e em mais ou menos 40 minutos estávamos em Killiney, onde supostamente moram o Bono Vox e a Enya. Independente dos famosos, o lugar é lindo, fica no litoral, caminhamos por ruas cheias de árvores e flores, subindo a montanha, até chegar ao topo e ter uma vista panorâmica maravilhosa. Estava frio, ventando forte e choveu um pouco, mas a sensação lá de cima é inexplicável, a Irlanda realmente tem uma magia, uma energia boa. A porta da casa do Bono é cheia de mensagens de fãs (vândalos!) e quando Vini estava parado perto do portão pra eu tirar uma foto alguém falou no interfone e nós fomos embora. Passamos o resto do dia pensando: e se fosse o Bono, se ele estivesse de bobeira, a gente puxasse um papo e acabássemos conhecendo ele? Nunca saberemos...
Também foi em Killiney que tomei a melhor sopa de cogumelo da minha vida! Depois de subir por ruazinhas desertas e cheias de curvas demos de cara com um restaurante (enviado por Deus na hora mais propícia, em que eu não aguentava mais de fome hehe).
As igrejas são um espetáculo à parte e não preciso nem comentar sobre a Saint Patrick’s Cathedral. Foi emocionante estar no coração da fé católica irlandesa, com tanta história e tradição. Os museus também tem seu lugar. Fui aos de entrada gratuita: Museu de História Natural, National Galery of Ireland (há obras de Picasso e Van Gogh), exibição sobre o poeta William Butler Yeats na biblioteca, passamos pelas casas do Oscar Wilde, Francis Bacon e no final fui à Dublinia (exposição sobre os Vikings e as origens de Dublin, baseada em escavações feitas na cidade).
Por fim, coisas que me chamaram a atenção foram os souvenirs e as joias em estilo celta. Primeiro: nunca vi lembranças tão bem feitas e baratas em nenhuma outra cidade, me deu vontade de comprar tudo! Os trevos, as ovelhinhas, os duendes, as camisetas fazendo piada com o clima da Irlanda. Segundo: as joias de prata com tema celta são simplesmente lindas! Comprei um livro - Heroes, Gods and Monsters of Celtic Mythology e estou adorando as estórias de força, lealdade e honra. Luck of the Irish!

Wednesday, August 24, 2011

Meditar

Estou participando pela segunda vez do Chopra Center 21-day Meditation Challenge. No fim da primavera aceitei o desafio proposto pela amiga Giovana, porque queria mais foco e disciplina na minha prática. Agora, no fim do verão, recebi novamente o convite do Chopra Center.
Todos os dias recebo um link via email para uma meditação guiada, com duração de 12-18 minutos. Gosto de fazer antes de dormir, porque me acalma e me faz pensar coisas amenas, porém importantes. Nesses 21 dias estamos meditando sobre três questões vitais: Quem sou eu? O que eu quero? Qual é o meu propósito? 
São questões universais, que a maioria de nós passa a vida tentando responder - talvez sem sucesso - mas que pode ser guia para o auto-conhecimento e para viver cada dia em busca de algo melhor.
Hoje é o dia 10, mas quem se interessar ainda pode começar e também acessar os dias anteriores no site https://www.chopracentermeditation.com/bestsellers/meditation_summer/register.asp. (em inglês)

Namastê!

*

I am participating for the second time in the Chopra Center 21-day Meditation Challenge. In the end of Spring I accepted the invitation by my friend Giovana because I wanted more focus and discipline in my practice. Now, in the end of Summer, I was again invited by Chopra Center.
Everyday I receive a link via email to a guided meditation that lasts approximately 12-18 minutes. I like to do it before going to sleep, because it calms me down and gives me important but soothing thoughts. We are meditating about three vital questions: Who am I? What do I want? What's my purpose?
They are universal questions, that most of us spend a whole life trying - maybe unsuccessfully - to answer but that can be guides for self-awareness and for living each day in pursuit of the best.
Today is day 10, but if you're interested you can still start and also access previous meditations on https://www.chopracentermeditation.com/bestsellers/meditation_summer/register.asp.

Namaste!

Wednesday, August 17, 2011

La bellezza delle piccole cose...


Toscana



A preparação para a viagem foi longa: li, pesquisei e planejei o que pude. Mas quando chegou a hora de ir a ficha não tinha caído! Estava mais preocupada com a longa viagem de carro e com as crianças, mas eles lidaram muito bem com tudo: dormiram, brincaram, escutaram música, não reclamaram nem pediram pra ir ao banheiro o tempo todo – melhor que muitos adultos.
Meus hosts se revesaram ao volante e eu fui atrás com as crianças escutando música e lendo Fly Away Home. Paramos em algum lugar da Alemanha pra comer e vimos um arco-íris completo, lindo, até sombra tinha! Dormimos em um hotel na região montanhosa de Innsbruck, Áustria e nem preciso dizer que foi apaixonante, me senti no topo do mundo!
Ficamos num lugar chamado Colline San Biagio, que foi um mosteiro no século XIII e hoje é uma villa, uma espécie de hotel fazenda. Só a família do meu host ocupou o lugar inteiro! Éramos ao todo 15 pessoas. A casa fica no topo do monte e tem uma vista linda das cidadezinhas em volta. A paisagem da Toscana me lembra muito Minas Gerais: as serras e montes, a vegetação, as casas e as pessoas. Andar ao ar livre era uma experiência de sentidos: os cheiros acentuados das ervas, das flores e frutas, das refeições sendo preparadas em cada casa, do café... o sol ardendo na pele, os sinos das igrejas.
Os dias foram longos e preguiçosos e se resumiram a piscina, comida, sono. Em uma semana só saímos de lá um dia (chuvoso) e fomos a Lucca, que dizem ser a cidade mais bonita da Toscana, mas não consegui ver ou conceber que tipo de beleza (talvez por causa da chuva). Nós mesmos organizávamos as refeições e devo admitir que não perdemos pra nenhum hotel!

Florença



No sábado todos saíram cedo pra evitar o trânsito, mas um dos casais foi mais tarde e nos levou até o hostel em Florença. Isso foi perfeito, porque eu ainda não estava em modo viajante, não fazia ideia de como chegar lá! O hostel 7 Santi foi bom o suficiente – depois de várias experiências em hostels, aprendi a não esperar muito e a ter a mente aberta às vantagens. O quarto tinha 10 camas e estava lotado, mas era espaçoso e o pessoal era tranquilo. A primeira noite foi difícil, com a música alta vindo de outro quarto e pessoas chegando de madrugada, batendo nas portas e gritando. Não dormi bem. A localização era boa, fomos a pé a todos os lugares nos dois dias. Tudo bem, eu quase morri de tanto andar, mas é ótimo pra ver as praças, estátuas, igrejas, etc. Ficávamos um pouco perdidas e, de repente, dávamos de cara com algo inesperado e lindo.
Primeiro andamos até o rio Arno, cruzamos uma das pontes e subimos até a Piazzale Michelangelo, de onde se tem uma vista panorâmica maravilhosa de Florença. Andamos mais por lá, encontramos uma igrejinha onde dois casamentos estavam acontecendo (com direito a latinhas amarradas no carro dos recém-casados e tudo!)
Depois da visão panorâmica, foi impossível tirar fotos apresentáveis – as construções são enormes e as ruas estreitas demais, fora o tanto de gente amontoada nos mesmos lugares. Visitamos os pontos turísticos: Il Duomo – uma das maiores cúpulas do mundo, na Basílica di Santa Maria del Fiore; a Ponte Vecchio – a mais velha da cidade, cheia de joalherias; o Palazzo Pitti – não entramos pra ver os Jardins Boboli, mas também é bonito por fora; o Palazzo Vecchio – na Piazza della Signora, onde se encontram várias estátuas e réplicas (como o David de Michelângelo); a Galeria degli Uffizi etc, mas não entramos em nenhum museu ou galeria. Mais itens pra lista “Voltar com mais tempo e dinheiro!”.
Na semana anterior comi bastante pasta, antipasta (torradas com patê de presunto, fígado, pesto, etc) e salada (com mozzarella fresca italiana!), mas ainda não havia comido nenhuma pizza e estava sonhando com o momento. Também mal podia esperar pelo primeiro gelato. Porém o que aconteceu no primeiro dia foi o seguinte: quando a família foi embora, deixou um monte de comida e nós pegamos tudo o que pudemos, então nosso primeiro almoço em Florença foi mozzarela, salami e coca-cola, sentadas numa pracinha.
Mais tarde, quando sentimos que era “ice cream, you scream, everybody screams for ice cream-time”, entramos numa gelateria e, qual foi a minha surpresa em ver que tinham açaí! Não resisti e adiei o famoso sorvete italiano por uma boa tigela de açaí com banana e granola, gostinho de casa! Pra completar o gostinho de Brasil, Maria Gadú estava bombando nas rádios italianas com Shimbalaiê, escutei quase todos os dias.
No último dia estávamos num café quando um rapaz sentou sozinho na mesa ao lado. Ansunel ofereceu nosso menu, ele sentou com a gente e no fim das contas passamos o dia todo juntos. Sentamos no parque e ele tocou violão, sentamos na praça e observamos pessoas, jantamos e trocamos ideias sobre arte, blog, viagens, etc. Californiano de 23 anos, ator, em busca de respostas – como todos nós. E foi nesse jantar que comi minha primeira pizza, Napoli, com anchovas salgadas. Não foi dessa vez.

Roma



No dia seguinte encontramos a Dani e o Patrick e viajamos juntos no trem até Roma. Escolhemos o trem mais lento, porém mais barato. Tive que escolher entre economizar tempo ou dinheiro. A viagem foi longa, mas tranquila na primeira parte. Conversamos, rimos, comemos. Em Orte fizemos conexão pra Roma. Essa última hora de viagem foi: sentada nos degraus da porta do trem, morrendo de calor e tentando não inalar os odores desagradáveis do local.
Nosso hostel (Carlito’s Way) era bem próximo à estação Termini e nos recebeu com boas surpresas: apesar de termos reservado dormitório de seis camas, eu fiquei num quarto com três camas e a Ansunel num quarto privado!
Roma foi fascinante, frenética, quente e cansativa. No primeiro dia, como chegamos no meio da tarde, só fomos à Fontana di Trevi, tomamos sorvete, jogamos nossas moedas. Depois andamos meio sem rumo e vimos a Piazza Spagna – onde tiramos uma foto estilo “Onde está Wally” na escadaria lotada - a Piazza del Popolo e algumas igrejas.
Fizemos compras e encontramos bolo sem glúten para comemorar o aniversário da Ansunel!
A essa altura meus pés já estavam cheios de bolhas, tudo doía e queimei muito no sol, fiquei com marcas horríveis de camiseta. Mas alternei entre o tênis e o chinelo, bebia mais de dois litros de água por dia e ia pra cama cedo.
No segundo dia em Roma, fomos onde eu mais queria: ao Coliseu. Ao sair da estação de metrô lá estava ele: enorme, impressionante, cheio de história pra contar, desafiando o tempo. Tive um daqueles momentos “Não acredito que estou aqui!” Mas estava. Emocionada e boquiaberta. Lindo e grandioso por fora, super interessante por dentro, o Coliseu foi um dos lugares mais marcantes que já visitei. Andamos por lá um tempão, observando as estruturas e os objetos encontrados pelos arqueólogos. Minha imaginação correu solta – Onde os imperadores sentavam? Quem eram os gladiadores? Quem assistia às lutas e espetáculos? Que tipo de intrigas, fofocas e romances aconteciam lá? Será que essa parte caiu ou nunca terminaram? Quem realmente botou fogo em Roma? O Coliseu provavelmente vai durar mais do que muitas construções modernas, a não ser que algo dê errado na construção da nova linha  de metrô... Como ousam cavar túneis numa cidade como Roma? Preciso passar mais protetor solar.
Esse tipo de coisa me intriga muito. Vi objetos que sobreviveram ao tempo: estátuas, moedas, “fichas” de aposta, cerâmicas, ossos, colares, miçangas, etc. Com tudo isso é possível ter uma ideia do estilo de vida dos romanos antigos. Mas minha vontade real é a de ter uma máquina do tempo e, em cada lugar visitado, poder voltar gradativamente ao passado - cem anos, duzentos, quinhentos, mil, dois mil! E assim poder fazer o que mais gosto em passeios: observar as pessoas na rua. Assim como eles próprios faziam, tenho certeza, no Fórum Romano. O centro social, político e religioso de Roma, onde todos iam para ver e serem vistos.
Almoçamos (comi um canelone de queijo delicioso), fomos ao Palatino, nos separamos da Dani e do Patrick e fomos ao Vittoriano – um palácio branco, gigante e moderno (século XIX). A entrada era gratuita, então entramos pra ver a exposição. Havia um corredor inteiro sobre o Giuseppe Garibaldi e como ele lutou e ajudou em várias ocasiões, como no Brasil, onde conheceu a esposa. Nessa hora passaram dois travestis brasileiros reclamando que não havia nada sobre a Anita, nem uma foto!
Na Piazza Navona nos deparamos com um artista de rua e uma multidão considerável. A princípio ele estava engolindo um balão (daqueles de fazer animais) e achei repulsivo, mas mesmo assim ficamos para o próximo ato. Ele escolheu um voluntário espanhol para amarrá-lo numa camisa de força, da qual iria se livrar em três minutos. O mais engraçado foi o cara estar preso na camisa, dando instruções em inglês para o rapaz que não entendia e fazia tudo errado! No fim das contas, amarrado na camisa e enrolado com uma corrente, ele realmente se soltou em três minutos. Adoro artistas de rua. Na mesma praça estavam pintores, desenhistas, uma banda de senhores tocando músicas suaves. Queria ficar ali pra sempre.
Voltamos à Fontana de Trevi pra reencontrar a Maitê e corremos pra pegar o metrô, que parava de passar as 21h. Jantamos perto do hostel – Maitê e eu pizza, Ansunel batata.
No dia seguinte fomos ao Vaticano. Morrendo de calor, mas propriamente vestidas. Encaramos a fila para ver o interior da Basílica de São Pedro, mas desistimos do Museu, onde está a Capela Sistina. Muita fila e muito caro. Eu achava que o Vaticano fosse mais longe do centro de Roma, mas é pertinho e dá pra ir de metrô. É realmente muito pequeno e tive a sensação de que minhas expectativas não foram correspondidas.
Próximo ao Vaticano está o Castelo Sant’Angelo, que já foi mausoléu, moradia, forte e hoje é museu e tem uma área verde bem gostosa ao redor.
À noite fomos jantar na casa em que a Maitê estava hospedada, com o Fábio, host do Couchsurfing. Foi tudo uma delícia: a comida, a conversa, o sorvete, os drinks. Ótima última noite em Roma e começo de depressão de fim de viagem.

Veneza



No trem a caminho de Veneza conhecemos um rapaz indiano-americano viajando com a mãe. Conversamos e jogamos cartas, trocamos ideias e opiniões sobre a Itália, NYC e New Jersey.
Veneza é um charme realmente, mas não há muito para se ver ou visitar e fiquei feliz por ter sido a última cidade. Nós andávamos tranquilamente, meio perdidas e meio seguindo o fluxo de pessoas, tirando fotos, parando nas pontes para observar os barcos e gôndolas, sentando nas praças para tomar um sorvete. Finalmente comi uma pizza deliciosa, no restaurante de um italiano casado com brasileira. Ele veio conversar comigo quando viu meu pedido – Guaraná, que nem estava no menu, mas vi uma latinha na estante e perguntei ao garçon.
A última noite foi ótima: fomos ao Cassino de barco, ouvimos música ao vivo nos jardins e ganhamos champanhe e morangos. Realmente, Veneza é um charme! Na volta paramos num restaurante pra eu comer minha última pasta e a Ansunel ficou brincando com os placemats (aqueles papeis que colocam embaixo do prato, não consegui traduzir, hehe) - desenhando e escrevendo e pediu à garçonete pra nos deixar uma mensagem de despedida, que foi a coisa mais singela: "La bellezza delle piccole cose..."
Viva a linda Itália!








Wednesday, June 29, 2011

Some relationship patterns don't improve over time. Children or adults, it's all fun and games until someone gets hurt.

*
Alguns padrões de relacionamento não melhoram com o tempo. Crianças ou adultos, tudo são jogos e diversão até que alguém se machuca.

(Ana Elisa Miranda)